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Israel expulsa
comissário de Direitos Humanos da ONU
O governo israelense proibiu, na segunda-feira 15, a
entrada no país de Richard Falk, o relator especial da ONU para a Situação
dos Direitos Humanos nos Territórios Palestinos Ocupados. Falk ainda ficou
detido por mais de 20 horas no aeroporto internacional de Tel-Aviv antes de
ser colocado em um avião de volta aos EUA. Ele foi separado do restante da
equipe da ONU que o acompanhava, seu telefone celular foi confiscado e foi
impedido de contatar a entidade internacional até que já tivesse sido
deportado.
A Comissão de Direitos Humanos classificou o episódio com
“lamentável e nunca antes visto na história da ONU”.
“É responsabilidade dos Estados cooperarem com os
funcionários apontados pela Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas”,
afirmou a alta comissária da ONU para o assunto, Navi Pillay.
POPULAÇÃO
Richard Falk declarou na semana anterior ao episódio que a
ONU “deveria se responsabilizar pela proteção da população civil palestina
que está sendo coletivamente punida por políticas que são crimes contra a
Humanidade”.
Após a deportação, Falk, norte-americano judeu, professor
emérito de Legislação Internacional da Universidade de Princeton, comparou
sua expulsão do país com o que ocorria no apartheid sul-africano e criticou
o bloqueio que o governo israelense promove ao redor de Gaza.
“Israel mantém Gaza sob um feroz bloqueio, mal permitindo a
entrada de combustível e comida para a doente e faminta população”,
denunciou.
No dia 3 de outubro, Falk emitiu um informe sobre a
agressão a jornalistas nos territórios palestinos com ênfase nos maus tratos
recebidos pelo jornalista palestino, Mohammed Omer. O jornalista foi detido
ao voltar para sua residência na Palestina após receber premiação na
Inglaterra por sua reportagem sobre Gaza. Os premiadores do Martha Gelhorn
Prize destacaram sua “coragem e habilidade em reportar situação em zona de
guerra”.
Soldados da ocupação quiseram roubar o dinheiro da
premiação. No momento em que retornava Omer foi submetido a interrogatório e
agredido a pontapés e murros até ficar inconsciente.
Falk declarou que a agressão foi levada a cabo pelo pessoal
do serviço secreto local israelense (o Shin Bet, já que para ações além de
suas fronteiras o regime de apartheid de Israel usa o famigerado Mossad).
“Os agressores tinham clara consciência do prêmio que Omer
acabara de receber no exterior e estavam tentando confiscá-lo e foram
frustrados porque o mesmo se encontrava depositado em conta bancária e não
disponível no momento da agresão”, denunciou em seu informe entregue antes
da 63ª Assembléia Geral da ONU, o relator Falk, que prosseguiu: “A agressão
foi orquestrada. Não foi um simples incidente ou anomalia envolvendo pessoal
de segurança de Israel”.
“O tratamento a Omer – violando as
Convenções de Genebra - foi claramente motivado pela raiva de Israel pelo
reconhecimento internacional do trabalho deste jornalista descrevendo a
ocupação em Gaza e sua disposição de repetir a descrição dos fatos no
exterior”, finalizou então Falk. |