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Espírito natalino da Exxon faz ‘Veja’ pedir
a invasão de Darfur
Doublé de boletim do Pentágono e de porta-recados das
viúvas do apartheid, a “Veja” tentou, em sua última edição, manipular o
sentimento cristão e o Natal para fazer apologia da invasão de Darfur,
província sudanesa sobre a qual se esqueceu de dizer que tem vastas jazidas
de petróleo e gás, urânio de altíssima qualidade e cobre. Também deixou de
registrar que, do outro lado da fronteira, no vizinho Chade, quem extrai o
petróleo é o humanitário consórcio Exxon-Chevron, que inclusive construiu um
oleoduto de quase US$ 4 bilhões desde o Golfo da Nigéria (Camarões) até lá.
Pelos planos dos EUA, 25% do seu petróleo deverá vir da “Africa Subsaariana”
até 2015, sob a guarda do Africom.
Haja farisaísmo. Matéria de capa e 18 páginas, em pleno
Natal, incluindo comparação com a fuga de Maria e do Menino Jesus para o
Egito, e citação de Caravaggio. Parolagem de falsários. Como se Cristo e a
sacra família não fossem nascidos em um país ocupado pelos romanos, pelo
império da época. E como se só pudesse haver humanidade nos cristãos, não
nos muçulmanos. Também racismo: os negros muçulmanos de Darfur – que são
todos - foram travestidos de “negros” versus “árabes”.
Aliás, o “conflito em Darfur” começou em 2003, mesmo ano em
que entrou em operação o oleoduto da Exxon-Chevron no vizinho Chade. Além de
muçulmano, o governo sudanês teve outro “problema” insuperável para certo
tipo de gente. Preferiu, ao invés de Exxon e Chevron, assinar vantajoso
acordo com estatal chinesa que possibilitou construção de refinaria e
desenvolvimento da infra-estrutura do país. Em 2003, ano, o governo de
Cartum estava justamente concluindo um acordo com rebeldes do sul, para
divisão da riqueza do petróleo e maior autonomia.
O sofrimento que há em Darfur, é fruto exatamente dessa
cobiça do cartel petroleiro (Não foi o que eles fizeram por aqui, na Guerra
do Chaco?). No Iraque, assassinaram 1,5 milhão e tornaram 4 milhões em
refugiados. Sangue por petróleo. As raízes do afligimento que atinge o
continente africano – e não apenas Darfur e o Sudão – são a escravidão, a
espoliação colonial e depois o assalto neoliberal.
Quanto ao número de mortos em Darfur, até 2007 era
“estimado” pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 200 mil em cinco anos,
incluindo mortes por combates, por desnutrição, doenças e a seca. Esse
número foi aumentado em 50% em um só dia, pelo subsecretário-geral de ajuda
humanitária John Holmes, que explicou que o novo cálculo “não estava baseado
em um estudo”. “Não estou tentando sugerir que este [300 mil] é um número
com base científica”, disse Holmes cinicamente. Esse é, também, o “número”
da “Veja”. |