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Alguns episódios da carreira do
desembargador Lippmann (III)
Mais uma triste história
sobre a trajetória do juiz Edgar Lippmann está sendo divulgada no Paraná,
desta vez no blog Boca Maldita. Segundo reportagem, o juiz que censurou a
participação do governador Roberto Requião na TV Pública do Paraná, decretou
a prisão ilegal de um presidente de sindicato em 1989, Dilto Vitorassi,
durante mobilização e greve dos motoristas e cobradores de ônibus em Foz do
Iguaçu, alegando crime contra a organização do trabalho.
O fato, inédito após o retorno
do país à democracia, causou revolta entre os trabalhadores e vários setores
da sociedade, estando o presidente do sindicato com plenos poderes para
negociar as reivindicações da categoria com os patrões.
Na época das intensas
mobilizações, acabou ocorrendo a morte de um jovem trabalhador, José Mauro
Ferreira, assassinado por uma milícia armada da maior empresa de transporte
coletivo de Foz do Iguaçu, após um piquete e os protestos contra a prisão do
líder sindical que tomaram conta da cidade.
Segundo a matéria, o advogado
do sindicato foi ao juiz federal pedir a revogação da prisão, alegando “a
ilegalidade do ato e a intervenção indevida da Justiça Federal num conflito
trabalhista em favor de um dos lados, o lado mais forte, dos empresários,
desequilibrando artificialmente a disputa”. Edgar Lippmann Júnior não cedeu.
O advogado também alertou o juiz para “as possíveis conseqüências de
radicalização e descontrole do movimento grevista em razão da prisão do
principal líder do sindicato”, o que infelizmente acabou se confirmando com
o assassinato do trabalhador.
O juiz não soltou o presidente
do sindicato nem após o triste desfecho, permitindo apenas que ele
comparecesse ao enterro do companheiro, por insistentes pedidos do advogado.
Depois do sepultamento deveria retornar à prisão.
A reportagem conta que o
enterro de Zé Mauro reuniu milhares de pessoas, numa passeata “silenciosa,
triste, indignada”. O Bispo Dom Olívio Fazza abriu a Catedral da cidade
para a multidão acompanhar o ofício do morto. “Um momento marcante na
história de Foz do Iguaçu”. Seguindo para o Tribunal Regional Federal, em
Porto Alegre, o advogado conseguiu, “sem dificuldade, mediante hábeas
corpus, a imediata anulação da prisão ilegal e a soltura do dirigente
sindical”. |