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Motoristas e moradores protestam no 1º dia de pedágio no Rodoanel
Os
manifestantes carregavam faixas com inscrições como: “Presente do
governador José Serra ao povo paulistano é pedágio”
Teve início
nesta quarta-feira (17) a cobrança de pedágio em 13 praças instaladas no
trecho oeste do Rodoanel, que liga às rodovias dos Beandeirantes,
Anhanguera, Castelo Branco, Raposo Tavares e Régis Bittencourt.
Com o
pedágio, os motoristas de veículos de passeio e caminhões deverão pagar
uma tarifa de R$ 1,20 ao passar por uma das praças na extensão dos 32 km
do trecho, que cruza a capital e os municípios de Carapicuíba, Cotia,
Embu, Osasco e Barueri.
No primeiro
dia de cobrança, motoristas e moradores da região realizaram
manifestações contra a tarifa e denunciaram o transtorno que ocorrerá
nas vias alternativas ao pedágio. Os atos foram realizados na entrada da
rodovia Raposo Tavares e no Trevo da Padroeira, entre as regiões de
Carapicuíba e Osasco, e também na Avenida Paulista. “No primeiro
momento, queremos alertar a população de que o pedágio é ruim para as
pessoas”, afirmou Valdir Fernandes, que coordena o Movimento Rodoanel
Livre. Durante o ato, os manifestantes carregaram faixas, sendo uma
delas com a inscrição ‘Presente do governador Serra ao povo paulista:
pedágios’.
Moradores
dos bairros de Perus (zona norte) e Butantã (zona sul) também
denunciaram o prejuízo que o pedágio causará nessas áreas. Em Perus,
moradores disseram que já existe uma rota alternativa que passa pela
Avenida Raimundo Pereira de Magalhães. De acordo com o líder comunitário
Cláudio Messias, “o pedágio na saída do Rodoanel fará aumentar o tráfego
pela Raimundo e por dentro do bairro, que hoje você já leva 40 minutos
para atravessar nos horários de pico. Ganharemos de Natal um verdadeiro
presente de grego”. Para o funcionário público Sérgio Lopes de Oliveira,
“na Avenida Silvio de Campos, todo dia a situação é triste quando quebra
caminhão. Somado a quem vai desviar do pedágio, será uma calamidade”.
De acordo
com lideranças comunitárias do bairro do Butantã, o tráfego voltará a
atingir a área da Rua Alvarenga. “Estamos muito preocupados porque, com
o pedágio, o Rodoanel deixa de ter a função que deveria, que é aliviar o
tráfego dentro da cidade de São Paulo”, disse Carlos Wang, presidente da
Sociedade Amigos do Butantã. Segundo ele, se aumentar o volume de
caminhões na área os moradores irão entrar com uma ação civil no
Ministério Público. Na quarta-feira (17), o deputado estadual Carlos
Gianazzi (PSOL) protocolou uma representação contra os pedágios no
Ministério Público.
O trecho oeste do Rodoanel foi entregue pelo Governo de São Paulo à
CCR - Companhia de Concessões Rodoviárias - em leilão feito em março
deste ano, por um período de 30 anos, e a previsão da empresa é uma
arrecadação de R$ 200 mil por dia. A CCR, que no terceiro trimestre
deste ano obteve um lucro líquido de R$ 219,6 milhões, controla algumas
das principais rodovias do país (Ponte Rio-Niterói/RJ, NovaDutra-SP/RJ,
ViaLagos-RJ, RodoNorte-PR, AutoBAn-SP e ViaOeste-SP). Além disso, a
Companhia liderou o consórcio responsável pela construção e
administração da Linha 4 do Metrô, que causou a morte de 7 pessoas com o
desabamento da obra. |