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Comissário da ONU compara cerco a Gaza ao
gueto de Varsóvia
O relator especial da ONU para os Direitos
Humanos nos Territórios Palestinos Ocupados, o norte-americano judeu, Richard
Falk, classificou como “macabro” o cerco israelense a Faixa de Gaza, que já dura
mais de um ano e impede a entrada de alimentos, remédios e combustíveis para
toda a população da região.
“Eu nunca conheci nada que se assemelhe a essa situação. As pessoas estão se
referindo ao gueto de Varsóvia como a analogia mais próxima nos tempos
modernos”, descreveu o professor de direito da Universidade de Princeton, em
referência ao genocídio em que centenas de milhares de judeus foram confinados e
depois exterminados pelos nazistas.
A declaração foi feita dias antes de Falk ser preso no aeroporto de Tel Aviv e
ser enviado de volta aos EUA, tendo impedida sua entrada no país como
representante das Nações Unidas.
“Não há precedentes de uma ocupação que tenha durado tantas décadas e tenha
envolvido este tipo de circunstâncias opressivas”, acrescentou Falk.
“A magnitude, o propósito, as violações das leis humanitárias internacionais, os
impactos no sistema de saúde e as condições gerais da região caracterizam um
crime contra a humanidade. As autoridades civis e militares de Israel são os
responsáveis e devem responder por isso”, disse o representante da ONU.
No sábado, 21, um navio árabe conseguiu furar o bloqueio e aportar em Gaza
levando mantimentos para a população. O navio, que saiu do Qatar, levava a bordo
uma delegação de juristas internacionais, repórteres, médicos e toneladas de
suprimentos hospitalares.
Desde agosto, apenas cinco navios conseguiram atravessar o cerco israelense e
levar ajuda aos palestinos. No início do mês, um navio que vinha da Líbia com
três mil toneladas de mantimentos foi obrigado a retornar pela marinha
israelense.
Um navio libanês também está se preparando para levar mantimentos para a
população de Gaza. |