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Cúpula da AL:
união é essencial ao desenvolvimento e bem estar
O fim do
bloqueio a Cuba e o combate ao abuso monopolista na produção e distribuição de
alimentos estão expressos na resolução final

Os chefes de Estado de 33 países, reunidos na
Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento (CALC),
realizada em Salvador nos dias 16 e 17, aprovaram construir uma posição comum
frente à crise financeira, pedir aos EUA o fim do bloqueio a Cuba, retomar o
diálogo sobre a soberania argentina nas ilhas Malvinas, combater o abuso
monopolista na produção e distribuição de alimentos, entre outras questões.
Em entrevista coletiva, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva avaliou que a cúpula foi “extraordinária, pelo alto grau de
consciência política, pelo alto nível que se deu na reunião”. Ele destacou o
fato de que pela primeira vez - “desde que nós conquistamos a independência” –
se reuniram todos os países da América Latina e do Caribe. “O significado disso
é que todos nós, do menor país do nosso continente até o maior país, estamos
compreendendo que quanto mais nos juntarmos, mais chance nós temos de ter uma
participação nas decisões das políticas globais, de ter uma participação maior
no bolo da riqueza produzida na economia global e, ao mesmo tempo, de termos
mais chance para evitar que a crise nascida exatamente no seio dos países ricos
atinja muito fortemente os países que não provocaram a crise, que não foram
convocados para participar da suposta riqueza que criou a crise e que agora,
certamente, esses países tendem a sofrer as conseqüências de uma crise da qual
não participamos”, disse.
OBAMA
Sobre a relação com o governo Obama, Lula
afirmou que é preciso esperar “o presidente dos Estados Unidos tomar posse. Nós
temos que esperar para ver qual é a sua proposta de política para a América
Latina, qual é a política de tratamento que ele vai dar, com relação a Cuba,
qual é a política que vai dar com relação ao Oriente Médio. Porque é esse
comportamento do presidente dos Estados Unidos que vai mostrar se houve ou não
mudança na política internacional norte-americana”. E acrescentou: “Depois, nós
vamos saber o que vai acontecer com o muro do México, o muro para evitar que
mexicanos pobres vão para os Estados Unidos, porque as pessoas olhavam muito o
muro de Berlim, olhavam muito o muro de não sei onde, agora, os muros que são
construídos nas nossas casas a gente não percebe”.
Na Declaração de Salvador, os chefes de Estado
“expressaram a convicção de que a integração política, econômica, social e
cultural da América Latina e do Caribe é uma aspiração histórica de seus povos e
constitui fator necessário para avançar em direção ao desenvolvimento
sustentável e ao bem-estar social em toda a região”.
Os países latino-americanos e caribenhos
decidiram ainda “construir uma posição comum frente à crise financeira e
participar ativamente na Conferência de Alto Nível sobre a Crise Financeira, que
terá lugar no âmbito da Assembléia Geral das Nações Unidas no primeiro semestre
de 2009”. Eles defenderam “a necessidade de um amplo diálogo internacional, com
a participação ativa dos países em desenvolvimento, para a construção de uma
nova arquitetura financeira internacional”.
Foi ressaltada também a importância e a urgência
do fortalecimento dos mecanismos financeiros regionais e sub-regionais para
fomentar a integração e o desenvolvimento no momento de crise internacional.
“Somente com um sistema nosso, poderemos influir no sistema mundial”, sublinhou
o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Brasil, Argentina e México levarão para o G20
Financeiro uma proposta comum da América Latina e do Caribe, que será discutida
e aprovada em reunião no Chile, que acontecerá em16 de março do próximo ano.
Entre as propostas estarão medidas para o saneamento da “hemorragia financeira
que vive o mundo” e reformulação dos organismos financeiros internacionais,
particularmente o Banco Mundial por sua “incapacidade diante da crise”.
CUBA
Na declaração sobre o fim do bloqueio a Cuba,
os chefes de Estado afirmam que o comércio internacional “torna inaceitável a
aplicação de medidas coercitivas unilaterais que afetam o bem-estar dos povos” e
“rechaçam, da forma mais energética, a aplicação de leis e medidas contrárias ao
Direito Internacional, como a Lei Helms-Burton”.
“Eu não consigo entender a permanência do
bloqueio a Cuba”, disse o presidente Lula na coletiva. “A não ser por birra, ou
seja, eu não quero porque eu não quero e acabou. Mas não existe nenhum sentido.
Da mesma forma que eu acho que a paz em Israel vai acontecer quando tiver outros
interlocutores discutindo a paz em Israel. Ou seja, se os Estados Unidos forem
uma das razões do confronto no Oriente Médio, ele não pode ser o único
interlocutor para resolver o problema do Oriente Médio, é preciso que tenha
outras representações de outros países, que os grupos diferentes, dentro de cada
país, seja de Israel ou da Palestina, estejam representados na mesa de
negociação, senão você não encontra acordo”, completou.
“Esperamos que na nossa próxima reunião de
cúpulas irmãs, com o Grupo do Rio e a Cúpula da América Latina e Caribe,
possamos formar uma organização dos Estados Latino-americanos e do Caribe, que
nos permite ter além dos esquemas de cúpulas, uma organização com a nossa
própria regra e os nossos próprios sistemas de representação e integração”,
sublinhou o presidente mexicano, Felipe Calderón.
Os chefes de Estado sul-americanos e caribenhos
se reunirão novamente em fevereiro de 2010. |