|
65 anos da vitória soviética que
decidiu a 2º Guerra:
Stalingrado: “Aqui se cortou o nó
que apertou a garganta da história”
Resgata Pablo Neruda no seu “Terceiro Canto
de Amor a Stalingrado” que reproduzimos abaixo em homenagem à heróica Batalha que, sob o comando de Stálin, se eternizou como umas das maiores demonstrações de amor e coragem da Humanidade, marco da batida em retirada das tropas nazistas, da libertação dos países ocupados e do cerco final sobre Hitler
No
dia 2 de fevereiro de 1943, há 65 anos, a Humanidade conquistava sua mais
decisiva e mais heróica vitória contra a barbárie. Depois de 6 meses de batalha,
casa por casa, rua por rua, cômodo por cômodo (soldados alemães relataram como,
frequentemente, depois de ocupar a cozinha de uma casa, eram repelidos na sala
ou em algum quarto), os últimos soldados nazistas rendiam-se em Stalingrado.
Até hoje, nunca houve
uma batalha em que a determinação, a consciência e o sentimento coletivo humanos
prevalecessem de forma tão nítida e tão extrema. Pouco antes do início da
batalha, o Comandante Supremo, José Stalin, havia lançado a Ordem de Batalha nº
227. Nela, fazia o balanço da guerra até então e concluía que era chegada a hora
de não mais recuar. Não somente era chegada a hora, mas esse era o único meio de
derrotar o nazismo. Daí a síntese de Stalin, nessa ordem de batalha - “Nem um
passo atrás!”. Stalingrado seria a realização imensa e luminosa dessa
determinação, onde soldados e civis, em massa, recusavam-se, polegada por
polegada, a ceder terreno ao inimigo. Na passagem do ano, Stalin dirigiu-se aos
homens, mulheres e crianças – sim, até as crianças lutaram em Stalingrado – que
se batiam na cidade às margens do Volga. Falou que apenas tinha uma coisa para
dizer: “morte ao invasor alemão”, e encerrou o discurso. Ilya Ehremburg
descreve, no livro que tem como título a frase de Stalin, como aqueles
combatentes receberam emocionados a palavra de seu comandante, mais eloqüente do
que se tivesse dito milhões de palavras.
A batalha de
Stalingrado decidiu a II Guerra Mundial. Depois dela, os nazistas viram-se
reduzidos, pela primeira vez e definitivamente, à defensiva - até o momento
final, a tomada de Berlim pelo Exército Vermelho, onde as primeiras tropas que
entraram na cidade eram as da unidade que combatera dentro de Stalingrado do
início ao fim da batalha, o 62º exército soviético.
Em meio ao combate da
URSS contra o nazismo, o ex-embaixador dos EUA em Moscou, Joseph Davies,
explicou ao povo norte-americano, prenhe de admiração pelo soviéticos, porque,
apesar da ferocidade da guerra, não havia, ao contrário de outros países, uma
quinta-coluna de Hitler naquele país: os soviéticos, disse Davies, eliminaram a
quinta-coluna antes que a guerra começasse. Realmente, se não fosse o
desmascaramento, julgamento e condenação dos que, em especial nas forças
armadas, ensaiavam o papel de Petain, Laval ou Quisling em versão russa, teria
sido impossível a vitória na guerra, sobretudo em seu momento decisivo –
Stalingrado.
Para vencer a
sanguinária, criminosa e insana máquina de guerra e extermínio nazista era
necessário que cada ser humano em combate se identificasse com seus próximos, a
ponto de ver neles a continuação de sua própria vida. Para isso foi necessário
combater e vencer a quinta-coluna de sabotadores, derrotistas e
capitulacionistas, sobretudo dentro do comando do Exército Vermelho. Sem essa
vitória anterior, seria vão esperar a vitória contra a invasão nazista.
Em homenagem a este
momento solar da História, publicamos hoje alguns versos de dois poetas maiores
da Humanidade. Continuaremos na próxima edição, leitor.
C.L. |