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Dantas caluniou e ameaçou juíza que o contrariou
A
juíza Márcia Cunha, que em 2005 julgou procedente ação ajuizada por fundos de
pensão que resultou na saída do grupo Opportunity do controle da Brasil Telecom,
conheceu de perto os métodos de intimidação utilizados pela quadrilha de Daniel
Dantas. Conforme relatou à Polícia Federal, em depoimento ao delegado Ricardo
Saadi, que preside o inquérito da Operação Satiagraha, ela foi vítima de pressão
psicológica e ameaça de morte.
No
depoimento, a magistrada relata as pressões que sofreu: logo após assumir a 2ª
Vara Empresarial do Rio, no final de 2004, seu marido, Sérgio Antonio de
Carvalho, recebeu uma proposta milionária para trabalhar no grupo Opportunity,
que foi recusada. Em seguida Márcia constatou a existência de dois processos
contra o grupo de Dantas em curso na 2ª Vara, entre eles o relacionado ao
controle da operadora de telefonia.
A juíza
declarou ao delegado que “as ameaças começaram após ter prolatado a decisão
contra o Opportunity”. Por causa de sua decisão, a magistrada sofreu ação penal
no Órgão Especial do Tribunal de Justiça, ação civil no Ministério Público
Estadual, queixa-crime por difamação e revisão disciplinar no Conselho Nacional
de Justiça (CNJ). Os advogados de Daniel Dantas também apresentaram supostos
laudos insinuando que a sentença não era de autoria intelectual da
desembargadora. Ela contratou um perito e desmontou a farsa.
Além disso,
um dossiê apócrifo foi espalhado no Rio, atribuindo-lhe a compra de um
apartamento de luxo em Ipanema, estranhos passaram a rondar o edifício onde
reside e um desconhecido, que a seguiu de motocicleta quando caminhava sozinha
em Santa Tereza, mostrou-lhe uma arma e a ameaçou: “Juíza, você e seu filho já
era”.
As pressões
cessaram apenas quando Márcia Cunha decidiu se afastar do caso, avaliando que
não tinha mais condições psicológicas devido às ameaças que vinha sofrendo. “O
procedimento é o mesmo adotado contra outros adversários de Dantas, valendo-se
de veículos da mídia: ataques difamadores, fabricação de dossiês, enxurrada de
ações judiciais, uso intensivo da imprensa, sem direito a resposta do atacado”,
comentou o jornalista Luís Nassif sobre o caso. O mesmo método de intimidação
que vem sendo utilizado contra o juiz Fausto De Sanctis, pelas decisões
judiciais que contrariam interesses de Daniel Dantas.
Na semana
passada, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou o banco Opportunity a
indenizar em R$ 100 mil a juíza. Na decisão, o juiz Alessandro Oliveira Felix,
da 51ª Vara Cível da Capital, afirmou que a honra da magistrada foi atingida de
“forma vil, ardilosa e perseguitiva”, desde que ela julgou procedente ação que
teve como conseqüência a saída do grupo de Dantas da Brasil Telecom.
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