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Stalin, Capitão,
que Xangô o proteja e
que o resguarde Oxum.
A teu lado, cantando,
os homens livres vão:
o oriental, que
respira com pulmão de vulcão,
o negro, de olhos
brancos e barbas de betume,
o branco, de olhos
verdes e barbas de açafrão.
Stalin, Capitão.
Treme Europa em seu
mapa de pedra e de carvão.
Mil séculos se
desdobram rolando sem final.
Canhão
do Austral ao
Setentrional.
Cabeças e cabeças
cortadas no limite.
O mar arde como um
charco de alcatrão.
Bocas que ontem
cantavam a Verdade e o Bem
Hoje sobre quatro
metros de sonho amargo estão...
Stalin, Capitão.
Porém o futuro
persevera, levanta sua ilusão
lá em sua vermelha
terra onde é feliz o pão,
e inflados peitos se
armam de uma mesma canção
as plumas dos abutres
se detêm, se deterão,
lá em teu gelado céu
de lama e explosão,
Stalin, Capitão.
No vaso de magnólias,
o florido coração
de Buda, despreza seu
estático gesto;
gravita um continente
sobre o Mar do Japão:
rude bloco de sangue
da Sibéria ao Ceilão
e de Esmirna a
Cantão...
Stalin, Capitão.
Tambores africanos
com ressoante som
sobre a selva e o
deserto seu alerta dão,
mais feroz que o
metal com que ruge o leão;
e alçando até a
Pichincha a tormentosa fronte
América convoca sua
onça e seu caimão,
mas também lubrifica
seu trem e seu motor.
Ódio por onde queira
verá o cego alemão:
a pomba, o avião,
o bico do tucano,
um imenso zoológico
de vasta indignação,
as flechas venenosas
que em cheio ao alvo vão
e ainda o vento,
impulsionando suas rodas de ciclone...
Stalin, Capitão,
que Xangô o proteja e
que o resguarde Oxum...
A teu lado, cantando,
os homens livres vão:
o oriental, que
respira com pulmão de vulcão,
o negro, de olhos
brancos e barbas de betume,
o branco, de olhos
verdes e barbas de açafrão.
Stalin, Capitão!
os povos que despertam junto a ti
marcharão! |