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Cabral condena indisciplina na PM e nomeia novo comandante-geral
“Não existe nenhuma intranqüilidade nos
quartéis. Todos os comandos intermediários e de unidades sabem da sua
responsabilidade. A PM está baseada em seus dois pilares: hierarquia e
disciplina. É óbvio que a toda mudança há uma expectativa. Mas, não toleraremos
nenhum desvio referentes aos dois pilares. Não será um grupo de policiais
militares que desestabilizará a corporação, composta por mais de 39 mil
policiais. Quanto às mudanças, elas serão divulgadas no momento oportuno”,
afirmou o novo comandante-geral da PM do Rio de Janeiro, coronel Gilson Pitta
Lopes, ao tomar posse na última quarta-feira.
Pitta assumiu o posto no lugar do
ex-comandante-geral, coronel Ubiratan de Oliveira Ângelo, exonerado na
terça-feira por não ter punido oito oficiais que participaram de uma
manifestação por salários juntamente com 500 policiais e bombeiros nas
imediações da casa do governador Sérgio Cabral, no Leblon, na Zona Sul do Rio. O
protesto foi considerado como “insubordinação” pelo secretário de Segurança
Pública do Estado, José Mariano Beltrame e pelo governador Sérgio Cabral.
A crise na Polícia Militar do Rio de Janeiro
piorou na quarta-feira quando 43 oficiais – 17 deles seriam comandantes de
batalhões - entregaram um pedido de demissão coletiva em protesto pela demissão
de Ubiratan. O governo não recuou. O governador Sérgio Cabral reagiu afirmando
que “a PM (do Rio) é composta por valorosos combatentes. A disciplina é
fundamental e a situação vai se normalizar rapidamente”.
Sobre o pedido de exoneração do secretário de
Segurança feito pelos oficiais da PM, o governador disse que “nunca, na história
do Rio, a área de Segurança teve tanto apoio de um governador como recebe hoje.
A Segurança tem total autonomia, apoio e entusiasmo. O secretário Beltrame tem
feito um trabalho extraordinário e eu não tenho a menor dúvida de que a PM, que
tem como princípio a hierarquia e a ordem, não vai faltar. A população pode ter
tranqüilidade no Carnaval”. “É um movimento isolado, tolo, que não tem
cabimento. Essa meia-dúzia quer confronto, balbúrdia e desordem na PM e não vai
conseguir”, disse. Sérgio Cabral comentou ainda a reclamação pelos baixos
salários da PM: “Existiu um esforço para pagar no primeiro ano o reajuste de
profissionais de segurança, mas ainda está longe do ideal”.
Os problemas na PM do Rio começaram a se acirrar
quando, em seu blog na internet, o corregedor interno da corporação, coronel
Ricardo Paul, postou um texto justificando crimes de corrupção de policiais por
causa dos baixos salários. Isso foi apontado como um aval para arbitrariedades
policiais. O coronel Ricardo Paul foi afastado do cargo. Ele fez esse comentário
após o caso dos quatro policiais flagrados saqueando um caminhão de cerveja na
Zona Norte do Rio, no último dia 18, fato que indignou a população e o governo.
Os envolvidos foram presos administrativamente por 72 horas e liberados.
Vários atos de indisciplina se seguiram,
culminando com a passeata. Ao exonerar o comandante Ubiratan Ângelo, Beltrame
denunciou o coronel por “não ter tomado as rédeas” da manifestação do fim de
semana. “Entendo que o problema do salário é grave. A PM do Rio tem o segundo
pior salário do Brasil. Não temos nada contra a reivindicação, e sim, contra o
tom das manifestações. A corporação sabe o esforço que venho fazendo. Não vou
permitir que um grupo de pessoas intervenha em um trabalho sério”, afirmou
Beltrame.
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