|
Mídia golpista manipula declarações de ministro para comprometê-lo com as teles estrangeiras
A “Folha de São Paulo” voltou, na última
quarta-feira, a tentar complicar a vida do ministro das Comunicações, Hélio
Costa, afirmando em texto no caderno “Dinheiro” que ele teria dito no final
de janeiro que o governo iria mudar a legislação para permitir “a solução do
‘problema’ da NET, da Telefônica (sic), da Embratel e da Tim”.
O mesmo jornal já havia publicado texto
semelhante no dia 30 de janeiro, ao se referir à fusão da Oi com a Brasil
Telecom. Um dia depois, 31 de janeiro, fez outra matéria para dizer que o
ministro teria sido advertido pelo governo e recuado de suas posições. Ou
seja, manipula as informações e depois joga a culpa no ministro, acusando-o
de ter pipocado.
Entretanto, tais contrabandos estão sendo
incluídos em diversos textos que tratam da fusão entre as duas teles
nacionais. Como é necessário mudar as normas que impedem uma tele de se
associar a outra, em virtude da regionalização criada na privatização, os
grupos estrangeiros que dominam grande parte do setor tentam pressionar o
governo a mudar a legislação para facilitar o seu monopólio neste e em
outros segmentos, como a TV a cabo.
Os “problemas” citados pela “Folha” e que,
segundo ela, o ministro iria resolver, na verdade são ilegalidades que esses
conglomerados praticaram e praticam no país, mas que ainda não foram
punidos. A Telefónica, por exemplo, é acusada de utilizar o grupo Abril como
laranja para controlar a empresa de TV a cabo TVA. A mesma acusação paira
sobre a Embratel, pertencente à Telmex, e quer controlar de fato a NET.
Ambas são proibidas pela lei do cabo, que impede grupos estrangeiros de
possuírem mais de 49% do capital destas empresas.
A Telefónica também quer oficializar e retirar
as restrições cosméticas aplicadas pela Anatel para controlar a TIM. Como é
dona da Vivo, o grupo quer fundir as duas empresas para controlar mais de
50%, isto é, ter o monopólio da telefonia celular.
Todo esse lobby para os grupos estrangeiros está
sendo inserido em matérias especulativas sobre a fusão da BrT com a OI. Não
é segredo para ninguém que o governo vê com bons olhos a fusão entre as duas
empresas justamente para impedir o controle estrangeiro sobre o setor,
criando uma tele nacional capaz de resistir à desnacionalização.
Aproveitando-se disso, alguns setores da mídia
usam suas próprias mentiras para dizer que o governo estaria preocupado em
ser acusado em favorecer as duas teles nacionais porque o PT recebeu doações
ou coisas do gênero. Um outro jornal paulista chegou a afirmar que “o
governo teme ser acusado de beneficiar a Oi, que investiu na empresa do
filho do presidente Lula”. Pura pressão para tentar emplacar o interesse dos
estrangeiros, forçar o governo a mudar a lei do cabo, algo que ao invés de
beneficiar a fusão das teles nacionais, só iria dar mais poder para os
grupos estrangeiros açambarcar estas duas (ou uma, caso ocorra a fusão) num
futuro próximo.
Sabem perfeitamente que não faria sentido criar
a empresa nacional se os concorrentes fossem mais fortalecidos com a
possibilidade iniciar o comando sobre a TV. Apoiar a convergência entre TV,
internet e telefone só tem sentido se as restrições para grupos estrangeiros
no setor de TV não só forem mantidas como ampliadas. |