Tapioca de FHC deixa oposição sem rumo
A oposição, que a princípio tentou transformar o
caso dos cartões corporativos do governo federal em uma crise política,
passou a bater cabeça depois que seus planos foram frustrados pela firme
disposição da base de investigar a fundo as supostas irregularidades.
Tucanos e ex-pefelistas começaram a bater cabeça sobre a criação da CPI da
tapioca e também fogem, como o diabo da cruz, de uma investigação dos gastos
com cartões corporativos no governo paulista.
Depois ter percebido, com um certo atraso, que
as apurações poderiam cair em seu próprio colo, em razão do grande número de
denúncias sobre uso irregular das contas B, no período Fernando Henrique, e
dos cartões de José Serra, em São Paulo, a oposição passou a fazer um jogo
dúbio. Em um momento apóia a instalação de uma comissão mista, com deputados
e senadores. No outro, defendem uma investigação conduzida apenas por
senadores, alegando que assim teriam a chance de atropelar o regimento e
ficar com um dos cargos na direção da CPI (presidência ou relatoria).
Quando o líder do governo no Senado, Romero Jucá
(PMDB/RR), apresentou requerimento para criar uma comissão no Senado, os
líderes do PSDB e DEM na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP) e Onyx
Lorenzoni (RS), respectivamente, defenderam a CPI mista.
Àquela altura, o deputado Carlos Sampaio
(PSDB/SP) recolhia assinaturas para a criação de uma comissão mista, mas
concordou com a proposta do líder do governo na Câmara, Henrique Fontana
(PT/RS), de que as investigações alcançassem o segundo mandato de Fernando
Henrique, desde 1998. Foi uma correria entre alguns tucanos, que passaram a
atirar contra sua instalação.
O senador Álvaro Dias (PSDB/PR) acusou Sampaio
de fazer acordo com o governo para viabilizar as investigações. Quase se
engalfinharam, após bate-boca durante almoço de parlamentares da oposição em
uma churrascaria de Brasília.
Na quinta-feira passada, dia 14, Carlos Sampaio
protocolou requerimento para instalação de CPI mista, mas um erro regimental
(em vez de ser um requerimento, o texto mencionava a expressão “apoiamento”
nas assinaturas dos senadores) fez com que o pedido fosse rejeitado pelo
presidente do Congresso, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB/AL).
No mesmo dia, à noite, o requerimento foi
reapresentado pelo líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), depois de
nova coleta de assinaturas. Mas, a troca de farpas não parou, pois ele
insinuou que o problema com as assinaturas poderia ter sido causado
intencionalmente por parlamentares da base aliada. “Ou foi alguém que
ignorasse muito fortemente o que delibera, ou alguém que desconhece os
procedimentos da Casa. Alguém que, não querendo a comissão, ganharia alguns
dias”, disse Arthur Virgílio que, em seguida voltou atrás, ao ficar sabendo
que outro tucano, Álvaro Dias, fora o responsável pela coleta de assinaturas
no Senado. |