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O Federal Reserve, banco central dos EUA:
O templo e os seus segredos sujos
STEPHEN LENDMAN*
O Fed fere o bem público de outra maneira
importante, e de novo a maioria das pessoas não tem a menor idéia de como isso
acontece. Supostamente o Federal Reserve System foi estabelecido para
estabilizar a economia, aplainar os ciclos de negócios, manter uma taxa saudável
de crescimento sustentável com estabilidade de preços e beneficiar a todos.
Desde sua criação, em 1913, tivemos os cracks de 1921 e o mais importante e
recordado, o de 1929, seguido pela Grande Depressão que durou até o começo da
Segunda Guerra Mundial, o qual, segundo o destacado economista conservador
Milton Friedman foi causado e exacerbado porque o Fed decidiu surpreendentemente
reduzir o fornecimento de dinheiro em tempos de contração econômica, em vez de
aumentá-lo. Depois tivemos recessões em 1953, 1957, 1969, 1975, 1981, 1990 e
2001. Também tivemos a irrupção da inflação nos anos sessenta, que foi bastante
severa durante grande parte dos anos setenta e começo dos oitenta. E tivemos uma
importante crise bancária nos anos oitenta, na qual quebraram mais bancos e
associações de poupança e empréstimos do que nunca antes em nossa história. Veio
em seguida a desregulamentação do mercado financeiro, em que se permitiu que os
bancos perseguissem seus próprios interesses sem supervisão governamental que
controlasse sua inclinação para correr riscos excessivos ou que impedisse que
eles se dessem bem mediante fraudes deliberadas [NOTA: Este artigo foi publicado
em 2006, antes, portanto, da atual crise.].
Junto com a estabilidade econômica que o Fed nunca conseguiu, também disparou a
dívida dos consumidores; déficits orçamentários e comerciais recordes; uma
quantidade elevada de falências pessoais e crescentes delitos com hipotecas; um
juro sobre uma crescente dívida nacional que representa uma percentagem grande e
cada vez maior do orçamento federal; a perda de nossa base industrial e de
postos de trabalho com salários maiores, porque são exportados para países de
baixa remuneração; uma economia na qual os serviços açambarcam agora 80% de
todos os negócios, que em sua maioria pagam mal, com trabalhos menos capacitados
com pouco ou nenhum direito trabalhista; e um fosso crescente nos rendimentos e
na riqueza que prejudica as pessoas de baixa e média renda para beneficiar os
poucos ricos e privilegiados, e um governo que estimula essa situação.
Tudo se sintetiza em uma conclusão: o Fed não cumpriu, sobretudo, a tarefa
essencial para a qual foi estabelecido. Mas é muito pior ainda, se compreendemos
que a verdadeira motivação de um cartel não é servir o interesse público, mas
abusar dele, porque assim aumentam os lucros. Pode fazê-lo com a concentração de
seu poder, legalmente sancionado, e um governo amigo aliado com seus sócios ou
facilitadores, saindo por cima quando comete os mais esplêndidos roubos graças a
este arranjo oculto da vista do público.
Solução necessária
Há somente uma solução sensata e justa para desfazer o dano que se fez a tantos
durante tanto tempo: abolir o Sistema da Reserva Federal e restaurar o poder que
tem um Governo Federal que trabalhe pelo bem público. Recuperá-lo do poderoso
cartel bancário e não voltar jamais a permitir que caia em suas mãos. É o único
caminho.
* Pesquisador do Centre for Research on Globalization.
PARTE FINAL |