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Estudante Schaick denuncia recrutamento de espiões na embaixada dos EUA:
Americano denuncia
espionagem da Casa Branca contra a Bolívia
Estudante, bolsista da Comissão Fullbright, foi interpelado por Cooper,
funcionário da embaixada, para dar informações sobre venezuelanos e cubanos que
se encontram a trabalho na Bolívia
O
estudante norte-americano John Alexander Van Schaick, em viagem de
intercâmbio à Bolívia, denunciou na sexta-feira, 8, em entrevista a rede de
televisão ABC, que foi instruído pela embaixada local dos EUA para realizar
serviços de espionagem no país.
Alexander é pesquisador do programa de bolsas Fullbright e fez a denúncia ao
ministro de Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, relatando que o
assessor de segurança da embaixada, Vincent Cooper, lhe transmitiu a seguinte
“instrução” no dia 5 de novembro: “se você encontrar no campo venezuelanos ou
cubanos, deve se reportar à embaixada dos EUA, informando seus nomes e
endereços”. A denúncia do estudante também foi registrada pela escrivã Marlene
Cabrera, em um cartório de Fé Pública da Bolívia.
PEACE
CORPS
O
relato do estudante é idêntico à denúncia de três membros e um supervisor dos
Peace Corps (entidade norte-americana), que descreveram que seu grupo de 30
pessoas recebeu do mesmo funcionário da embaixada dos EUA em La Paz, em julho,
instruções para “reportar cidadãos cubanos e venezuelanos”.
John
Alexander acrescentou que Cooper foi além e lhe disse que deveria fornecer essa
informação porque “sabemos que os venezuelanos e os cubanos estão aqui” e que
eles queriam “mantê-los bem vigiados”.
A
instrução para a espionagem foi transmitida a Alexander em uma “sessão
informativa da embaixada norte-americana”.
O
presidente da Bolívia, Evo Morales, declarou Cooper “persona non grata” e o
embaixador norte-americano no país, Phillip Goldberg, foi convocado pelo
chanceler boliviano na quarta-feira, 13, a prestar esclarecimentos sobre as
denúncias do estudante. No sábado, a embaixada dos EUA emitiu comunicado
admitindo que Cooper realizou o pedido ao estudante, porém negando que o pedido
fosse para “atividades de inteligência”.
Goldberg também foi intimado a explicar as denúncias de que a USAID (sigla em
inglês para a Agência dos EUA de Desenvolvimento Internacional) apóia
financeiramente grupos bolivianos envolvidos com a espionagem de jornalistas,
políticos, com campanhas de desinformação e apoio aos separatistas que buscam
dividir o país para, a partir das regiões bolivianas ricas em hidrocarbonetos,
entregar petróleo e gás às corporações ianques.
O
norte-americano residente na Bolívia, Marko Lewis, denunciou na terça-feira, 12,
que a USAID está utilizando 14 milhões de dólares em diferentes programas para
“financiar atividades que, sem nenhuma dúvida, não estão relacionadas com a
cooperação ao país”. Lewis, que é botânico e mora na Bolívia desde 1978
trabalhando na Faculdade de Ciências Naturais da Universidade Maior de San
Andrés, acrescentou que a USAID gerenciou a viagem dos prefeitos de Santa Cruz,
Rubén Costas; de Beni, Ernesto Suárez; de Cochabamba, Manfred Reyes Villa; e de
Tarija, Mario Cossío, que visitaram Washington para “denunciar” ante organismos
internacionais, como a OEA e a ONU, supostos “atropelos à democracia” por parte
do Governo do presidente Evo Morales. Os mandatários que foram aos EUA com tudo
pago por Washington governam regiões ricas em recursos naturais da Bolívia –
como gás e petróleo – exploradas por multinacionais com lucros estratosféricos
durante décadas. O governo Morales anunciou durante seu mandato a nacionalização
desses recursos para que sejam revertidos no crescimento econômico e no
desenvolvimento da Bolívia.
USAID
Em
agosto do ano passado, a USAID havia sido intimada a esclarecer as afirmações do
ministro da Presidência, Juan Ramon Quintana, de que fundos milionários do órgão
estavam sendo usados para patrocinar ações de grupos de oposição a Evo Morales.
Segundo
Quintana, 89 milhões de dólares provenientes da “cooperação” dos EUA financiaram
os setores oposicionistas.
Morales
declarou à época que a “ajuda incondicional é bem vinda, mas se não quiserem
transparecer suas doações, não são”.
A
USAID-Bolivia ainda não esclareceu o pagamento a Josá A. Nogales, ex-ministro do
governo Gonzalo Sánchez e de Carlos Mesa – opositores do presidente boliviano.
Também foram repassados recursos a Juan Carlos Urenda, assessor do Comitê Cívico
Pró-Santa Cruz, co-autor do Estatuto Autonômico, que pretende dividir o país.
O
presidente da Confederação de Empresário Privados da Bolívia (CEPB), Roberto
Mustafá, declarou na terça-feira, 12, que a espionagem no país envolvendo a
embaixada dos EUA “fere a soberania boliviana”.
Ele
disse que nenhuma organização ou pessoa no país pode desenvolver esse tipo de
ação em território boliviano, porque a nação é “um Estado soberano”.
Mustafá
advertiu que, se as denúncias do estudante forem comprovadas, “chegaria a serem
afetadas as relações comerciais que a Bolívia mantém com os EUA”.
RODRIGO
CRUZ
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