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Fiesp alerta que aumento das tarifas pela Comgás pode gerar inflação e
desemprego
A Companhia de Gás de São Paulo (Comgás),
entregue à inglesa British Gas e à anglo-holandesa Shell no processo de
privatização, pretende aumentar em 30% o valor de suas tarifas de gás no Estado
de São Paulo para a indústria. A empresa não informou se o aumento atingirá
residências e o Gás Natural Veicular (GNV). A Comgás solicitou à Agência
Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) autorização
para que o aumento seja praticado ainda este ano. Caso o governo do estado
permita o aumento em caráter “extraordinário”, será o segundo neste ano. No
final de maio, a agência autorizou aumento médio de 16% para residências, de 30%
para indústrias e de 40,82% para o GNV.
Em nota oficial, a Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo (Fiesp) considerou que “trata-se de um momento
economicamente inoportuno, no qual o pretendido reajuste poderá trazer graves
conseqüências à sociedade, como inflação e desemprego. Esse aumento no custo do
gás natural causará impacto direto em setores como: cerâmica de revestimento,
fertilizantes, medicamentos, vidros planos e alumínio”. Para o presidente da
entidade, Paulo Skaf, “nesses casos, o repasse ao consumidor poderá chegar a 30%
do valor dos produtos. Se isso acontecer, essa alta não penalizará apenas as
indústrias, como também a população no consumo residencial. Um encarecimento que
a sociedade não aceita”.
A Comgás alega o “impacto no fluxo de caixa”
provocado pela alta do dólar e pela “demora” no repasse da queda do preço do
barril do petróleo para o aumento extraordinário. Ocorre que, quando o preço do
barril do petróleo recua, a empresa não repassa a queda em forma de redução das
tarifas. O mesmo em relação ao dólar. Se considerarmos que a cotação da moeda em
dezembro de 2001 estava em R$ 2,42, próximo da cotação atual, R$ 2,47 no dia 3,
a empresa deveria reduzir as tarifas a patamares praticados há 7 anos.
Além disso, segundo balanço da própria Comgás o lucro líquido da empresa no
acumulado de 2008 até setembro cresceu 20,1% em relação aos primeiros nove meses
de 2007, alcançando a cifra de R$ 411,2 milhões. Somente no terceiro trimestre
de 2008, a Comgás registrou um faturamento 28,4% maior do que o mesmo período do
ano anterior, com lucro líquido de R$ 167,5 milhões. A receita líquida da
empresa fechou o terceiro trimestre contabilizando R$ 1,1 bilhão e, no acumulado
dos nove primeiros meses de 2008, o resultado ficou em R$ 2,9 bilhões, com um
aumento de 31,9% na comparação com o mesmo período de 2007. Mesmo com as
altíssimas cifras, para Roberto Lage, diretor de relações com investidores da
Comgás, “o terceiro trimestre de 2008 foi bom, mas não excelente”.
A
British Gas detém 76,10% do controle acionário da Comgás; os outros 19,86% estão
nas mãos da anglo-holandesa Shell. A Companhia foi entregue ao capital
estrangeiro em abril de 1999, durante a onda de privatizações do governo PSDB,
por míseros R$ 1,653 bilhão, preço muito aquém do valor real de seu patrimônio.
Na época, o governo Fernando Henrique proibiu a Petrobrás, através da BR
Distribuidora, de participar do leilão. |