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EUA: recessão derruba
receitas e ameaça os serviços públicos
Segundo
Schwarzenegger, governador da Califórnia, seu Estado ficará sem recursos
públicos em dois meses, se nada for feito. Sobre 42 dos 50 Estados
americanos paira a ameaça de colapso dos serviços públicos, se não houver
ajuda federal
O presidente eleito dos EUA, Barack
Obama, reuniu-se com os governadores na terça-feira, 2, na cidade de
Filadélfia, Pensilvânia, durante a reunião anual da Associação Nacional dos
Governadores e comprometeu-se a realizar investimentos federais para ajudar
a soerguer a economia dos Estados – dos 50 Estados, 42 apresentaram déficits
em seus orçamentos em 2008 devido à recessão econômica e vários anunciaram
que terão graves dificuldades para enfrentar os efeitos da crise e cumprir
as obrigações em relação a serviços de saúde, programas sociais, auxílio
desemprego, etc. num quadro agravado com a redução de receita com impostos,
devido a redução das atividades econômicas.
O encontro nacional dos governadores
ocorreu um dia após a divulgação pela Agência Nacional de Pesquisa Econômica
de uma série de dados sobre recessão no país.
Em pronunciamento na conferência da
Associação Nacional dos Governadores, Obama afirmou que necessita da ajuda
dos governadores para elaborar seu plano econômico com o objetivo de criar
2,5 milhões de empregos. “‘Eu vou pedir a vocês que me ajudem a moldar o
plano econômico. A minha atitude é a de ouvir os governadores e garantir que
o dinheiro que iremos gastar seja gasto correta-mente. Isso significa que
iremos trabalhar mais rápido e que os moradores de seus Estados irão
prosperar mais cedo”.
Obama, porém, ressaltou as dificuldades
para enfrentar a crise herdada pelos oito anos de Bush: “Não se enganem,
estes são tempos difíceis e vamos ter de fazer escolhas difíceis nos
próximos meses sobre como investir os preciosos dólares de impostos e como
economizá-los”.
RAPIDEZ
“Para resolver essa crise e diminuir o
peso sobre os Estados, precisamos tomar atitudes, e precisamos tomar
atitudes rápidas”, declarou Obama.
O presidente da Associação, o
governador da Pensilvânia, Edward Rendell, declarou que os Estados
estabeleceram políticas fiscais mais prudentes que Wall Street e que não é
justo que essas companhias recebam bilhões de dólares enquanto os Estados
ficam apenas com as conseqüências negativas. Estima-se que o impacto da
crise sobre os orçamentos estaduais seja da ordem de 200 bilhões de dólares.
“Sem a ajuda do governo federal teremos
que cortar programas e aumentar os impostos, e qualquer uma dessas medidas
teria um efeito ainda pior em nossas economias”, acrescentou Rendell.
O governador de Vermont e vice da
Associação, Jim Douglas, disse que era necessário preservar o sistema de
previdência social para “ajudar os cidadãos que tiveram suas finanças
gravemente afetadas pela recessão”.
“A desaceleração da economia está gerando cada vez mais desemprego,
aumentando a procura por serviços públicos e reduzindo significativamente a
arrecadação dos Estados”, acrescentou.
EM CASCATA
Jim Douglas ressaltou o efeito em cascata da crise econômica: “a
atividade econômica diminui, o investimento cai, o número de empregos
decresce, a receita dos impostos diminui e então a situação fiscal dos
Estados começa a se deteriorar”.
Obama afirmou que o governo não irá deixar de ajudar os Estados: “‘Nós
pretendemos oferecer cortes de impostos aos bolsos das sacrificadas famílias
de classe média dos Estados de vocês e pretendemos começar a fazer
investimentos essenciais para que tenhamos um longo crescimento econômico”.
Entre os 45 governadores presentes na
reunião estavam vários republicanos, entre eles os governadores da
Califórnia, Arnold Schwarzenegger, e do Alasca, a candidata a
vice-presidente na chapa republicana, Sarah Palin.
Obama saudou a presença de Palin no
encontro e acrescentou, dirigindo-se aos políticos da oposição republicana:
“Eu ofereço a vocês a mesma amizade, o mesmo compromisso com a parceria que
eu ofereço aos meus colegas democratas. Existe uma hora de fazer campanha e
uma hora de governar”.
Na segunda-feira, o governador
californiano já tinha declarado que o estado que administra - que seria a
sexta maior economia do mundo se separado dos Estados Unidos - segue “na
direção de um desastre fiscal” se não houver ações imediatas. Segundo ele, a
Califórnia pode ficar sem fundos públicos em menos de dois meses. A dívida
orçamentária do Estado atingiu 11,2 bilhões de dólares em novembro.
ANTONIO PIMENTA |