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Grécia: 2ª semana de atos e choques com a
polícia pela saída de Karamanlis
Estudantes
e trabalhadores gregos mantiveram o estado de mobilização contra o
governo pró-monopólios do primeiro-ministro Costas Karamanlis.
Na segunda-feira, 15, milhares de estudantes cercaram o
principal quartel da polícia de Atenas para protestar contra o
assassinato do jovem Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, no dia 6, em
Atenas, atingido por um policial durante ato contra o governo. Em vários
pontos do país, entre eles Salônica, Ionanina e Patras, prosseguiram as
manifestações exigindo a saída de Karamanlis.
Os jovens que cercaram o quartel da polícia atiraram trigo,
pedras e outros objetos contra a tropa de choque de policiais que têm
agredido os manifestantes. A polícia atirou gás lacrimogênio sobre os
estudantes. Os milhares de jovens que participavam do protesto
levantaram barricadas com latas de lixo, em que ateavam fogo, em uma das
avenidas centrais de Atenas.
As manifestações não cessam desde o dia 6. A Federação de
Professores (Olme) informou que mais de 600 colégios de ensino médio
permanecem ocupados há uma semana. Várias faculdades gregas também estão
ocupadas por estudantes.
Na sexta-feira, uma marcha reunindo milhares de professores
e estudantes cercou o Parlamento. Familiares de Grigoropoulos se uniram
à marcha para render homenagens ao adolescente.
No sábado, estabelecimentos comerciais - principalmente
bancos - foram atacados em diversas cidades. A sede do partido
governista - o Nova Democracia – também foi alvo de protestos.
A polícia grega anunciou que começou a faltar gás
lacrimogêneo, após cerca de cinco mil cápsulas terem sido usadas para
reprimir as manifestações na última semana. Segundo o governo grego, o
governo de Israel já foi contatado para ajudar no suprimento do
material.
Uma nova manifestação foi convocada para esta quinta-feira,
18, pela Confederação Geral de Trabalhadores, pela Federação dos
Professores e pelo Partido Comunista “contra os ataques aos direitos
trabalhistas, o aumento de impostos e os cortes nas áreas de saúde e
educação previstos na proposta de orçamento de 2009 do governo
Karamanlis”.
A dirigente do Partido Comunista da Grécia, Aleka Papariga,
condenou o que chamou de “coquetéis molotov e saques dos indivíduos
encapuzados, cujo centro de agitação está conec-tado aos serviços
secretos e centros no exterior. Não tem absolutamente nenhuma relação
com a revolta das massas de estudantes, alunos ou do povo em geral”.
“A repressão e os vândalos encapuzados estão do mesmo
lado”, acrescentou Papariga. “Apóiam-se mutuamente e seu alvo é
aterrorizar os trabalhadores e a juventude, é confrontar os
trabalhadores organizados e o movimento popular”. Para ela os confrontos
com a polícia “são explorados para distrair a atenção e desorientar as
mobilizações de massa dos jovens e do povo contra o autoritarismo a
política anti-popular”.
Nas palavras de ordem e cartazes os manifestantes que
cercaram a polícia exigiram que ela fosse desarmada e fosse retirada das
ruas e contra a crescente desigualdade social. |