PT e partidos aliados rechaçam acordo de Aécio e Pimentel em BH
Em entrevista ao HP, o ex-deputado e atual
delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário em Minas Gerais, Rogério
Correia (PT), condenou as movimentações do prefeito de Belo Horizonte, Fernando
Pimentel (PT), de fazer uma aliança com o tucano Aécio Neves em torno de um nome
comum para disputar a eleição para a prefeitura da capital. “Nós não queremos
que Belo Horizonte seja cobaia de uma união que não vai resistir, inclusive
nacionalmente. Em 2010, a contradição será a mesma, entre PT e PSDB. Essa
aliança é muito estranha ao nosso objetivo. É uma aliança que gira em torno de
dois projetos individuais e não com compromissos partidários e ideológicos”,
ressaltou Rogério, que busca a indicação para ser candidato a prefeito.
O petista participou de uma reunião na última
segunda-feira com outros sete pré-candidatos de partidos que integram a base de
sustentação do governo Lula. Além de discutir um projeto de aliança no primeiro
ou segundo turno, PMDB, PT, PCdoB e PV unificaram o discurso para se opor aos
intentos de Pimentel e Aécio. Correia explicou que estes partidos estão
“procurando estabelecer uma aliança programática e ao mesmo tempo um pacto para
tentarmos uma unidade ou uma campanha positiva”. “Também buscamos mostrar uma
insatisfação de todos os partidos da base do governo Lula com essa proposta de
aliança que o governador e o prefeito têm acenado entre PT e PSDB, uma aliança
estranha ao nosso ideário”.
Entretanto, não foi só o namoro entre Pimentel e
Aécio que causou indignação na base petista e nos partidos aliados do governo
Lula. As suas últimas declarações de que “os dois partidos que têm mais
capacidade de gerir um projeto nacional são o PSDB e o PT”, que ambos têm o
mesmo “ideário e origem” e que devem “estar juntos” foram consideradas um
desrespeito à história e à trajetória de muitas lideranças mineiras que
construíram e fortaleceram o PT, lutando contra os desmandos do PSDB no Estado e
no país.
Sobre essa questão, Rogério Correia foi
enfático: “São partidos adversários ideologicamente. O PSDB é o partido do
neoliberalismo, da ausência do Estado, da destruição dos serviços públicos, das
privatizações. É o partido do Estado mínimo. O PT é um partido socialista.
Defendemos o fortalecimento do Estado, a divisão social das riquezas, a reforma
agrária, a reforma urbana, etc. Portanto, do ponto de vista ideológico somos
muito diferentes e, do ponto de vista político, nem se fala. O PT é o partido da
participação popular, da representação dos trabalhadores e do povo e o PSDB é o
representante das elites brasileiras”.
“Essa idéia do prefeito, que eu respeito muito,
é meu amigo, não tem guarida dentro do Partido dos Trabalhadores, já foi
rejeitada por diversas vezes”, disse Correia, ressaltando que “o último encontro
do PT em Minas tirou um posicionamento muito claro de oposição ao governo Aécio.
O PT aprovou uma postura de oposição sem nenhum voto contrário e sem ninguém
defender uma aliança com o governo Aécio. Pelo contrário, foi um posicionamento
geral de oposição no partido”.
Porém, nem a revolta provocada dentro do partido
embaraçou Pimentel, que seguiu buscando apoio às suas pretensões. Isso ocorreu
na terça-feira, quando foi até Brasília para tentar convencer o ministro Patrus
Ananias de que PT e PSDB são a mesma coisa. Segundo informações publicadas na
imprensa mineira, Patrus mais ouviu do que falou e a conversa serviu mais para
Pimentel tentar reverter o clima pesado que suas declarações geraram. O ministro
enumerou uma série de pontos que deveriam ser levados em conta para que uma
proposta desta não vingasse.
No momento, as movimentações internas no PT
estão sendo feitas para fortalecer o campo que busca a candidatura própria e que
tenta impedir que o prefeito, como algumas lideranças consideraram, “manche a
história do partido” que teve a tarefa de reconstruir o país destruído pelos
tucanos. Os petistas querem evitar também que o diretório estadual ou nacional
seja obrigado a intervir caso a aliança seja efetuada, fato que geraria
prejuízos eleitorais para uma candidatura petista, situação embaraçosa
ocasionada por essa ação de Pimentel.
ALESSANDRO
RODRIGUES