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Povo sérvio repudia os
narco-separatistas a serviço dos EUA
Nas ruas de diversas cidades do Kosovo manifestantes carregaram bandeiras
sérvias contra a divisão do país. “Aqui é a Sérvia” clamaram nos atos
ocorridos em toda a região
Dez
mil manifestantes tomaram na segunda-feira dia 18 as ruas na cidade de
Mitrovica, em Kosovo, para clamar: “aqui é a Sérvia”. Em repúdio aos
narco-separatistas de Bush, a população fechou a ponte sobre o rio Ibar e
construiu barricadas. Em outras cidades de Kosovo, no centro e no sul, o
povo foi às ruas com as bandeiras sérvias, enquanto no centro principal da
ocupação, Pristina, pululavam na encenação bandeiras norte-americanas e,
mais modestamente, inglesas e alemães. Na capital, Belgrado, uma multidão
rechaçou a tentativa de decepar o berço da nação sérvia, e berço de todos os
eslavos do sul, Kosovo, a província sob ocupação de 17 mil invasores da
Otan.
ONU
No
Conselho de Segurança da ONU, reunido em caráter de urgência por iniciativa
da Rússia e da China, o recém-eleito presidente sérvio, Boris Tadic, exigiu
a anulação desse ato unilateral e o respeito à resolução 1224, de 1999, que
reconhece a soberania da Sérvia sobre Kosovo. “Se os senhores fizerem vista
grossa a este ato ilegal, quem lhes garante que partes dos seus países não
vão declarar independência da mesma forma ilegal”, advertiu Tadic no
Conselho da ONU. “Quem pode garantir que não será feita vista grossa para a
violação da Carta das Nações Unidas, que garante a soberania e a integridade
de cada Estado, quando chegar a vez do seu país?”, acrescentou.
Nas
vésperas, o presidente russo Vladimir Putin havia advertido que o plano era
“imoral” e “ilegal”, enquanto seu chanceler advertia a comunidade
internacional de que a provocação significava a “abertura de uma caixa de
pandora”. As mobilizações não aconteceram apenas na capital sérvia, mas por
todo o país. O primeiro-ministro Vojislav Kostunica convocou nova
manifestação para esta quinta-feira, dia 21, contra o “estado de fancaria”.
O primeiro “país” a “reconhecer” o narco-protetorado foi, imaginem, o
Afeganistão - também ocupado pela Otan. A Turquia, que durante 500 anos
oprimiu os eslavos do sul com o Império Otomano, também fez questão de estar
entre os primeiros. Mas isso era tudo ensaiado. A ordem veio mesmo é da Casa
Branca e Bush fez questão de saudar durante viagem à África seus
“combatentes da liberdade”. Em conseqüência, o governo sérvio retirou seu
embaixador de Washington.
Kosovo é o berço da nacionalidade sérvia, tendo sido lá que se travou a
decisiva batalha em 1389 que definiu a identidade do povo sérvio em luta
contra a colonização da Sérvia e de toda a região dos eslavos do sul pelo
Império Otomano.
Nos
séculos que se seguiram, os eslavos do sul, com os sérvios à frente, lutaram
contra essa opressão, e acabaram por se unificar num estado nacional, a
Iugoslávia, após derrotarem os turcos e o império austro-húngaro, que
submetia as regiões da Croácia e Eslovênia. Os agora chamados “kosovares”
sempre tiveram seus direitos nacionais respeitados na Iugoslávia e, ao longo
de um século, se há alguém sobre quem não há dúvida de terem sofrido muitas
perseguições, foram exatamente os sérvios, inclusive pelo papel de liderança
na luta pelo pan-eslavismo e, mais tarde, contra a ocupação nazista.
CAPO
Bush não poderia ter achado ninguém mais adequado para ser seu “arauto” da
independência. Nada menos que o capo do tráfico no Kosovo e na vizinha
Albânia pós-socialista, Hashim Thaçi. Quando a CIA precisou arrumar um
“movimento de libertação” novinho em folha nos Bálcãs, e criou seu “Exército
de Libertação do Kosovo” nos anos 90, foi com os narco-traficantes que
montou sua turma. Aliás, como fez em muitos outros lugares, do Vietnã (anos
60), à América Central (anos 80). Agora, deram um banho de loja em Thaçi e
ele virou “primeiro-ministro”.
Do
ponto de vista democrático mais profundo, o direito à secessão é um direito
legítimo de cada povo constituinte de um estado multinacional, como a antiga
Iugoslávia - assim como o direito à união. Mas não é disso de que se trata
atualmente no Kosovo. Ali, 17 mil invasores da Otan estão impondo a
secessão, após terem bombardeado por 78 dias a Iugoslávia, e assassinado
dezenas de milhares de crianças, mulheres e idosos, destruído escolas,
hospitais, creches, asilos, pontes, fábricas, usinas elétricas e de
tratamento de água, e conjuntos habitacionais. Até mesmo a estação de TV e
uma embaixada estrangeira, a da China. Também promoveram o êxodo de centenas
de milhares de pessoas, com suas bombas. Posteriormente, através de outros
expedientes, como um golpe de Estado “de veludo”, seqüestro do presidente
Milosevic para “julgamento” no Tribunal Penal da Otan em Haia, e corrupção
de certas figuras, conseguiram dar fim, pelo menos por agora, à Iugoslávia.
Mas a Sérvia segue sendo sucessora da Iugoslávia – de pleno e inquestionável
direito.
ANTONIO PIMENTA
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