Dinheiro da CIA abasteceu o Cebrap de FHC, revelam livros
O jornalista Sebastião Nery revelou, em sua
coluna na Tribuna da Imprensa, como recursos milionários da CIA abasteceram o
Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), criado por Fernando
Henrique Cardoso, em 1969. Isto ocorreu, segundo Nery, através da injeção de
dinheiro da Fundação Ford - agora desmascarada como fachada da CIA.
As informações estão no livro “Fernando Henrique
Cardoso, o Brasil do possível”, da jornalista francesa Brigitte Hersant Leoni
(Editora Nova Fronteira, Rio, 1997, tradução de Dora Rocha). “Numa noite de
inverno do ano de 1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando
Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no
Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de 145 mil
dólares. Nascia o Cebrap”, diz o livro.
Agora, completando as informações da jornalista
francesa, um outro livro de 550 páginas, lançado no Brasil, com o título “Quem
pagou a conta? A CIA na guerra fria da cultura”, revela que a Fundação Ford não
passava de um disfarce da CIA para encobrir sua atuação em todo o mundo. O livro
da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders (editado no Brasil pela Record,
tradução de Vera Ribeiro) mostra que os US$ 145 mil entregues pela Fundação Ford
a FHC, em 1969, pertenciam à agência de espionagem norte-americana.
Segundo o livro, a chegada de John McCloy à
presidência da Fundação Ford, em 1953, viabilizou a ligação indissolúvel entre a
Ford e a CIA – a ponto de a Ford ter uma “unidade administrativa para gerir os
pedidos da CIA”. McCloy foi presidente do Chase Manhattan Bank e, portanto,
“empregado” dos Rockefeller.
No Brasil a Fundação Ford/CIA decidiu despejar o
seu dinheiro nas mãos de Fernando Henrique Cardoso porque eles já conheciam as
suas “teses”. Com o economista chileno Enzo Faletto, FHC havia acabado de lançar
o livro “Dependência e desenvolvimento na América Latina”, onde defendia que
países como o Brasil, só poderiam se desenvolver mantendo a dependência
econômica aos EUA.
Com a associação entre Cebrap e a Fundação Ford,
Fernando Henrique passou a ser badalado como uma “personalidade internacional” e
passou a dar “aulas” e fazer “conferências” em universidades norte-americanas e
européias. Ele era conhecido como o “homem da Fundação Ford”. Calcula-se que o
total de recursos injetados pela CIA no Cebrap chegou a US$ 1 milhão. “Não
conseguíamos gastar tudo. Lembro-me de ter encontrado o tesoureiro. Santo Deus,
disse eu, como podemos gastar isso? Não havia limites, ninguém tinha que prestar
contas. Era impressionante”, mostra relato de Brigitte Leoni (pág. 123).
A CIA, acrescenta a escritora Frances Saunders,
considerava que entidades como a Fundação Ford eram o tipo mais plausível de
disfarce para seus financiamentos... “permitiu que ela financiasse um leque
aparentemente ilimitado de programas secretos de ação que afetavam grupos de
jovens, sindicatos de trabalhadores, universidades, editoras e outras
instituições privadas” (pág. 153).