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Iraquianos festejam nas
ruas sapatada em Bush
Com as duas sapatadas
desferidas pelo patriota Muntadar Al Zaidi, a encenação de Bush-Maliki foi
para o vinagre. Ou, como destacou uma das organizações integrantes da
Resistência iraquiana, foi um “referendo contra o acordo”
Manifestações em Bagdá, Najaf, Faluja,
Basra e outras cidades iraquianas comemoraram na segunda-feira dia 15 as
sapatadas do jornalista
Muntadar Al Zaidi no criminoso de guerra George W. Bush, em pleno QG da
ocupação, na Zona Verde da capital iraquiana. “Toma o beijo da despedida,
seu cachorro”, gritou Al Zaidi ao arremessar o primeiro sapato, que quase
atingiu W. Bush, que teve de dar um mergulho, para escapar. Pouco antes,
Bush havia enaltecido a escalada da invasão nos últimos meses, e dito que
sua viagem era “o beijo de despedida” ao Iraque. Nos países árabes, o
arremesso de um sapato é um dos maiores insultos que podem ser feitos.
“PELAS VIÚVAS E ÓRFÃOS”
Logo em seguida, o jornalista
arremessou seu segundo sapato, e gritou que esse era “pelas viúvas, pelos
órfãos e por aqueles que foram mortos no Iraque”. O sapato passou zunindo
pela cabeça de W. Bush - que se abaixou às pressas enquanto o
primeiro-fantoche Nuri Al Maliki tentava dar uma de zagueiro -, e ainda
pegou em cheio na bandeira dos EUA atrás deles. A motivaçã o
de Bush para ir a Bagdá era a aprovação, pelo governo e parlamento fantoche,
do acordo, ditado pelo Pentágono, que, em nome de marcar a retirada,
“autoriza” presença militar permanente dos EUA no país (um corolário da lei
de pilhagem do petróleo).
Mas, com as duas sapatadas desferidas
pelo patriota Al Zaidi, a encenação Bush-Maliki foi para o vinagre. Ou, como
destacou uma das organizações integrantes da Resistência iraquiana, foi um
“referendo contra o acordo”. O vídeo da humilhante situação de Bush se
abaixando para escapar dos sapatos correu mundo, e até virou joguinho na
internet: acerte uma sapatada nele. Poucas vezes a impotência do invasor e
seus lacaios, mesmo dentro da sua fortaleza, a Zona Verde, ficou tão
patente. Ergueram muradas e mais muradas, inúmeros postos de checagem, e
chega um patriota, com um par de sapatos, e coloca a invasão a nu. A ponto
da mídia imperial se ver obrigada a registrar que as sapatadas marcam o
melancólico fim do governo Bush.
Na manifestação na capital, um
avantajado sapato acompanhava o letreiro: “fora EUA”. Milhares de pessoas,
empunhando bandeiras iraquianas – daquelas que invasores e fantoches vivem
tentando abolir –, exigiram a retirada imediata das tropas dos EUA e a
libertação do jornalista. “Bush,
Bush,
ouça bem: dois sapatos em sua cabeça”, gritava a multidão. No mundo inteiro,
e mais ainda, entre os povos árabes e islâmicos, Al Zaidi foi acolhido como
herói. Após seu gesto, o jornalista foi agarrado e espancado ali mesmo por
agentes americanos e colaboracionistas, e retirado do local. Há notícias de
que foi levado para o campo de concentração dos EUA junto ao Aeroporto de
Bagdá. Mais de 200 advogados, inclusive o advogado-chefe de Sadam Hussein,
Khalil Al Dulaimi, já se ofereceram para defender Al Zaidi (veja matéria). O
canal de TV em que trabalha, a TV Bagdá, com sede no Egito, reiterou pedido
de sua pronta libertação e responsabilizou o regime por sua integridade
física.
E a ação de Al Zaidi vai fazendo
escola: em Najaf, um comboio militar norte-americano foi repelido a
sapatadas.
ANTONIO PIMENTA |