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Muller e os seus desafios
ÉLCIO PAIOLA
Em 2004, após o encerramento
da carreira como jogador de futebol e um rápido estágio como treinador de
futebol no Ipatinga (MG), o atacante Muller tinha duas opções: continuar na
bola em funções paralelas ou exercer a vocação de pregar a palavra de Deus,
com total respaldo do pastor Alexandre Ribeiro, que comandava a igreja Porta
Aberta em Minas Gerais. “Como ele (Muller) é ungido pelo Espírito Santo,
consegue transmitir a palavra do Senhor com sabedoria e veemência”, revelou
Ribeiro, na ocasião, apostando no bom discípulo.
Muller dizia que pregava
fervorosamente o evangelho do “Deus vivo” na igreja pentecostal Porta
Aberta, de Belo Horizonte, e dava vida aos cultos com repeteco de bordões
como “aleluia, glória Deus”. Ele nasceu num berço cristão em 31 de janeiro
de 1966, em Campo Grande (MS), registrado como Luís Antônio Correia da
Costa, mas definiu pela bola como atividade principal. Foi um comentarista
diferenciado em jogos transmitidos pela TV Bandeirantes, e continuou
polêmico quando mudou para o canal Sportv.
Afeito a desafios, topou mais
um neste início de dezembro: desempenhar as funções de supervisor do Santo
André, clube com passagem efêmera no final da carreira como jogador.
Muller chegou ao “Ramalhão”
falando em disputar títulos, uma rotina nos seus tempos de atleta. Aos 16
anos de idade já jogava no Comercial de Campo Grande (MS), e dois anos
depois era lapidado no São Paulo pelo técnico Otacílio Pires de Camargo, o
Cilinho, que o lançou no time principal para atuar ao lado de Careca, Pita,
Silas e Sidney Trancinha, entre outros.
Aquele time foi campeão
paulista em 1985 e Muller se deslumbrou com fama, dinheiro e mulheres.
Abandonou o grupo de orações dos “Atletas de Cristo” e colocou um brinco na
orelha. Naquele período foi considerado o sex simbol do futebol.
Em 1987, casou-se com a
ex-chacrete Jussara Mendes. Depois, trocou o São Paulo pelo Torino, da
Itália, e lá ficou durante três anos. Na volta ao Tricolor, estava
esmerilhando. Construía e completava bem as jogadas. Teve participação
preponderante nos anos dourados do São Paulo na década de 90, período da
conquista do bicampeonato da Libertadores da América e igualmente do Mundial
Interclubes. Lembra que o gol mais bonito de sua carreira foi marcado na
final da Libertadores de 1993, na goleada por 5 a 1 sobre o Universidad
Católica do Chile.
Curioso é que em 1993 a
lucidez em campo contrastava com instabilidade fora dele. Embora estivesse
separado de Jussara havia três anos, o repentino casamento com evangélica
Miriam Rodrigues, de 17 anos, causou estranheza pela diferença de idades
entre ambos. Conclusão: o matrimônio durou dois meses.
Por sorte, Jussara o aceitou
de volta e o ajudou a se firmar como cristão. Aí, deu seqüência a fase
esplendorosa, com rodízio de clubes: Palmeiras, Santos e Cruzeiro, pela
ordem. No Corinthians a estrela que já não luziu e no Santo André apagou.
Com a curta passagem pela
Portuguesa, no segundo semestre de 2003, entrou para a história do futebol
como foi o único jogador a vestir camisas dos quatro principais clubes da
capital paulista e o Santos. O ex-meia Neto e o atacante Cláudio Cristhovam
Pinho seguiram a mesma trajetória, sem contudo jogarem na Lusa.
Muller participou de três
Copas: 1986, 90 e 94. |