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Presidente da Infraero
anuncia obras no Aeroporto de Salvador e critica proposta de
privatização:
Gaudenzi:
Vender os aeroportos põe em risco integração do país
“Eu disse ao ministro [Nelson Jobim]: ‘eu não vou ter entusiasmo nenhum
em comandar um processo com o qual não concordo’”, afirmou
O presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi,
afirmou em entrevista coletiva, no último domingo (14), que a proposta
do Ministério da Defesa de privatizar os maiores aeroportos do Brasil “é
pegar o que é bom e entregar à iniciativa privada e tudo o que der
prejuízo vai ficar na mão do governo e se deteriorar uma rede que hoje
atende ao país”.
As declarações foram feitas em Salvador durante
o anúncio de que o aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães
(antigo Dois de Julho), vai ganhar mais uma pista de vôo em 2009.
Gaudenzi pediu demissão, e deixa o cargo na
próxima sexta-feira (19), por discordar da privatização. “Eu disse ao
ministro (da Defesa, Nelson Jobim): ‘eu não vou ter entusiasmo nenhum em
comandar um processo (as privatizações) com o qual eu não concordo’”,
explicou. “Como eu não sabotaria uma decisão do governo, achei por bem
pedir meu afastamento”.
RISCO
“Hoje, administramos 67 aeroportos, dos quais
dez dão lucro, dez operam em equilíbrio e 47 dão prejuízo”, afirmou.
Segundo ele, “essa maioria é formada por aeroportos que não têm como
deixar de ser deficitários e têm de continuar existindo”.
Ele citou como exemplo o aeroporto de Tefé, no
Amazonas: “O aeroporto é praticamente a única forma de as pessoas
chegarem e saírem”. “Ao mesmo tempo em que ele não tem como dar lucro,
precisa continuar operando, mas se você não tem recursos, ele começa a
se deteriorar e a colocar em risco a operação. E esse processo tende a
acontecer em todos os terminais”, argumentou.
De acordo com o presidente da Infraero, “a
maneira de você operar essa rede é com compensações. Um aeroporto que é
rentável sustenta os demais. Separar oito, dez, e entregar à iniciativa
privada é renunciar a uma receita e passar a disputá-la no Orçamento da
União com saúde, educação e outras áreas. Se a empresa é superavitária e
se basta, por que vou entregá-la e passar a disputar o orçamento de
áreas que só podem ter recursos dessa fonte?”.
Gaudenzi falou sobre os aeroportos de Guarulhos
que, em 2007, contabilizou um lucro de R$ 308 milhões, e o de Campinas,
com R$ 81 milhões. Segundo ele, a entrega beneficiará somente os
empresários.
INVESTIMENTOS
Nos últimos tempos, a rede recebeu grandes
investimentos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Apenas na
região sudeste, onde estão localizados os aeroportos do Galeão e de
Guarulhos - apontados como privatizáves pelos Ministério - foram
investidos R$ 4,7 bilhões.
Para Sérgio Gaudenzi, a Infraero poderia
continuar a administrar a rede, e resolver seus problemas, sem ajuda da
iniciativa privada.
“Temos como fazer a gestão, pois há alguns
aeroportos que são muito lucrativos. Galeão e Guarulhos estão bem,
embora, nesse último, ainda seja preciso concluir no trecho final da
pista, um pátio de estacionamento e, em seguida, a construção do
terceiro terminal. Tudo está dentro da programação. É importante
ressaltar que os aeroportos sempre precisam estar em reforma. Quando não
é a pista, é o terminal de passageiros ou o pátio; depois é de novo a
pista. Então, é um trabalho contínuo”, afirmou. |