Requião: “Copom mantém o
maior juro do planeta Terra”
O governador do Paraná, Roberto Requião,
declarou que as últimas medidas do governo federal apontam para uma boa
direção buscando evitar a importação da crise americana, porém são apenas
“doses homeopáticas” e assinalou que o país precisa de um “remédio de
verdade”.
O governador disse que os benefícios obtidos com
as medidas são anulados pela manutenção da taxa de juros em 13,75%, decidida
na última reunião do Copom na quarta-feira. “A queda do IPI se transforma
apenas em uma diminuição da receita do governo federal em favor dos bancos,
não do mercado de automóveis. Porque baixa-se o IPI, mas o Copom mantém o
maior juro do planeta Terra”, criticou o governador durante sua participação
no encerramento do Fórum de Governadores – Ciclo 2007/08, promovido pela
Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB), no Rio de
Janeiro, na sexta-feira (12).
Requião também fez críticas ao câmbio flutuante
e chegou a sugerir a adoção de uma banda cambial. “Quem se pretenda zeloso
da sua soberania, senhor das decisões na área econômica e financeira, não
pode deixar o câmbio solto, submetido aos azares do acontecimento”, falou o
governador durante seu pronunciamento.
O governador falou dos programas de seu governo
dirigidos para a população mais necessitada. “Além de fortes medidas para
estimular o emprego, criamos vários programas para dar dignidade à vida da
nossa gente mais humilde. Afinal, para quem governamos? Buscamos a
construção de um Estado, de uma Nação para quem? O Brasil para quem? Para os
outros, dos outros, ou para a nossa gente? Um Brasil desenvolvido, econômica
e socialmente equilibrado, ou o país que se notabiliza pela má distribuição
de renda e pelas desigualdades regionais?”.
Em entrevista ao jornal DCI, de sexta-feira
(12), o governador paranaense afirmou que “o controle do câmbio é uma medida
a ser tomada” e que, “além disso, temos de investir pesadamente em
infra-estrutura”.
Requião também defendeu a aliança do PMDB com o
PT em 2010. “O PMDB saiu fortalecido nas eleições deste ano, o partido tinha
de pensar em se coligar com o PT. Não pode fazer uma coligação pela direita.
O PT tem as suas mazelas, nós temos muitas, talvez muito mais que o PT. Mas
nós tínhamos de reunir o PMDB e o PT nesta visão de centro-esquerda para
enfrentar esta tentativa de volta da direita ao governo do Brasil”, avaliou.
Na segunda-feira (15), na Costa de Sauípe (BA),
Requião relatou no Foro Consultivo de Municípios, Estados Federados,
Províncias e Departamentos do Mercosul as conclusões do seminário “Crise:
Rumos e Verdades”, promovido pelo governo do Paraná durante a semana
passada. O governador defendeu investimentos públicos, como o PAC do governo
federal. “O PAC não deve recuar um único real, mas sim ser ampliado”, disse.
Sobre a moeda única sul-americana ele sustentou que a medida só terá
viabilidade quando o Brasil, país mais desenvolvido do bloco, “deixar de
aceitar ingressos de paraísos fiscais”.