Reflexões de Fidel Castro sobre o encontro com Lula

Os artigos de Fidel foram publicados no “Granma” após seu recente encontro com o presidente Lula, realizado na cidade de Havana no dia 15 de janeiro

Em quatro artigos publicados no “Granma” (dias 24, 25, 26 de janeiro e 1º de fevereiro), que condensamos nesta página, nosso estimado camarada Fidel Castro descreve, com comovente entusiasmo, o recente encontro mantido com o presidente Lula e as perspectivas de aprofundamento da unidade entre os povos de Cuba, do Brasil e de toda a América Latina.
Observações lúcidas, reflexões profundas e ensinamentos indispensáveis não são surpresa nos artigos e pronunciamentos de Fidel, e marcam sua viva presença nesse texto.
Porém, é forçoso reconhecer que certas considerações fundamentalmente injustas emitidas e transcritas na íntegra, a respeito de nosso também estimado camarada Stalin, não fazem jus a essa tradição.
O camarada Fidel, homem culto e estudioso, nos perdoe a ousadia, precisa ler e, mais que isso, estudar as atas dos processos de Moscou. Elas deixam absolutamente claro que a versão kruchevista dos acontecimentos é uma fantasia criada para emprestar verniz ideológico às mudanças que, como alertava o Che com bastante propriedade, foram paulatinamente levando a URSS do retrocesso revisionista à “desintegração”.
Na página ao lado, publicamos breves reflexões do embaixador americano na URSS (1936-1938), Joseph Davies, e do fundador da Hora do Povo, Cláudio Campos, sobre a suposta “desmobilização” provocada pela liquidação da quinta-coluna e a propalada “surpresa” com que Stalin recebeu o ataque de Hitler.
São divergências pontuais frente à vasta convergência de idéias que nos ligam a esse verdadeiro titã da luta revolucionária. Mas que não podemos deixar de considerar.
 

De forma espontânea Lula decidiu visitar Cuba pela segunda vez como Presidente do Brasil, ainda que minha saúde não lhe garantisse um encontro comigo.

Antes, como ele mesmo disse, visitava a Ilha quase todos os anos. O conheci por ocasião do primeiro aniversário da Revolução Sandinista, na casa de Sérgio Ramirez, então vice-presidente do país.

Também encontrei-me ali com Frei Beto, hoje crítico, embora não inimigo de Lula, e com o Padre Ernesto Cardenal, militante sandinista de esquerda e atual adversário de Daniel. Os dois escritores procediam da Teologia da Libertação, uma corrente progressista na qual, além de sua filosofia e suas crenças, sempre vimos um grande passo para a unidade dos revolucionários e dos pobres, ajustada às condições concretas de luta na América Latina e Caribe.

O que tem a ver o relatado com Lula? Muito. Nunca foi um extremista de esquerda, nem ascendeu à condição de revolucionário a partir de posições filosóficas, mas das de um operário de origem muito humilde e fé cristã, que trabalhou duramente, criando mais-valia para outros. Nos operários, Karl Marx viu os coveiros do sistema capitalista: “Proletários de todos os países, uni-vos”, proclamou. 

IDÉIAS 

Tive o privilégio de chegar à Revolução através das idéias, fugir do aborrecido destino pelo qual me conduzia a vida.

O ódio a Batista pela sua repressão e os seus crimes era tão grande, que ninguém reparou nas idéias que expressei na minha defesa perante o Tribunal de Santiago de Cuba, onde encontraram, inclusive, um livro de Lenin impresso na URSS ¯ que veio dos créditos que eu desfrutava na livraria do Partido Socialista Popular de Carlos III , em Havana ¯ nos pertences dos combatentes. “Quem não lê Lenin é um ignorante”, espetei-lhes no meio do interrogatório nas primeiras sessões do julgamento, quando o trouxeram à tona como elemento acusatório.

Não seria bem compreendido o que afirmo se não for levado em conta que no momento em que atacamos o Moncada, em 26 de Julho de 1953, ação que foi devida aos esforços organizativos de mais de um ano, sem contar com mais ninguém do que nós próprios, prevalecia na URSS a política de Stalin, que morreu repentinamente meses antes. Era um militante honesto e consagrado, que mais tarde cometeu graves erros que o levaram a posições sumamente conservadoras e cautelosas. Se uma revolução como a nossa tivesse tido êxito então, a URSS não teria feito por Cuba o que mais tarde fez a direção soviética, já livre daqueles métodos obscuros e tortuosos, entusiasmada com a revolução socialista que estourou no nosso país. Isso o compreendi bem, apesar das justas críticas que, por fatos muito conhecidos no seu momento, fiz a Khruschev.

A URSS possuía o exército mais poderoso de todos os beligerantes na Segunda Guerra Mundial, só que estava expurgado e desmobilizado. Seu chefe subestimou as ameaças e as teorias belicistas de Hitler. Da própria capital do Japão, um importante e prestigioso agente da inteligência soviética lhe comunicara da iminência do ataque, em 22 de junho de 1941. Esse ataque apanhou de surpresa o país, que não estava em alarme de combate. Muitos oficiais estavam de folga. Mesmo sem os chefes de unidades de maior experiência, que foram substituídos, no caso de terem sido alertados e acionados os nazistas teriam chocado com forças poderosas desde o primeiro instante e não teriam destruído em terra a maior parte da aviação de combate. Ainda pior do que o expurgo foi a surpresa. Os soldados soviéticos não se rendiam quando lhes falavam de tanques inimigos na retaguarda, como fizeram os demais exércitos da Europa capitalista. Nos momentos mais críticos, com frio abaixo de zero grau Celsius, os patriotas siberianos puseram em marcha os tornos das fábricas de armamentos que, com antevisão, Stalin tinha deslocado para a profundidade do território soviético.

Segundo me contaram os próprios dirigentes da URSS quando visitei esse grande país em abril de 1963, os combatentes revolucionários russos, curtidos na luta contra a intervenção estrangeira em virtude da qual foram enviadas tropas para combater a revolução bolchevique, deixando-a posteriormente bloqueada e isolada, tinham estabelecido relações e trocado experiências com os oficiais alemães, de tradição militarista prussiana, humilhados pelo Tratado de Versalhes, que pôs termo à Primeira Guerra Mundial.

Os serviços de inteligência das SS introduziram a intriga contra muitos que eram na sua maioria esmagadora leais à Revolução. Impulsionado por uma desconfiança que se tornou doentia, Stalin expurgou 3 dos 5 marechais, 13 dos 15 comandantes de exército, 8 dos 9 almirantes, 50 dos 57 generais de corpo de exército, 154 dos 186 generais de divisão, cem por cento dos comissários de exército e 25 dos 28 comissários dos corpos de exército da União Soviética, nos anos que precederam à Grande Guerra Pátria.

Esses graves erros custaram à URSS uma enorme destruição e mais de 20 milhões de vidas; há quem diga que 27 milhões. 

SOLDADOS  SOVIÉTICOS  

Em 1943 foi desatada, com atraso, a última ofensiva de primavera dos nazis pela famosa e tentadora saliência de Kursk, com 900 mil soldados, 2.700 tanques e 2.000 aviões. Os soviéticos, conhecedores da psicologia inimiga, esperaram naquela armadilha o seguro ataque com 1 milhão e 200 mil homens, 3.300 tanques, 2.400 aviões e 20.000 peças de artilharia. Chefiados por Zhukov e pelo próprio Stalin, destroçaram a última ofensiva de Hitler.

Em 1945, os soldados soviéticos avançaram incontíveis até tomarem a cúpula da chancelaria alemã em Berlim, onde içaram a bandeira vermelha tingida com o sangue de tantos que tombaram.                                     

Observo um momento a gravata vermelha de Lula e pergunto: Esse foi um presente de Chávez? Ele sorri e responde: Agora vou lhe enviar algumas camisas, já que ele se queixa de que o colarinho das suas está muito duro, vou procurar algumas na Bahia para dar de presente a ele.

Lula lembrou-me com carinho a primeira vez que visitou o nosso país, no ano 1985, para participar de uma reunião convocada por Cuba para analisar o angustiante problema da dívida externa, onde os representantes das mais diversas tendências políticas, religiosas, culturais e sociais, preocupados com o asfixiante drama, expuseram e debateram suas opiniões.

A América Latina devia naquela época US$ 350 bilhões. Contei-lhe que naquele ano de intensa luta tinha escrito extensas cartas ao presidente da Argentina, Raúl Alfonsín, para persuadi-lo de que não continuasse pagando aquela dívida. Conhecia a posição do México, inalterável no pagamento da sua enorme dívida externa, embora não indiferente ao resultado da batalha, e a especial situação política do Brasil. A dívida argentina era enorme após os desastres do governo militar. Justificava-se a tentativa de abrir uma brecha nessa direção. Não consegui. Poucos anos depois a dívida latino-americana, com seus juros, era de US$ 800 bilhões; dobrou e já tinha sido paga.

Lula explicou-me a diferença em relação àquele ano. Afirma que hoje o Brasil não tem dívida alguma com o Fundo Monetário e também não com o Clube de Paris, e dispõe de US$ 190 bilhões em suas reservas. Deduzi que seu país tinha pago avultadas somas para cumprir com aquelas instituições. Expliquei-lhe a colossal fraude de Nixon à economia mundial, quando suspendeu unilateralmente o padrão ouro em 1971, que colocava limites à emissão de notas.

Os Estados Unidos - disse-lhe - compraram bens no mundo inteiro imprimindo dólares, e, sobre tais propriedades, adquiridas noutras nações, exercem prerrogativas soberanas. Porém, ninguém deseja que o dólar se desvalorize mais, porque quase todos os países acumulam dólares, ou seja, papéis, que se desvalorizam constantemente desde a decisão unilateral do presidente dos Estados Unidos.

Logo depois falei a Lula sobre a política aventureira de Bush no Oriente Médio. 

GRANMA 

Prometi entregar-lhe o artigo que seria publicado no Granma no dia seguinte, 16 de janeiro. Assinaria de meu próprio punho o que destinava a ele. Igualmente lhe entregaria, antes de ir embora, o artigo de Paul Kennedy, um dos intelectuais mais influentes dos Estados Unidos, sobre a interligação entre os preços dos alimentos e o petróleo.

Você é produtor de alimentos, acrescentei, e além disso acaba de encontrar importantes reservas de petróleo leve. O Brasil possui 8.534.000 quilômetros quadrados e dispõe de 30% das reservas de água do mundo. A população do planeta precisa cada vez mais de alimentos, dos quais vocês são grandes exportadores.

Em Cuba, continuei explicando, tivemos uma vaca que bateu recorde mundial de leite, um cruzamento de Holstein com Zebu. De imediato Lula a mencionou: “Úbere Branco!”, exclamou. Lembrava seu nome. Acrescentei-lhe que chegou a produzir 110 litros de leite diários. Era como uma fábrica, mas era preciso dar-lhe mais de 40 quilogramas de ração, o máximo que podia mastigar e engolir em 24 horas; uma mistura onde a farinha de soja, uma leguminosa muito difícil de produzir no solo e no clima de Cuba, é o componente fundamental. Vocês têm agora as duas coisas: fornecimento seguro de combustível, matérias primas alimentícias e alimentos elaborados.

Lula me contou, em relação ao tema, que os produtores brasileiros já estão vendendo a safra de milho de 2009. O Brasil não é tão dependente do milho como o México ou a América Central. Julgo que nos Estados Unidos a produção de combustível não se sustenta com base no milho. Isso confirma, afirmei, uma realidade em relação à elevação impetuosa e incontrolável dos preços dos alimentos, que afetará muitos povos.

Você, no entanto, disse-lhe, conta com um clima favorável e uma terra solta; a nossa frequentemente é argilosa e, às vezes, é dura como o cimento. Quando vieram os tratores soviéticos e de outros países socialistas, quebravam. Foi preciso comprar aços especiais na Europa para fabricá-los aqui. 

BRASIL 

No curto tempo  que estive com Lula, duas horas e meia, gostaria de ter sintetizado em poucos minutos os quase 28 anos decorridos, não desde que ele visitou pela primeira vez Cuba, mas desde que o conheci na Nicarágua.

Quando está diante de mim, sorridente e amistoso, e o escuto falar com orgulho de seu país, das coisas que está fazendo e se propõe a fazer, penso em seu instinto político. Eu acabava de revisar velozmente um relatório de cem páginas sobre o Brasil e o desenvolvimento das relações entre os nossos dois países. Era o homem que conheci na capital sandinista, Manágua, e que tanto se vinculou com a nossa Revolução.

Apenas se iniciava minha conversa com Lula, e ainda tenho muitas coisas que contar e idéias que expor, talvez de alguma utilidade.

Quando aconteceu a desintegração da União Soviética, que foi para nós como se o sol deixasse de sair, a Revolução Cubana recebeu um golpe demolidor. Não só significou a suspensão dos fornecimentos de combustível, materiais e alimentos; perdemos os mercados e preços atingidos pelos nossos produtos no duro trabalho da luta pela soberania, pela integração e pelos princípios. O império e os traidores, cheios de ódio, afiavam os punhais com os quais pensavam matar os revolucionários e recuperar as riquezas do país.

O Produto Interno Bruto começou a cair progressivamente até 35%. Que país teria resistido a um golpe tão duro? Não defendíamos nossas vidas; defendíamos nossos direitos.

Muitos partidos e organizações de esquerda se desanimaram perante o colapso na URSS, após seu titânico esforço para construir o socialismo durante mais de 70 anos.

Falei a Lula do Che, fazendo-lhe um resumo de sua história. Ele discutia com Carlos Rafael Rodríguez sobre o sistema de autofinanciamento ou o método orçamentário, aos quais não dávamos muita importância, ocupados então na luta contra o bloqueio norte-americano, nos planos de agressão e na Crise dos Mísseis de outubro de 1962, um problema real de sobrevivência.

O Che estudou os orçamentos das grandes companhias ianques, cujos funcionários administrativos viviam em Cuba, embora não seus proprietários. Extraiu uma idéia clara do agir imperialista e do que acontecia na nossa sociedade, que enriqueceu suas concepções marxistas e o levou à conclusão de que em Cuba não se podiam usar os mesmos métodos para construir o socialismo. Mas não se tratava de uma guerra de insultos; eram trocas honestas de opiniões, que eram publicadas numa pequena revista, sem intenção alguma de criar cismas ou divisões entre nós.

Aquilo que aconteceu depois na URSS não teria surpreendido o Che.  

BLOQUEIO 

Aprofundando os argumentos econômicos, expliquei a Lula que quando a Revolução triunfou, em 1959, os Estados Unidos pagavam, ao preço preferencial de onze centavos o quilo, uma parte importante de nossa produção canavieira, que ao longo de quase um século era enviada ao mercado tradicional desse país, que sempre foi abastecido nos momentos críticos por um fornecedor seguro muito próximo das suas costas. Quando da proclamação da Lei de Reforma Agrária, Eisenhower decidiu o que deviam fazer. Nossa cota açucareira foi suprimida em dezembro de 1960, e mais tarde redistribuída entre outros produtores desta e de outras regiões do mundo, como castigo. Nosso país ficou bloqueado e isolado.

O pior foi a falta de escrúpulos e os métodos mostrados pelo império. Introduziram vírus no país e liquidaram as melhores canas; atacaram o café, atacaram a batata, atacaram também os suínos. A Barbados 4362 era uma de nossas melhores variedades de cana: amadurecimento precoce, rendimento em açúcar que, às vezes, atingia 13% ou 14%; seu peso por hectare podia ultrapassar 200 toneladas em cana de 15 meses. Os ianques acabaram com as melhores, utilizando pragas. Mais grave ainda: introduziram o vírus do dengue hemorrágico, que atingiu 344 mil pessoas e matou 101 crianças. Se eles empregaram outros vírus, não sabemos - ou não o fizeram por temor à proximidade de Cuba.

Quando por essas causas não podíamos cumprir os envios de açúcar acertados com a URSS, esta nunca deixou de enviar-nos as mercadorias que havíamos acertado. Lembro que negociei com os soviéticos cada centavo do preço do açúcar; descobri na prática o que apenas conhecia em teoria: o intercâmbio desigual. Eles garantiam um preço acima do mercado mundial. Os acordos eram por cinco anos; se no começo do qüinqüênio a gente enviava xis toneladas de açúcar para pagar as mercadorias, no fim do mesmo o valor de seus produtos ao preço internacional era 20% mais alto.

Lula perguntou-me qual era o poder aquisitivo de cinco centavos; expliquei-lhe que com uma tonelada de açúcar se compravam naquele tempo sete toneladas de petróleo; hoje, ao preço do petróleo leve de referência, US$100, pode comprar-se apenas um barril. O açúcar que exportamos, aos preços atuais, apenas daria para adquirir o combustível importado que se consome em 20 dias. Seria necessário gastar ao redor de US$ 4 bilhões por ano para adquiri-lo.

Os Estados Unidos subsidiam sua agricultura com dezenas de bilhões a cada ano. Por que não deixam entrar livremente nos Estados Unidos o etanol que vocês produzem?

Lula analisa dados das produções agrícolas do Brasil que são de grande interesse. Diz-me que tem um estudo realizado pela imprensa brasileira que mostra que, até 2015, a produção mundial de soja crescerá 2% em cada ano; isto é, significa que será necessário produzir 189 milhões de toneladas de soja a mais que a produção atual. A produção de soja do Brasil teria que crescer a um ritmo de 7% anual para poder atender às necessidades mundiais.

Qual o problema? Muitos países não mais têm terras para cultivar. A Índia, por exemplo, não tem mais terra livre; a China tem muito pouca terra disponível para isso e os Estados Unidos também não as possuem para produções adicionais de soja. 

EMBRAPA 

Acrescentei à sua exposição que aquilo que muitos países latino-americanos têm são milhões de cidadãos com salários baixíssimos produzindo café, cacau, vegetais, frutas, matérias-primas e mercadorias a baixo preço para prover a sociedade dos Estados Unidos, que já não poupa e consome mais do que produz.

Lula explica que abriram em Gana um escritório de pesquisa da EMBRAPA ¯ a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária — e aponta que em fevereiro vão inaugurar também um escritório em Caracas.

Falei a Lula da Batalha de Idéias que estávamos levando a cabo. Novas notícias, que chegam constantemente, evidenciam a necessidade dessa luta constante. Os piores meios de comunicação dos inimigos ideológicos se dedicam a divulgar pelo mundo as opiniões de certos “gusanos” (contra-revolucionários) que no nosso heróico e generoso país nem sequer desejam escutar a palavra socialismo.

Trata-se do apelo vulgar do capitalismo imperial ao egoísmo individual, pregado há quase 240 anos por Adam Smith como a causa das riquezas das nações; ou seja, colocar tudo nas mãos do mercado. Isso criaria riquezas abundantes num mundo idílico.

Penso na África e em seu quase bilhão de habitantes, vítimas dos princípios dessa economia. As doenças, que se alastram a toda velocidade, propagam-se ao ritmo da Aids e outras velhas e novas doenças atingem a população e suas plantações, sem receber, de nenhuma das antigas potências coloniais, médicos e cientistas.

Quando falei com ele a respeito da Venezuela, disse-me: Nós pensamos cooperar com o presidente Chávez. Combinei com ele: cada ano irei duas vezes a Caracas e ele viajará duas vezes ao Brasil para não permitir divergências entre nós, e, se as houver, conseguir resolvê-las no momento. A Venezuela não precisa de dinheiro, porque tem muitos recursos, mas precisa de tempo e infra-estrutura.

Expressei-lhe que me alegrava muito a sua posição com relação a esse país, porque estávamos agradecidos a esse povo-irmão pelos acordos assinados que nos garantiram um fornecimento normal de combustível.

Não posso esquecer que, quando do golpe de Estado de abril de 2002, a palavra de ordem dos que assaltaram o poder, em relação ao nosso país, foi: “nem um pingo mais de petróleo para Cuba”.

Expliquei-lhe que Cuba mantinha relações de amizade com todos os países da América Latina e do Caribe, sejam de esquerda ou de direita. Há muito traçamos essa linha e não a mudaremos; estamos dispostos a apoiar qualquer ação em favor da paz entre os povos. É um terreno espinhoso e difícil, mas continuaremos perseverando nele. 

AMÉRICA LATINA  

Lula expressou de novo seu respeito e carinho profundos por Cuba e seus dirigentes. Acrescentou logo que sentia orgulho do que estava acontecendo na América Latina, e mais uma vez afirmou que aqui, em Havana, decidimos criar o Forum de São Paulo e unir toda a esquerda da América Latina, e essa esquerda está chegando ao poder em quase todos os países.

Nesta ocasião, lembrei-lhe o que nos ensinou Martí sobre as glórias deste mundo, que cabem todas num grão de milho. Lula acrescentou: Digo-lhes a todos que, nas conversações que tive consigo, jamais deu conselho algum que pudesse entrar em confronto com a legalidade; sempre me pediu que não ganhasse muitos inimigos ao mesmo tempo. E isso é o que está permitindo que as coisas marchem.

Quase de imediato manifestou que o Brasil, um país grande e com recursos, tem que ajudar o Equador, a Bolívia, o Uruguai, o Paraguai.

Agora estivemos na América Central. Nunca um presidente brasileiro tinha visitado um país nessa região com projetos de cooperação.

A relação comercial do Brasil com a América Latina é maior do que com os Estados Unidos da América, disse-me.

Falei-lhe de diversas regiões, incluindo o Caribe, e das formas de cooperação que tínhamos desenvolvido com eles.

Falei-lhe, como é lógico, da mudança climática e a pouca atenção que prestam ao tema grande número de dirigentes dos países industrializados do mundo.

Quando falei com ele, na tarde de 15 de Janeiro, não pude mencionar-lhe o artigo que foi publicado só três dias depois, escrito por Stephen Leahy, em Toronto. Este nos transmite notícias do novo livro, intitulado Mobilizar-se para salvar a civilização, de Lester Brown.

Quase no final, disse-me: “Está convidado para ir ao Brasil neste ano”. Obrigado, respondi-lhe, pelo menos em pensamento estarei lá.

Por último, disse-me: Vou contar aos companheiros e amigos que tem no Brasil que você está muito bem.

Caminhamos juntos até a saída. O encontro valeu a pena realmente.

CONDENSADO DE TEXTOS DE FIDEL CASTRO
 

Página 5

Página 6

Reflexões de Fidel Castro sobre o encontro com Lula

Página 7

Americanos acorrem em massa às primárias contra a guerra e a recessão
 

Hillary e Obama votam contra corte de Bush em US$ 196 bilhões nos programas sociais
 

De expurgos e surpresas
 

McCain é derrotado em 12 dos 21 estados nas prévias do dia 5
 

Colombianos denunciam “marcha contra as Farc” como manipulação
 

Página 8

Vila Isabel homenageia Getúlio e a conquista dos direitos trabalhistas
 

65 anos da vitória soviética que decidiu a 2º Guerra

 

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RENAN MOSTRA PROVAS DA TORPE ESCROQUERIA DE VEJA E SUAS FONTES

RENAN REFUTA CALÚNIAS E CONCLUI DISCURSO SOB APLAUSO DO SENADO

MÁFIAS ELIMINADAS POR LULA SÃO OS RESTOLHOS DO DESGOVERNO DE FHC

EMENDA 3 É AGRESSÃO AO MAIS PRIMÁRIO DOS DIREITOS TRABALHISTAS

LULA DIZ QUE RESPEITO À LEI MAIOR O IMPEDE DE CANDIDATAR-SE EM 2010

RECONHECIMENTO DAS CENTRAIS AMPLIFICA A DEMOCRACIA NO PAÍS

MANTEGA QUER REDUÇÃO DO "COMPULSÓRIO" PARA ACELERAR QUEDA DO JURO

 

CENTRAIS CONVOCAM A MOBILIZAÇÃO GERAL EM APOIO AO VETO DE LULA À "LEI DA ESCRAVIDÃO"

 

2.500.000 LOTAM RUAS E PRAÇAS EM SP PARA APROFUNDAR MUDANÇAS

 

COMPRA DA TIM CRIA MONOPÓLIO ILEGAL DA TELEFÔNICA NO BRASIL

"VAMOS GARANTIR A PRIMAZIA DO TALENTO SOBRE AS FORTUNAS"

PSDB, PFL, MP-SP, CPI E MÍDIA GOLPISTA ACOBERTARAM BINGOS

JURO NÃO CAI PORQUE MEIRELLES INSISTE EM TOMAR DE TODOS PARA DOAR AOS BANQUEIROS

INDEPENDÊNCIA ENERGÉTICA UNE AMÉRICA DO SUL

MEGA ENCOMENDA DE NAVIOS ATIVA MARINHA MERCANTE E ESTALEIROS

LULA: "OPOSIÇÃO QUER CRIAR CPI PARA ENTRAVAR A APROVAÇÃO DO PAC"

LULA DÁ TODO PODER À FAB PARA PÔR BIRUTAS DE AEROPORTO NA LINHA

LULA DIZ AOS EUA QUE RELAÇÃO BRASIL-IRÃ NÃO É DA ALÇADA DE BUSH

SENADO ISOLA BUSH E COMEÇA A VOTAR RETIRADA DO IRAQUE

 

 DIRETORES DO BC E FORÇAS OCULTAS DO MERCADO FLAGRADOS EM REUNIÃO SECRETA

 

TV PÚBLICA É DEMOCRACIA. MONOPÓLIOS DE MÍDIA SÃO SUA NEGAÇÃO

 

"VEJA" ABRE CRUZADA FASCISTA CONTRA REDE PÚBLICA DA TELEVISÃO

 

ANATEL ABRE A PORTEIRA PARA O CARTEL DAS TELES DOMINIAR A TV DO BRASIL

 

BUSH SAI DA AMÉRICA DO SUL MAIS ISOLADO DO QUE NA CHEGADA

 

BUSH NÃO QUER COMPRAR NOSSO ÁLCOOL, QUER AS NOSSAS USINAS

 

ÁLCOOL: EUA INVESTEM 2 BILHÕES DE DÓLARES PARA DESNACIONALIZAR A PRODUÇÃO DO BRASIL

 

SOLUÇO NA BOLSA DE NY E JURO INSENSATO DE MEIRELLES FAZEM CAIR BOLSA NO BRASIL

 

LULA CONVOCA TABARÉ A SE UNIR A HERMANOS E NÃO AO BIG BROTHER

 

LULA A MORALES: "ANTES DE SERMOS PRESIDENTES SOMOS COMPANHEIROS"

 

TURBA QUER COMBATER CRIMES LINCHANDO OS MONSTROS QUE CRIOU

 

LULA CONCLAMA O PT A MANTER O RUMO E "NÃO A ATIRAR NO PRÓPRIO PÉ"

 

PROMESSA DO COPOM DE MANTER JUROS ALTOS ACIRRA CRISE CAMBIAL

 

 LULA CORRIGE CONTAS DA PREVIDÊNCIA: "DÉFICIT" ERA SÓ TRUQUE CONTÁBIL

 

DRT EMBARGA OBRA NO BURACO DE SERRA

 

"CHAVEZ FOI ELEITO 3 VEZES DA FORMA MAIS DEMOCRÁTICA"

 

MEIRELLES TRAVA QUEDA DE JUROS PARA SABOTAR PLANO DE CRESCIMENTO

 

PAC: LULA ANUNCIA INVESTIMENTOS DE R$ 500 BILHÕES NO DESENVOLVIMENTO

 

OMISSÃO, GANÂNCIA E NEGLIGÊNCIA FIZERAM RUIR O TÚNEL DO METRÔ

 

SANHA PRIVATISTA GERA TRAGÉDIA NAS OBRAS DA LINHA 4 DO METRÔ-SP

 

LULA SUSPENDE A PRIVATIZAÇÃO DAS RODOVIAS FEDERAIS

 

EUA INTIMA FANTOCHES A VOTAR LEI DO ASSALTO AO PETRÓLEO IRAQUIANO

 

LINCHAMENTO DE SADDAM EXIBE MISÉRIA MORAL DE BUSH E SUA KLAN