|
Centrais mobilizam 35 mil em
Brasília pelo desenvolvimento
Trabalhadores
defendem redução dos juros e do superávit e
investimento dos recursos no mercado interno
Vindos
de todos os cantos do país, mais de 35 mil
trabalhadores, sob forte chuva que atingiu o
Plano Piloto, ocuparam a Esplanada dos
Ministérios, nesta quarta-feira (3), para
defender medidas que afastem os efeitos da crise
internacional do Brasil e mantenham o
crescimento econômico e a geração de empregos. A
manifestação fez parte da já tradicional Marcha
Nacional da Classe Trabalhadora, que este ano
chegou a sua quinta edição.
Embora portando uma pauta com 18
propostas, a redução da taxa básica de juros foi
a frase mais proferida pelos dirigentes da CUT,
Força, CGTB, CTB, Nova Central e UGT, que além
de marcharem por mais de seis quilômetros do
estádio Mané Garrincha até o Congresso, tiveram
uma agenda cheia de reuniões com representantes
do Executivo, Legislativo e Judiciário.
“Viemos mostrar ao presidente
Lula que a classe trabalhadora está unida e
mobilizada para defender as medidas necessárias
para não deixar que o Brasil seja atingido pela
crise. A primeira, e mais importante delas, é
que é preciso parar com essa política econômica
perversa de juros nas alturas. É preciso dar uma
demonstração para a sociedade e abaixar os
juros. Em segundo lugar, precisamos controlar o
fluxo de capitais, dar um basta na farra das
multinacionais, que remetem bilhões para as suas
matrizes e aparecem de pires na mão diante do
governo para pedir dinheiro, ameaçando com
demissões. Não somos contra as empresas
remeterem lucros, mas não da forma como está
sendo feito. Uma parte do dinheiro deve ser
reinvestido no Brasil”, afirmou o presidente da
CGTB, Antonio Neto.
Após a caminhada, os
trabalhadores realizaram um ato político em
frente ao Congresso Nacional, contando com a
presença de uma série de parlamentares que foram
manifestar o apoio às reivindicações das
centrais. Um deles a discursar, o deputado
Vicentinho (PT-SP), foi portador da notícia de
que
duas das bandeiras da Marcha haviam tido um
andamento significativo neste mesmo dia. O
parlamentar informou que a Convenção 151 da OIT
(que regulamenta a negociação coletiva no
serviço público), tinha sido aprovada na
Comissão de Trabalho da Casa e seria remetida ao
Plenário. A segunda viria a se concretizar logo
a tarde, quando o presidente da Câmara, Arlindo
Chinaglia, anunciou que pediria regime de
urgência para a tramitação do projeto que prevê
a redução da jornada de trabalho para 40 horas
sem redução de salário.
Encerrada a manifestação,
considerada a maior das cinco já realizadas, os
dirigentes das centrais foram recebidos,
inicialmente, pelo ministro-chefe da Secretaria
Geral da Presidência, Luiz Dulci, e na sequência
pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
De acordo com o presidente da CUT, Artur
Henrique, as centrais foram dar seguimento à
agenda apresentada para o ministro Dulci e para
o próprio presidente Lula na semana passada.
Artur afirmou que as centrais
cobraram do governo urgência na criação de
mecanismos que proporcionem, por um lado, que o
dinheiro liberado pelo governo através do
compulsório e dos empréstimos públicos chegue às
empresas e, por outro, que os financiamentos
assegurem contrapartidas sociais. O presidente
cutista disse que é um absurdo uma empresa como
a Vale do Rio Doce, que recebe financiamentos do
BNDES, que tem participação acionária de fundos
de pensão das estatais, anunciar a demissão de
1.400 trabalhadores.
“Nós queremos que o governo
reduza os juros, para que o dinheiro chegue na
produção. Queremos que o governo baixe o
superávit primário, para que sobre dinheiro para
investir na infra-estrutura. Nós precisamos que
o governo acabe com o fator previdenciário.
Queremos que o governo corrija a tabela do
imposto de Renda e propomos que o governo faça
uma nova tabela par quem ganha mais, pague mais,
e quem ganha menos, não pague imposto. Nós
queremos também aumentar as parcelas do seguro
desemprego. Queremos ainda que todas as empresas
que recebem dinheiro público garantam os
empregos dos trabalhadores”, destacou o
presidente da Força, Paulo Pereira da Silva
(Paulinho), ao discursar no final da Marcha.
No documento entregue pelos
sindicalistas, assinado pelos presidentes da
centrais citadas acima e pelos presidentes da
UGT, Ricardo Patah, e da NCST, José Calixto
Ramos, os trabalhadores enfatizam que a
desregulamentação da economia pelo modelo
neoliberal provocou a crise e que é necessário
uma maior intervenção e controle estatal na
atividade econômica. “Assim, é fundamental uma
intervenção rápida, correta e decisiva do Estado
brasileiro, para impedir que estes efeitos se
espraiem sobre todos os setores, interrompendo
bruscamente um processo de crescimento econômico
em curso desde 2004”, diz o texto.
Segundo o presidente da CTB,
Wagner Gomes, a marcha teve o objetivo de “dizer
que o governo precisa baixar os juros, para
dizer que o superávit deve ser usado em
investimentos”.
A CUT ainda agendou para depois
da V Marcha um ato público em frente ao
Ministério do Trabalho, cobrando o envio e a
aprovação do projeto de lei que institui a
contribuição negocial, além da revogação da
instrução normativa que institui o desconto da
contribuição sindical para os servidores
públicos.
ALESSANDRO RODRIGUES |