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Paulo Borges, o Risadinha
Élcio Paiola
Décadas
passadas, jornalistas esportivos espirituosos tinham sacadas fantásticas.
Criavam apelidos para jogadores num piscar de olhos, um deles “Risadinha” para o
ponteiro-direito Paulo Borges, ex-Bangu (RJ) e Corinthians, um profissional
extremamente extrovertido.
Esse carioca
do bairro Laranjeiras, nascido no dia 24 de dezembro de 1944, começou a se
destacar pelas jogadas de velocidades pelo lado direito do campo, em Moça Bonita
(RJ), em 1962. O diferencial é que sabia fechar bem em diagonal e fazia gols.
Por isso terminou a carreira como centroavante.
BANGU
Paulo Borges
integrou aquele lendário time de futebol do Bangu de 1966, que sagrou-se campeão
carioca na final contra o Flamengo, com 143.978 torcedores no Estádio do
Maracanã. Na ocasião, o time alvirubro goleou por 3 a 0, gols de Ocimar, Aladim
e Paulo Borges, em partida que não chegou ao final. O centroavante Almir
Pernambuquinho (já falecido), do Flamengo, protagonizou uma pancadaria. Na
briga, maldosamente pisou nas costas do ponta-de-lança Ladeira, caído,
provocando fratura na costela.
Curioso é que
um dia após o jogo, quando Ladeira se convalescia em hospital do Rio de Janeiro,
eis que Almir surpreendeu ao visitá-lo. Arrependido, e em prantos, pediu perdão
pelo ocorrido. E Ladeira – hoje treinador de juniores -, que nunca guardou
rancor, o perdoou.
Além de
Ladeira e Paulo Borges, o Bangu contava com um elenco talentoso que marcou 50
gols naquela competição, 16 deles através de Paulo Borges. O técnico Alfredo
Gonzáles assumiu o elenco cinco dias antes do início do campeonato e encontrou
uma base sólida trabalhada pelo seu antecessor Élbua de Pádua Lima, o Tim:
Ubirajara; Fidélis, Ari Clemente, Luís Alberto e Mário Tito; Jaime e
Cabralzinho; Paulo Borges, Ladeira, Ocimar e Aladim.
A rigor,
depois daquele título, outro grande momento do Bangu foi no Campeonato
Brasileiro de 1985, quando o técnico Moisés (já falecido) contou com o esperto
ponteiro-direito Marinho para chegar à final contra o Coritiba e ser
vice-campeão.
O Bangu se
dizimou após a morte do bicheiro Castor de Andrade, que injetava dinheiro da
contravenção no clube, e só nesta temporada de 2008 ressurgiu das cinzas com o
acesso à divisão principal do futebol do Rio de Janeiro.
Paulo Borges
trocou o Bangu pelo Corinthians em 1968 e, de cara, compartilhou com a torcida a
deliciosa quebra de um tabu de 11 anos sem vencer o Santos. Na noite do dia 6 de
março, no Estádio do Pacaembu, ele e Flávio Minuando marcaram os gols na vitória
do Timão por 2 a 0. Risadinha atuava ora como ponteiro-direito, ora como
ponta-de-lança.
RECORDISTA
Na época, o
Corinthians era comandado por Luís Alonso Peres, o Lula, técnico bonachão
recordista de títulos no Santos, que faleceu em junho de 1972. O time corintiano
era formado por Diogo; Osvaldo Cunha, Ditão, Luís Carlos e Maciel; Edson Cegonha
e Rivelino; Buião, Paulo Borges, Flávio e Eduardo.
Em 1971 Paulo
Borges foi emprestado ao Palmeiras e ainda jogou no Nacional de Manaus. Ao
encerrar a carreira radicou-se em São Paulo, trabalhando em escolinhas de
futebol para garotos.
Em 2004, com a proximidade de seu centenário, o Bangu
homenageou a patota de 1966, e Paulo Borges “matou” saudade de antigos
companheiros. Os ausentes foram Ari Clemente e Ladeira. Mário Tito morreu em
1994. |