|
Para governo, parlamentares, técnicos e religiosos obra no S.Francisco é fundamental
Debate consolida a unidade e
isola críticos da transposição
“Obra vai trazer segurança e garantia hídrica
a milhões de nordestinos que sofrem com o
flagelo da seca”, afirmou Geddel Vieira Lima durante a audiência pública que debateu a transposição do Velho Chico no Senado Federal
Eu queria reafirmar a convicção do governo de
que esse projeto é importante para o Nordeste Setentrional e importante para o
Brasil. É, sim, componente de uma política global de combate às desigualdades
regionais que se avolumam na medida em que vão se transformando em desigualdades
intra-regionais”, afirmou o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima,
durante a audiência pública que debateu a transposição do Rio São Francisco no
Plenário do Senado, no dia 14. Segundo Geddel, a obra “vai trazer segurança e
garantia hídrica a milhões de nordestinos que sofrem com o flagelo da seca”.
Em seu discurso na abertura da audiência, o
presidente do Senado, Garibaldi Alves, lembrou que “o Brasil detém 13,3% da água
doce do Planeta, mas 70% desses recursos estão concentrados na Região Amazônica,
enquanto é ínfima a disponibilidade de água no Nordeste”. Nessa região, disse
ele, “70% das águas estão concentradas na bacia do Rio São Francisco, o que
impõe enormes sacrifícios à população que a ela não tem acesso”. “Gerenciar
essas águas, estabelecer uma distribuição mais justa, sempre foi um grande
desafio para o governo brasileiro, que só agora dispõe de instrumentos adequados
para fazer com que prevaleça um caráter justo para a distribuição dessas águas”,
afirmou Garibaldi.
Os dados, estudos e análises apresentados pelo
governo e referendados pela quase totalidade dos parlamentares que se
pronunciaram, lideranças religiosas e técnicos presentes colocaram por terra os
argumentos levantados pelo bispo Luiz Flávio Cappio e pela atriz Letícia
Sabatella, presentes na Audiência e contrários ao projeto.
Segundo Geddel Vieira trata-se “de um projeto
integrado de desenvolvimento, com medidas complementares e de revitalização do
Rio São Francisco e que visam, inclusive, recuperar o meio ambiente de eventuais
efeitos danosos à natureza”. Como exemplo, ele lembrou que o governo já está
replantando matas ciliares, recompondo margens desgastadas e construindo
viveiros e cisternas.
Pelo Projeto, a integração do São Francisco com
as bacias hidrográficas do Nordeste Setentrional irá assegurar oferta de água a
cerca de 12 milhões de habitantes de cidades da região semi-árida dos estados de
Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. As bacias que receberão a água
do Rio São Francisco são Brígida, Terra Nova, Pajeú, Moxotó e Bacias do Agreste,
em Pernambuco; Jaguaribe e Metropolitanas, no Ceará; Apodi e Piranhas-Açu, no
Rio Grande do Norte; Paraíba e Piranhas, na Paraíba.
O projeto prevê a construção de dois canais - o
Eixo Norte, que levará água para os sertões de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio
Grande do Norte e percorrerá cerca de 400 km; e o Eixo Leste, que beneficiará
parte do sertão e as regiões agrestes de Pernambuco e da Paraíba. |