Ex-secretário de FH calunia e recebe troco de Zé Dirceu
O ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu,
rebateu na quarta-feira, as acusações do ex-secretário-geral da Presidência da
República de FHC, Eduardo Graeff, de que haveria interesses escusos seus e do
governo federal na fusão da Brasil Telecom com a Telemar.
O assessor tucano, segundo Dirceu, agiu conforme
“o célebre mantra do propagandista-chefe do nazismo, Joseph Goebels” para
atacá-lo em uma matéria veiculada no último dia 24 de janeiro. “Fatos deturpados
e outros que nem existiram foram repetidos por ele como se verdade fossem”,
afirmou Dirceu, em artigo na “Folha de S. Paulo”, na quarta-feira (13). Segundo
o tucano, o caso da Telemar revelaria que tanto Dirceu quanto Lula teriam
“trocado” seus compromissos de esquerda pelos “negócios”.
Percebendo que o alvo do artigo do ex-auxiliar
de FHC é levantar suspeitas para tentar obstruir a intervenção saneadora do
governo no setor de telefonia, Dirceu foi incisivo: “Quer dizer que a
intervenção do governo na reestruturação da economia e dos monopólios, quando
ocorre, é por motivação escusa?”, indagou. “O que se deve concluir então das
privatizações feitas pela administração FHC?”, prosseguiu. A união da Brasil
Telecom e a Telemar está sendo estimulada pelo governo Lula como forma de
contrapor à monopolização do setor de telefonia pelo capital estrangeiro.
Dirceu afirmou ainda que, de acordo com Graeff,
deve-se procurar nas contas de ex-ministros e antigos auxiliares os motivos para
o governo tucano ter “dilapidado patrimônio público, desorganizado o Estado e
travado o desenvolvimento do país”. Para ele, “o crime de lesa-pátria cometido
pela coalizão PSDB-DEM ao vender empresas estatais na bacia das almas, é o mais
hediondo porque atenta contra os direitos do povo e ameaça a soberania
nacional”.
Definindo como herança maldita a “abertura
descontrolada da economia e do sistema de telecomunicações ao capital
internacional”, José Dirceu defendeu a ação do governo no processo de fusão da
Brasil Telecom e a Telemar e chamou a atenção para a “submissão inédita” dos
tucanos ao capital externo. “Não está em pauta, evidentemente, a recuperação do
controle estatal sobre as companhias privatizadas, mas é obrigação do governo
intervir para bloquear e reverter a desnacionalização de setores fundamentais da
economia”, argumentou o ex-ministro.