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Luiz Dulci: “Para enfrentar a crise é preciso
mais Estado”
O
ministro participou de encontro com
sindicalistas durante a Cúpula da América Latina
e do Caribe, realizada na Bahia
Com
o objetivo de aprofundar o processo de
integração da América Latina e debater
alternativas para enfrentar a crise no sistema
financeiro internacional, presidentes de 33
países e dirigentes de organizações populares
estão reunidos em Salvador desde a última
sexta-feira (12).

A
principal atividade do evento é a Cúpula da
América Latina e do Caribe sobre Integração e
Desenvolvimento, que reunirá 33 chefes de Estado
entre os dias 16 e 17. Paralelamente realizou-se
a Cúpula Social do Mercosul, o Encontro Sindical
da América Latina e Caribe e a Cúpula dos Povos,
que reuniu o movimento social e sindical para
debater a situação econômica da região.
Um
dos consensos nos debates foi o de que a
integração dos países latino-americanos é peça
chave para os governos da região se esquivarem
dos efeitos da crise irradiados dos Estados
Unidos.
Como observou o governador da Bahia, Jacques
Wagner, “a queda do muro de Wall Street põe um
ponto final no neoliberalismo”. “Por isso –
salientou - precisamos levantar nossas
propostas, construir um novo caminho econômico
que seja baseado numa presença maior do Estado e
com inclusão social”, disse.
O
governador disse ser fundamental a unidade e
mobilização dos trabalhadores para fazer frente
às tentativas de cortes de direitos. “Eles
querem trazer de volta a mão-de-obra escrava”,
disse Wagner, sem citar nomes, mas numa clara
referência às declarações do presidente da Vale
do Rio Doce, Roger Agnelli, que propôs a
“flexibilização” dos direitos trabalhistas.
No
mesmo sentido, o ministro chefe da
Secretaria-Geral da Presidência da República,
Luiz Dulci, ressaltou que o governo vem
defendendo profundamente a integração da América
Latina porque não quer apenas resistir ou
mitigar os efeitos da crise: “Estamos falando em
enfrentar a crise econômica com mais Estado”,
disse o ministro. Dulci disse ainda que “a crise
gera dificuldades, mas as crises também
desconstroem obstáculos conservadores e nos
permitem avançar em determinados momentos”. Por
isso, “não basta usar o Estado para salvar os
bancos. Já tem gente no Brasil dizendo que temos
que cortar os gastos públicos, os investimentos
sociais. Muito pelo contrário, precisamos
aumentar”, destacou.
Segundo o presidente da CGTB, Antonio Neto,
“esta é uma grande oportunidade para criarmos um
novo sistema de desenvolvimento, baseado no
Estado e no mercado interno”. “Por isso,
defendemos a ampliação da diversificação de
nossas relações comerciais, principalmente com
os países da Unasul. A saída para a crise é o
nosso mercado interno. Não só o do Brasil, mas
da América Latina”, completou.
Para o presidente da CUT, Artur Henrique, “neste
momento em que as políticas de desregulamentação
financeira e auto-regulação do mercado devastam
as economias dos países capitalistas centrais e
os impactos da sua crise ameaçam contaminar o
planeta, torna-se estratégico o fortalecimento
do papel central dos Estados nacionais na
indução do desenvolvimento e na construção de
políticas de distribuição de renda e valorização
do trabalho”.
ALESSANDRO RODRIGUES |