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Nassif sofre perseguição por denunciar delitos de “Veja”
Ela quer
manipular a Justiça, através dos seus paus-mandados, para calar a voz do
jornalista e suas verdades
O jornalista Luis Nassif prestou um grande
serviço ao país. Para ser exato, este serviço continua sendo prestado: sua série
sobre a revista “Veja” ainda está em curso, chegando até agora ao décimo
capítulo.
Trata-se de uma extensa, serena e muito bem
escrita descrição do “jornalismo de esgoto” (uma precisa conceituação) praticado
por aquela publicação. Por conta disso, dois chupa-caldos que exercem suas
funções na redação da “Veja” anunciaram que processarão Nassif. Certamente, não
é uma iniciativa pessoal. Aliás, na “Veja” nada é pessoal, exceto os ataques. Há
alguns meses, um recordista em condenações por calúnia e difamação que lá opera
revelou em entrevista que a “Veja” pagava as indenizações a que ele era
condenado. Por isso, ele continua a caluniar e a difamar, ignorando a lei e a
Justiça. O que, evidentemente, significa que a “Veja” assume como dela os
delitos do elemento, e que este é apenas um pau-mandado. Ela paga para continuar
desrespeitando a lei.
Mais desprezo pela Justiça, seria impossível
conceber. No entanto, é exatamente a Justiça, que eles afrontam de forma tão
despudorada, que pretendem usar contra Nassif – e, precisamente, porque ele
disse a verdade.
SINAL
A “Veja” tem uma tiragem semanal de mais de um
milhão de exemplares. Além disso, mais de 80% das revistas que se vêem nas
bancas são do mesmo grupo. Não falta aos seus donos e feitores o acesso à TV.
Aliás, são até proprietários – ou, mais precisamente, testas-de-ferro – de uma
rede de canais a cabo, para não falar em seus tentáculos em outras áreas.
Portanto, não faltam à “Veja” meios de se
defender ou contestar o que Nassif escreveu. Porém, com tudo isso, eles querem
silenciar um jornalista que dispõe apenas de um site na Internet, usando a
Justiça - ou, melhor, tendo a pretensão de manipular a Justiça. Naturalmente,
também não falta dinheiro a eles para pagar um batalhão de causídicos.
No entanto, trata-se de um sinal de que acabou a
época em que “Veja” perpetrava impune e sem limites o “assassinato de
reputações” - para usar outra excelente expressão de Nassif. Daí, essa
truculência fascista se travestir agora de recursos judiciais, ou seja, da
tentativa de fazer com que a Justiça encarne o espírito da injustiça. Eles não
mais garantem a si próprios. Por isso, querem usar a Justiça, como se esta
existisse para ser capanga de alguns marginais.
É verdade que tal tentativa, ainda que mostre a
decadência do jornalismo de esgoto, também mostra que ele permanece sem
reconhecer os limites sociais. Naturalmente, a quem não tem esses limites, só é
possível passar a reconhecê-los se a sociedade impede que eles possam ser
ignorados.
Quando 182 parlamentares constituem uma CPI para
investigar os negócios ilícitos do grupo de “Veja” - sua transgressão da lei ao
passar o controle da TVA para a Telefónica - e o presidente da Câmara, Arlindo
Chinaglia, contra a vontade de todos os partidos da sua própria base e de todas
as entidades representativas da população, engaveta a CPI, isso somente serve -
como somente serviu - para que os delinqüentes se sintam à solta até para tentar
a manipulação da Justiça. Não se defende a sociedade e a ética colaborando com
elementos anti-sociais e anti-éticos. Não se convive com o mal, senão
combatendo-o, estabelecendo limites. Caso contrário, dentro em breve será
preciso se submeter a ele em nome dessa estranha convivência - e vender a alma
ao diabo.
A “Veja” é a flor mais pútrida do grupo Civita.
E o que é o grupo Civita, hoje acumpliciado com os nazistas do apartheid
sul-africano?
A melhor descrição de seus inícios foi feita por
Genival Rabelo, um dos pioneiros da publicidade brasileira. Em 1946, a
Constituição do Brasil estabeleceu que os órgãos de comunicação não poderiam
pertencer a estrangeiros. Não se tratava de nada excepcional. Esse era - e
continua a ser - o normal em todo o mundo. Essa proibição existe nos EUA e na
maioria dos países – e o motivo é óbvio: não permitir que a população seja
manipulada por interesses estranhos e mesmo opostos aos interesses nacionais.
Apenas quatro anos após a Constituição de 1946,
emigrou para o Brasil um cidadão americano de nome Victor Civita, trazendo na
bagagem alguns contratos de publicação de revistas da Disney. No entanto,
sabe-se agora, houve mais do que isso: “O Chase Manhattan Bank [o banco
da família Rockefeller], por sugestão do Governo americano, ajudou Victor
Civita a se instalar no Brasil. Um advogado aposentado do Chase me contou, em
Nova York, que o Governo americano considerava que Victor Civita se tornaria um
aliado importante no Brasil. A ligação da Abril com o Chase se manteve depois da
morte de Victor Civita, através de seu filho Roberto, e um executivo do Chase no
Brasil, Bob Blocker” (cf. P. H. Amorim, “A CIA pagou a conta de FHC?”).
Portanto, era arguta a observação de Genival
Rabelo, em seu livro de 1966 (“O Capital Estrangeiro na Imprensa Brasileira”),
de que havia algo estranho em um cidadão americano residente em Nova Iorque
chegar ao Brasil com o passaporte visado em Washington. Feita há 41 anos, essa
observação mostra o quanto o autor estava atento às atividades de Civita, agora
sob a proteção da ditadura, que cassou e perseguiu Rabelo.
Em suma, a infiltração de Civita no Brasil era
uma burla à Constituição: um cidadão americano chega aqui, com contratos de
republicação de revistas americanas, e se naturaliza brasileiro. Passa a
monopolizar a propaganda, através das filiais de agências publicitárias
americanas. Sustentado pelo principal grupo capitalista dos EUA, com o Chase
Manhattan por trás, o sujeito esmaga os concorrentes e instala um monopólio
editorial dentro de outro país.
DIFERENÇA
Mas, não era somente a do Brasil, a Constituição
que estava sendo burlada. Na Argentina, que também proibia a propriedade de
meios de comunicação por estrangeiros, chegou, quase ao mesmo tempo em que
Victor Civita apareceu no Brasil, um certo Cesar Civita. Um era irmão do outro.
Os dois tinham na mala os mesmos contratos da Disney. E os dois fizeram a mesma
coisa. A diferença, naturalmente, é que o Civita da Argentina se naturalizou
argentino. Ou seja, até a diferença era igual.
O jornalista Luis Nassif divulgou nota, pedindo
aos homens e profissionais dignos que o ajudem a divulgar suas respostas aos
ataques do para-jornalismo (mais uma expressão muito adequada) de “Veja”. De
nossa parte, Nassif, pode contar conosco.
CARLOS LOPES
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