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Ex-presidente da Nasdaq pego em fraude de US$ 50
bilhões
O
golpe de Madoff atraiu fundos de alguns dos principais bancos já às voltas com a
crise
que afeta especuladores do cassino de Wall Street
Bernard
L. Madoff, ex-presidente da Nasdaq e um dos “investidores” mais badalados nos
círculos financeiros de Wall Street, foi detido pelo FBI, na quinta-feira
passada, após confessar que o seu negócio era um “esquema Ponzi gigante” que
causou perdas de 50 bilhões de dólares (38 bilhões de euros) aos seus clientes.
Um esquema Ponzi é uma fraude piramidal em que a
rentabilidade que é prometida é paga com o dinheiro obtido com a entrada de
novos clientes ou pelo reinvestimento daqueles que obtiveram retorno inicial. O
nome ‘Ponzi’ é devido a Charles Ponzi criador de um esquema similar ao de Madoff,
que envolveu 40 mil pessoas e foi preso em 1920 pela polícia de Boston.
MANHATTAN
Madoff se especializou em usar artifícios parecidos com os
usados pelos bancos e agências de rating (classificação) para ganhar
cre-dibilidade, conseguindo assim ludibriar alguns dos principais bancos. Seus
escritórios ocupam o 34º andar de um edifício luxuoso em Manhattan. Informava os
clientes com relatórios regulares sobre o andamento dos ‘investimentos’ da
empresa.
Suas atividades se desenvolveram e cresceram como se
fossem fruto de uma grande capacidade financeira durante anos, sem ser
detectadas por ninguém ou fiscalizadas a fundo, até que, na semana passada, de
forma ainda não explicada, seus dois filhos, Andrew e Mark, denunciaram a
fraude. O escândalo tem aumentado na medida em que se conhecem mais informações.
Sem desdenhar da capacidade de Madoff para causar
impressão, o fato é que as vultuosas somas operadas por ele só poderiam vicejar
num ambiente de cassino como o de Wall Street, alimentado pelas trapaças pelos
monopólios financeiros com os chamados derivativos, incluindo os tais hedge
funds (seguros dos derivativos e outros títulos). Tudo “funcionando” sem nenhum
lastro na economia real, cuja explosão de bolha levou à crise em curso.
Os que tinham investimentos nos ‘fundos’ criados por Madoff
não são apenas cidadãos incautos, ainda que que alguns milionários,
desprevenidos, e funcionários da própria empresa tenham caído em seu conto de
vigário.
O desastre deixou à mostra que os aplicadores de recursos
nessas finanças intrinsecamente fraudulentas eram os grandes bancos, as grandes
multinacionais, e alguns dos grandes fundos de investimento. Ou seja, os
chamados investidores “institucionais” que em lugar de trabalhar com recursos
para a atividade produtiva, os usam para realizar operações es-peculativas.
O espanhol Santander, segundo maior banco em capitalização
bancária da Europa, que ficou com o Banespa entregue pelo então governador Mario
Covas, reconheceu que os clientes de sua operadora de hedge funds, baseada em
Geneva e com o sugestivo nome de Optimal Invest-ment Services, deve perder 2,33
bilhões de euros (US$ 3,1 bilhões).
O segundo banco da Espanha, o BBVA, admitiu, por sua vez,
uma perda líquida de 300 milhões de euros.
O britânico HSBC, número três mundial do setor em
capitalização financeira, confirmou que pode ter sofrido uma perda de um bilhão
de dólares nesta fraude gigantesca, segundo o Financial Times.
Outro britânico, o RBS (Royal Bank of Scotland), do qual o
governo britânico possui 57,9% das ações, admitiu uma perda de 400 milhões de
libras (aproximadamente 460 milhões de euros).
Na França, o Natixis, filial da Caisse d’Epargne e do
Banque Populaire, pode perder até 450 milhões de euros, enquanto a seguradora
francesa Axa avalia um prejuízo de 100 milhões de euros.
FUNDOS
O francês BNP Paribas reconheceu perdas de 350 milhões de
euros através de suas atividades de mercados e empréstimos concedidos a fundos
que investiram nos fundos especulativos de Madoff.
O principal banco italiano, o UniCredit, indicou estar
ameaçado de perder aproximadamente 75 milhões de euros. No Japão, o Nomura
Holdings reconheceu que pode ter perda de 27,5 bilhões de ienes (225 milhões de
euros).
Já os norte-americanos Bank of America, Citi-group, Merrill
Lynch e Morgan Stanley se negaram até agora a dizer se ou qual o rombo tomado em
razão do golpe.
No meio da queda da Bolsa e de mais uma cascata de
quebradeiras, a agência que supostamente regula o mercado de valores (SEC) de
Nova Iorque assegura que está tentando montar as peças do esquema, examinando a
abundante documentação que apreenderam na sede da arapuca financeira no centro
de Manhattan. Os funcionários do SEC se dizem agora surpresos com a dimensão
desta fraude, e que pretendem determinar seu alcance e esclarecer se Madoff
atuou sozinho. Mas até agora não conseguiram sequer explicar quando começou o
esquema. |