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Encontro Sindical da América Latina e Caribe:
Estado
tem papel estratégico na defesa do emprego e dos
direitos
“Reivindicamos que os Estados assumam seu papel
condutor, não de salvação do capital financeiro
especulativo, e sim desenvolvendo investimentos
em áreas produtivas, sociais e serviços
públicos”, afirma a Carta de Salvador
O Encontro Sindical da América Latina e Caribe/VII Cúpula
Sindical do Mercosul, realizado no auditório da
reitoria da Universidade Federal da Bahia
(UFBA), em Salvador, segunda-feira (15), saudou
a realização da 1ª Cúpula de Presidentes da
América Latina e do Caribe sobre Integração e
Desenvolvimento, sublinhando que “é fundamental
a união e integração de nossos países, para
impedir que nossa região seja penalizada por uma
crise gerada pela administração Bush e que,
rapidamente, tomou uma dimensão global”.
“Reivindicamos que os Estados assumam seu papel condutor,
não de salvação do capital financeiro
especulativo, e sim desenvolvendo investimentos
em áreas produtivas, sociais e serviços
públicos. Defendemos que os governos assumam a
necessidade de estabelecer fortes medidas de
proteção social como base das decisões que
tenham que adotar. Defendemos o papel
estratégico das empresas estatais em todos os
países, e manteremos nossa luta contra a
privatização dos serviços públicos”, sublinha a
Carta de Salvador. Aprovada por aclamação ao
final do evento, a Carta enfatiza a necessidade
de medidas afirmativas dos Estados nacionais
“para defender os empregos, os salários e os
direitos trabalhistas e previdenciários”.
Subscrita pelas centrais sindicais brasileiras e
internacionais, a Carta destaca que “a recente
crise do capitalismo é o resultado das políticas
de liberalização financeira e comercial impostas
a todos os governos nas últimas décadas do
século XX”. “As políticas de desregulamentação e
da auto-regulação do mercado estão na base da
crise financeira atual. Uma política que
resultou em um processo de financeirização sem
limites, que já causou a perda de muitos
trilhões de dólares e vem provocando fechamento
de empresas, redução da produção, comércio e
investimentos, e vem provocando milhões de
demissões em várias regiões do planeta, e que
poderá gerar, segundo os cálculos da OIT, cerca
de 20 milhões de desempregados em todo o mundo”,
alerta o documento.
Em profunda sintonia e unidade, os sindicalistas defenderam
a ampliação das políticas de geração de emprego,
reivindicaram investimentos na reforma agrária e
na implementação de programas especiais de
geração de emprego e renda na agricultura, a
partir do fortalecimento da agricultura familiar
e garantia de crédito e preços mínimos e a
participação dos representantes dos
trabalhadores na construção das saídas para a
crise, com a implementação de mecanismos
concretos que viabilizem esta participação em
nível latino-americano e caribenho.
Coroando o intenso processo de debates, foi realizada uma
marcha pela integração soberana da América
Latina e Caribe da praça do Campo Grande até o
Pelourinho, onde milhares de manifestantes
levantaram vozes e bandeiras em defesa do
patrimônio público, do salário, do emprego e dos
direitos, contra o imperialismo e os leilões de
petróleo, pela democratização dos meios de
comunicação e pelo desenvolvimento com
valorização do trabalho e distribuição de renda. |