Centrais pedem que BNDES
corte recursos do FAT para os que demitem funcionários
Em reunião com o presidente do BNDES, Luciano
Coutinho, na última quarta-feira , os dirigentes das centrais sindicais
(CUT, Força Sindical, CGTB, CTB, Nova Central e UGT), discutiram medidas que
busquem garantir a manutenção de empregos por parte das empresas que recebem
empréstimos do banco e para que se coloque um ponto final nas chantagens
utilizadas pelos empresários para arrancar benesses do Estado. A reunião,
realizada a pedido do chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República,
Luiz Dulci, é um desdobramento da Marcha realizada pelos trabalhadores no
início do mês em Brasília.
Para o presidente da CUT, Artur Henrique, o
BNDES precisa criar mecanismos efetivos para assegurar contrapartidas
sociais das empresas que se beneficiam de empréstimos subsidiados. “Todas as
medidas do governo são importantes para enfrentar este momento, mas se não
houver contrapartidas, da garantia do emprego e da manutenção dos postos de
trabalho, elas serão insuficientes, não chegarão na ponta”, destacou Artur.
“Não é possível que nós tenhamos um banco financiado em parte pelo Fundo de
Amparo ao Trabalhador e continue financiando empresas que desamparem o
trabalhador”, disse o presidente da CUT.
Segundo o presidente da CGTB, Antonio Neto, a
mineradora Vale do Rio Doce foi o principal alvo dos sindicalistas,
utilizada como exemplo para mostrar a necessidade do banco utilizar
critérios mais rígidos na hora de liberar empréstimos. “A Vale do Rio Doce
recebeu mais de R$ 4 bilhões somente este ano do BNDES, a juros subsidiados
e com recursos provenientes do FAT. Além de manipular o preço dos minérios,
a fim de obter lucro máximo, prejudicando diversos setores em nosso país,
esta empresa ameaça a sociedade com demissões em massa, seu
diretor-presidente advoga a volta da escravidão com o fim dos direitos
trabalhistas, e ainda comparece com o pires na mão pedindo dinheiro do
Estado”, afirmou Neto, destacando que “pedimos para o Luciano Coutinho o
corte dos financiamentos para esta empresa enquanto ela anão assegurar a
manutenção dos postos do trabalho. Esse é a primeira etapa, pois iremos
intensificar a campanha para que o governo, maior acionista, retome o
controle da empresas e a recoloque a serviço do povo brasileiro”.
De acordo com o representante da Força Sindical,
Sérgio Luiz Leite, o governo vem tomando uma série de medidas para estimular
o trabalhador a comprar, mas “se não houver um indicativo positivo de que
ele não será demitido, o trabalhador vai se retrair e não irá consumir”.
“Infelizmente nestas épocas de crise aparecem os oportunistas de plantão, e
esses assuntos ganham força na mídia, propondo a flexibilização dos direitos
trabalhistas”, apontou Sérgio.
Ao criticar as declarações do presidente da
Vale, Roger Agnelli, o presidente da UGT, Ricardo Patah, afirmou que é
sintomático o fato de que a mineração “foi o setor que mais recebeu dinheiro
do governo e foi o primeiro a demitir”.
Segundo o relato dos participantes da reunião,
Luciano Coutinho concordou com as reivindicações dos sindicalistas e se
comprometeu em estudar meios de estabelecer uma parceria com as centrais
para monitorar as demissões nas empresas que contratam empréstimos do BNDES
e para criar estímulos e diferenciações às empresas que se comprometam em
manter ou ampliar os postos de trabalho.
ALESSANDRO
RODRIGUES