|
Manifestações em todo o
Iraque exigem a liberdade de Al-Zaidi
Os protestos com
sapatos, que ocorreram na segunda-feira em Bagdá, Kirkuk e Basra, se
estenderam na terça-feira a Mossul, Nassiria, Hila e Tikrit, entre outras
cidadess, exigindo a liberdade para o jornalista Mutandar Al-Zaidi e o fim
da ocupação
Prosseguem
por todo o Iraque as manifestações contra a ocupação e pela libertação do
jornalista Muntadar Al Zaidi, que lavou a alma do povo iraquiano ao atirar
dois sapatos contra o “cachorro Bush”. Estudantes da Universidade de Faluja
expulsaram a sapatadas na terça-feira um contingente de marines que
resolvera dar as caras por lá, supostamente para uma “conversa com o
reitor”. Na véspera, em Najaf, a população também havia apelado para os
sapatos ao botar para correr um comboio militar ianque.
As manifestações com sapatos, que
ocorreram na segunda-feira em Bagdá, Kirkuk e Basra, se estenderam na
terça-feira a Mossul, Nassiria, Hila e Tikrit, entre outras cidades. Em
Mossul, a maior cidade do norte, e a terceira maior do país, centenas de
estudantes se concentraram diante da universidade com bandeiras e faixas,
chamando Munt adar
de herói nacional e exigindo sua imediata libertação. Em Nassiria, capital
da província de Dhi Qar, no sul, manifestantes, a maioria da tribo Zaidia, à
qual o jornalista pertence, tomaram o centro para reivindicar sua
libertação.
Além de funcionarem como um verdadeiro
“referendo” contra o tratado Bush-fantoches de permanência da ocupação, as
sapatadas serviram para fazer reaparecer a guerra do Iraque, que vinha sendo
mantida no congelador pela mídia nos meses que antecederam a eleição nos
EUA, a pretexto de “o sucesso da escalada” em Bagdá.
O episódio da expulsão dos marines da
universidade de Faluja é particularmente significativo, pois a cidade é um
dos maiores símbolos da resistência à invasão; durante boa parte de 2004
esteve praticamente liberada e ela só foi reocupada após bombardeios que
quase a reduziram a escombros. Desde então, foi transformada em um campo de
concentração, embora as ações da guerri lha
jamais tenham cessado.
“Estamos aqui para apoiar Muntadar Al Zaidi. Ele agiu em nome dos
iraquianos”’, relatou à agência France Presse o estudante Ahmed Ismail, um
dos participantes do ato pela libertação do jornalista e pela retirada dos
invasores. Quando os marines apareceram, foram recepcio-nados a pedradas e
sapatos e acabaram expulsos, após darem tiros e ferirem um estudante no
joelho. Como sempre, o Pentágono disse que não sabe de onde veio o tiro, e
que os marines nem atiraram.
As sapatadas também estão fazendo
sucesso nos EUA. A organização de mulheres anti-guerra “Code Pink” organizou
uma manifestação nas imediações da Casa Branca na quarta-feira, em que um
“Bush” trajado de presidiário recebia sapatadas. “Esse é o beijo de adeus do
povo da América”, gritaram os manifestantes. A diretora da Code, Mede
Benjamin, afirmou que a manifestação era em solidariedade a Muntadar. “É
ultrajante que Al Zaidi possa pegar dois anos de prisão por insultar George
Bush, quando Bush é diretamente responsável pelas mortes de 1,5 milhão de
iraquianos e 4200 soldados dos EUA, e cinco milhões de refugiados
iraquianos”, acrescentou. “Quem deveria estar na cadeia é George Bush, e ele
deveria ser julgado por crimes de guerra”.
ANTONIO PIMENTA |