Garcia: “classe dominante parasitária da Bolívia reage às mudanças de Morales”
O assessor especial para Assuntos
Internacionais da Presidência da República,
Marco Aurélio Garcia, afirmou que o processo de reforma constitucional
implementado pelo presidente boliviano, Evo Morales, está contribuindo para a
superação de um “sistema político perverso” na Bolívia. Segundo Garcia, em razão
disso, a incorporação de “camadas populares” e “indígenas” na vida política
boliviana tem sido rejeitada pelos grupos que estavam no poder.
Em um artigo publicado na edição nº 75 da
revista Teoria e Debate, editada pela Fundação Perseu Abramo, entidade ligada ao
Partido dos Trabalhadores, Marco Aurélio Garcia elogiou o governo boliviano por
incorporar esses setores populares e criticou a “classe dominante parasitária”
que respaldou sistemas políticos excludentes na Bolívia e em outros países
sul-americanos.
O assessor do presidente Lula opinou que é um
erro caracterizar como “populistas nacionalistas” os governos da Bolívia,
Venezuela e Equador. Ele acrescentou que essa definição surge de uma visão
“simplista, teoricamente e conservadora, politicamente”. Morales, Hugo Chávez e
Rafael Correa representam o resultado de um delicado equilíbrio de forças em
seus países, avaliou Garcia.
Para o conselheiro de Lula, esses três governos
estão implantando um “novo equilíbrio” de forças, que pode dar lugar a uma “nova
estabilidade” regional. De acordo com Marco Aurélio Garcia, os governos de
Morales, Chávez e Correa, assim como os da Argentina, Uruguai e Chile, expressam
uma “mudança de época” histórica na região.
Garcia assinalou que a América do Sul foi vítima
da aplicação de políticas neoliberais nas décadas passadas e que esse capítulo
está superado. Nesse sentido, assinala como exemplo o caso da Argentina que,
junto com outros países, “entrou em um círculo virtuoso de desenvolvimento que
associa crescimento com distribuição de renda e fortalecimento democrático”.