Manifestação exige justiça para os assassinos dos fiscais de Unaí
Uma
manifestação realizada segunda-feira (28) em frente ao Tribunal Regional Federal
(TRF) da 1ª Região, em Brasília, lembrou os quatro anos da chacina de Unaí-MG,
quando os auditores fiscais João Batista Soares Lage, 50 anos, Eratóstenes de
Almeida Gonçalves, 42 anos, e Nelson José da Silva, 52 anos, além do motorista
Ailton Pereira de Oliveira, 51 anos, foram executados a tiros por pistoleiros.
Eles participavam de uma fiscalização em fazendas de feijão no município.
O TRF foi
escolhido como local de protesto pelos familiares e lideranças dos movimentos
sociais por ser onde o processo que apura as responsabilidades pelos crimes está
parado há quase três anos, aguardando decisão sobre recursos apresentados pelos
réus.
Vestindo preto
e erguendo faixas com pedidos de justiça, os manifestantes denunciaram a
covardia do crime, e lembrou que o grupo inspecionava fazendas da região para
evitar exploração de trabalhadores. Dos nove denunciados pelo Ministério Público
após o fim do inquérito conduzido pela Polícia Federal, quatro estão em
liberdade sem que nenhum dos nove acusados tenha sido sequer julgado.
Para a
presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait),
Rosa Maria Campos Jorge, “isso gera um clima de insegurança entre os auditores
fiscais do trabalho e estimula a continuidade de ameaças contra esses
servidores”.
Há pelo menos
seis recursos na gaveta do TRF emperrando o desenrolar do caso que, apesar da
gravidade, continua sem solução. “Uma das viúvas está com depressão e nem
comparece mais aos atos. O que está prevalecendo para elas é a idéia de que o
Estado não se importou com seus maridos, que estavam ali trabalhando e perderam
a vida em razão da sua profissão. Então fica aquele ambiente de desesperança, de
descrédito”, revelou Rosa.
Segundo Marco
Antônio de Jesus, presidente da CUT-MG, “a impunidade põe em risco a vida dos
auditores fiscais e acaba sendo um incentivo a outros fazendeiros para
continuarem suas práticas de exploração de trabalhadores, sujeitando-os a
condições análogas a de escravos”.
Na avaliação
do procurador regional da República, Carlos Vilhena, a demora do TRF é
‘’injustificada’’.
A pedido do
Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (SINAIT), o ministro também
assinou um abaixo-assinado pedindo a punição dos envolvidos na chacina. O
inquérito na Justiça afirma que a motivação do crime foi o incômodo provocado
pelas insistentes multas impostas pelos auditores. Nelson José da Silva seria o
alvo principal, tendo aplicado cerca de R$ 2 milhões em infrações à fazenda de
Antério e Norberto Mânica por descumprimento de leis trabalhistas.
Todos os
indiciados irão ao Tribunal do Júri, em Belo Horizonte. A exceção é o tucano
Antério Mânica, que, por ser prefeito de Unaí, tem foro privilegiado.