Oposição não se entende em torno da CPI da tapioca
A oposição, que vinha defendendo com o maior gás
a criação da CPI das tapiocas, perdeu o rumo e passou a trocar acusações entre
si, assim que a base aliada apresentou a proposta de fazer uma investigação
profunda sobre as contas B e as despesas pagas com cartões corporativos,
envolvendo todo o período em que eles passaram a ser utilizados por servidores
públicos.
A chiadeira contra investigar os gastos do
período Fernando Henrique, quando a implantação dos cartões foi iniciada,
culminou em bate-boca público entre os tucanos e pefelistas. Ao discursar
durante almoço de parlamentares da oposição em uma churrascaria de Brasília, na
terça-feira (12), o senador Álvaro Dias (PSDB/PR) acusou o deputado Carlos
Sampaio (PSDB/SP) de fazer acordo com a bancada do governo sobre a amplitude das
investigações para instalar a comissão.
O deputado retrucou aos gritos: “Acordo não
houve. Isso não coaduna com a minha história parlamentar”. Durante a discussão,
Álvaro Dias deixou claro que a criação da CPI das tapiocas só interessa à
oposição se for para montar um circo contra o governo.
A confusão entre a oposição é tanta que agora
ela acusa a base do governo de não querer a CPI, quando foi o líder do governo
no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que tomou a iniciativa de colher assinaturas
para instalá-la no Senado. Com isso, a oposição ficou sem bandeira e o único
caminho que lhe restou foi fazer um salseiro em torno de uma CPI mista, que
também, agora, já não sabe se a quer. Ou melhor, a oposição até quer, desde que
possa indicar o presidente, relator, todos os membros e, se deixar, até os
funcionários que servirem cafezinho e água na comissão. E investigar só o que
interessar para atrair os holofotes da mídia, não a verdade.
Setores da oposição estão exigindo que o comando
das apurações seja entregue a eles, contrariando o regimento, que confere às
bancadas mais numerosas o direito de indicar presidente e relator. No intuito de
impor a vontade da minoria sobre o direito da maioria, estão ameaçando obstruir
as votações na Câmara e no Senado. “Nesse ritmo lento, uma ou outra matéria será
votada na Casa. Mas se o governo não entender que a CPI segue regras de rodízio
entre os partidos, a relação ficará mais arranhada”, declarou o presidente do
DEM/PFL, deputado Rodrigo Maia (RJ). Por outro lado, essa exigência descabida da
oposição seria mais um pretexto para fugir de investigar as tapiocas de FHC?
O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO),
reagiu e avisou que não pretende retirar a indicação do senador Neuto de Conto
(PMDB/SC) para a presidência, caso uma CPI venha a ser instalada. Segundo o
senador, o partido “está cansado” de ceder postos de comando no Congresso para
outras legendas.
No PT, partido com a segunda maior bancada da
Câmara, a disposição também é de não se dobrar à chantagem oposicionista da
obstrução. “Durante toda a gestão FHC todas as comissões de inquérito escaladas
tinham membros do governo em ambas as cadeiras. Agora a oposição, antes
situação, não quer dar a presidência e nem a relatoria. Acho difícil (haver
acordo para dividir as vagas), pois é uma prerrogativa dos partidos”, afirmou o
presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP).
WALTER FÉLIX