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Petroleiros denunciam livre acesso aos mapas por
agentes externos
Terceirização expôs a Petrobrás ao roubo de
informações estratégicas
“Desregulamentação realizada por FHC, violento
processo de terceirização e a relação entre
ex-executivos da estatal e grupos privados do
setor são peças fundamentais deste
quebra-cabeça”
HÉLIO SEIDEL*
O
portal Terra furou toda a grande mídia ao
divulgar com exclusividade na manhã de
quinta-feira, 14, um fato gravíssimo que chegou
ao conhecimento da Presidência da Petrobrás no
dia 01 de fevereiro. Notebooks e HDs que
continham informações confidenciais da estatal
sobre dados geológicos das bacias brasileiras,
inclusive a mega província petrolífera de Tupi,
foram furtados de um contêiner que estava sendo
transportado pela multinacional norte-americana
Halliburton de uma plataforma de pesquisa na
Bacia de Campos para a Superintendência da
Petrobrás em Macaé. A gravidade do fato vazado
para o portal Terra pautou a mídia nacional e
internacional, parlamentares, governo e a
sociedade de uma forma geral. Todos envolvidos
numa espécie de thriller policial, tendo como
pano de fundo a hipótese investigada pela
polícia federal de espionagem industrial.
CRIME ANUNCIADO
De fato, o “roubo” de informações estratégicas
para o Brasil, com dados geológicos das bacias
do país pesquisados pela Petrobrás, tem todas as
características de um crime premeditado. Mais
ainda: de um crime anunciado. O que a mídia, no
entanto, não tem levado em consideração é que a
desregulamentação da indústria de petróleo
realizada por FHC, o violento processo de
terceirização das atividades da Petrobrás e a
relação perniciosa entre ex-executivos da
estatal e os grupos privados do setor são peças
fundamentais deste quebra-cabeça.
A FUP e a CUT sempre denunciaram o excessivo
nível de terceirização na Petrobrás. Em março de
2004, durante um seminário conjunto da FUP com a
empresa, onde se discutiu a necessidade de
primeirização de várias atividades, um gerente
da companhia foi taxativo: “Terceirizamos até o
que não devíamos”. Além da precariedade das
condições de trabalho e segurança, a
terceirização na Petrobrás parece que fugiu ao
controle da própria empresa. Ao ponto de
diferentes agentes externos terem livre acesso a
informações e equipamentos estratégicos da
companhia, expondo a vulnerabilidade em que a
Petrobrás se encontra.
Soma-se a esta questão, o fato do furto de dados
confidenciais e estratégicos da Petrobrás ter
ocorrido “coincidentemente” às vésperas de uma
nova rodada de licitação de áreas de exploração
de petróleo e gás que a ANP pretende dar
encaminhamento ao reeditar a 8ª Rodada. Estamos
tratando de um caso de segurança nacional, que
pode impor sérios prejuízos ao país, já que as
informações contidas nos HDs e notebooks
furtados dizem respeito a muitas das áreas que
serão licitadas pela ANP, algumas delas
adjacentes à província petrolífera no pré-sal,
onde estão localizados os gigantescos campos de
Tupi e Júpiter. Portanto, é imperativo a
suspensão imediata da 8ª Rodada.
Outro fato que exige atenção da Petrobrás e do
governo é a exposição da empresa diante de
ex-executivos de alto escalão que, mais
poderosos do que HDs e notebooks, centralizaram
durante décadas informações estratégicas e
confidenciais da companhia. Nos últimos anos, a
mídia tem alardeado o que chama de “fuga de
cérebros”, ao tratar de forma enviesada a
mudança destes executivos para multinacionais de
petróleo e empresas de energia. Em troca de
milionários salários e bônus, eles levaram
consigo não só o conhecimento técnico adquirido
na Petrobrás, mas, principalmente, os dados
preciosos da companhia, que são estratégicos
para o país. Portanto, neste momento em que se
discute uma questão de segurança nacional, que
envolve diretamente a Petrobrás, é fundamental
levar em conta a necessidade de se buscar
mecanismos que reduzam a vulnerabilidade da
empresa em relação a seus ex-executivos.
REAÇÃO URGENTE
A FUP espera que esse caso gravíssimo, que
voltamos a ressaltar, diz respeito à segurança
nacional, seja rapidamente elucidado e que a
Halliburton, empresa que estava responsável pelo
transporte dos dados confidenciais da Petrobrás,
assuma a sua responsabilidade no fato. Não
podemos esquecer que a multinacional
norte-americana já foi comandada pelo
vice-presidente dos Estados Unidos e que atuou
fortemente nos bastidores da invasão do Iraque,
fazendo fortunas através de contratos de
logística bilionários com o Pentágono.
É imperativo ainda que a Petrobrás crie
mecanismos mais rígidos de controle de
informações sigilosas e estratégicas,
principalmente junto às empresas prestadoras de
serviço. A Federação também intensificará sua
luta pela suspensão imediata da 8ª Rodada de
Licitação da ANP, assim como o debate em torno
do processo de terceirização na Petrobrás.
* é presidente da Federação Única dos
Petroleiros (FUP) |