|
Manuela d’Ávila, deputada federal
do PCdoB-RS, repudia tentativa de calar governador
Deputada Manuela condena censura na TV
pública do PR
Deputados
federais denunciam o crime
“Historicamente os setores
conservadores tentam fazer com que aqueles que têm as opiniões mais avançadas
não possam manifestá-las”, declarou, em entrevista ao HP, a deputada federal do
Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Manuela d´Ávila, do Rio Grande do Sul,
sobre a censura prévia estabelecida contra o governador do Paraná, Roberto
Requião. Por decisão do desembargador Edgard Lippmann Júnior, o governagor foi
proibido de manifestar sua opinião no programa Escola de Governo, da TV
Educativa do Estado.
“Requião é um homem que tem
compromisso com o povo e mais uma vez, como já aconteceu em diversos momentos da
história do nosso país, tentam calar o governador”, disse Manuela. “E é isso que
acontece nesse momento no Estado do Paraná com o governador Requião”,
acrescentou a jornalista . “Mas nós sabemos que aqueles que representam o povo
não são calados facilmente”, afirmou a deputada, que é membro do Comitê Central
do PCdoB.
Também condenando a censura contra
Requião na TV Educativa, o deputado federal paranaense Dr. Rosinha, do PT,
declarou que “a decisão desse juiz constitui um ato de censura que deve ser
repudiado pela sociedade e revisto o quanto antes pelas instâncias superiores”,
afirmou. “Um despacho judicial jamais poderia citar como parâmetro ‘a grande
mídia’ e editoriais de jornal.”, acrescentou Dr. Rosinha.
Para o parlamentar paranaense, não
cabe à Justiça deliberar sobre o conteúdo a ser veiculado por órgãos privados ou
públicos de imprensa. “Cabe ao conjunto da sociedade e a seus representantes
criar normas eficientes para de fato democratizar a comunicação no país”. As
declarações de Manuela d´Ávila e do Dr. Rosinha em repúdio ao despacho do
desembargador Lippmann somam-se a dos parlamentares Fernando Ferro (PT-PE) e
Eduardo Valverde (PT-RO).
Em entrevista ao HP, publicada no
dia 13, Fernando Ferro denunciou que “esse tipo de cerceamento é motivo de
preocupação para quem lutou anos pela democratização do país”. “Infelizmente, o
que acontece com o governador Roberto Requião é uma manifestação ideológica e
política de setores conservadores, e isso é uma ameaça à democracia”, afirmou.
“A ação política, partidária e
ideológica da grande imprensa, com valores conservadores cotidianos e, ao mesmo
tempo, a baixaria da programação das grandes redes de televisão não estão sendo
atingidos pela Justiça”, acrescentou o deputado pernambucano.
Eduardo Valverde também condenou a
censura prévia contra Requião lembrando que “a Constituição Federal garante a
liberdade de imprensa”. Valverde declarou que a medida “é uma limitação ao
direito de expressão”, e defendeu que a “TV Educativa possa exercitar de maneira
plena o seu papel jornalístico”. “Eu creio que essa é uma ação que pode ser
revista, até porque a opinião pública vai estar vigilante e também o Ministério
Público. Creio que é uma questão a ser superada”, afirmou o parlamentar.
A medida de censura a Requião foi
repudiada por amplos setores da sociedade. Entidades como a Associação
Brasileira de Imprensa (ABI), a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), as
Centrais Sindicais e as entidades estudantis (ver matéria abaixo), o Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), a organização Repórteres Sem
Fronteiras e a OAB-PR, repudiaram a decisão proferida pelo desembargador.
RODRIGO CRUZ
|