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CUT: “Vale
usa clima de temor contra trabalhadores”
Publicamos na íntegra a nota oficial da CUT sobre a Vale do Rio Doce e as
propostas de Roger Agnelli
Nada
mais permanente do que soluções classificadas de temporárias, especialmente
quando beneficiam interesses imediatos e históricos de grandes grupos que
detêm forte influência.
Propor “flexibilização” temporária de direitos
trabalhistas, como fez em entrevista recente Roger Agnelli, o presidente da
Vale do Rio Doce*, é além de tudo oportunismo. Uma simples análise dos
resultados financeiros dessa empresa nos últimos anos mostra que o
conglomerado ganhou muito, muito dinheiro mesmo. Lucros imensos que permitem
aos seus dirigentes encontrar soluções mais corajosas para enfrentar queda
de consumo do que simplesmente demitir trabalhadores ou sugerir que abram
mão de parte dos salários ou dos direitos.
Devemos lembrar também que a Vale do Rio Doce*,
como diversos grupos empresariais, tem recebido ao longo do tempo muita
ajuda vinda do patrimônio público, tais como empréstimos a juros subsidiados
e deduções tributárias. Ora, se o dinheiro que suporta tais ajudas é
público, foi construído pelos trabalhadores e a eles pertence. Portanto, é
no mínimo indecente tomar como solução fácil e de primeira hora eliminar os
trabalhadores do jogo.
Na mesma entrevista em que propõe flexibilização
de direitos dos trabalhadores, Agnelli informa, candidamente, que a empresa
vai investir 14 bilhões de dólares em 2009. Como é possível que tal projeto
de investimento não inclua a manutenção dos direitos e do pleno emprego?
Queremos esclarecer também que o presidente da empresa jamais participou de
mesas de negociação com os representantes dos trabalhadores.
É oportunismo, repetimos, usar do clima de temor
provocado pela crise financeira nascida no exterior para colocar
assalariados contra a parede. A CUT e seus sindicatos filiados organizarão
mobilizações e greves para forçar empresariado e governos a adotarem
instrumentos explícitos e firmes em defesa dos empregos e dos salários.
Artur Henrique, presidente da CUT
*A CUT continua chamando a empresa Vale do Rio
Doce por seu nome original, como forma de lembrar sempre o escandaloso
processo de liquidação promovido pela privatização desse patrimônio
nacional, com ajuda de empréstimos públicos, a um preço tão ínfimo que logo
foi superado pelos primeiros resultados obtidos pelo sagaz comprador. |