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Base ianque e oleoduto que atravessa província construidos pela Halliburton
EUA quer separar o Kosovo
de olho no petróleo do Mar Cáspio
Objetivo dos EUA com a proclamação da “independência” do Kosovo é ocupar a
província para “proteger”o Oleoduto Transbalcânico, como denuncia o professor
Michael Chossudovsky
O
professor da Universidade de Ottawa e escritor, Michael Chossudovsky, denunciou
que a proclamação de “independência” por narco-separatistas de Kosovo, província
sérvia sob ocupação de tropas da Otan, tem como objetivo “proteger” o assim
chamado Oleoduto Trans-balcânico, que irá permitir às Sete Irmãs transportarem o
petróleo do Mar Cáspio sem passar pela Rússia, e assegurará “uma zona de
influência dos EUA extremamente militarizada na Europa meridional”. Ele apontou,
ainda, que o ato irá facilitar “o multibi-lionário tráfico de heroína para a
Europa”, procedente do Afeganistão - também sob ocupação.
Logo
após a invasão do Afeganistão, tornou-se público que estava em jogo o projeto de
um oleoduto unindo os campos de petróleo do Mar Cáspio aos portos do Oceano
Índico, passando pelo Afeganistão, proposto por uma empresa chamada Unocal. A
Unocal “fez”, depois, o presidente do Afeganistão ocupado, o capacho Karzai.
Agora, nos Bálcãs, aparece a AMBO, com um oleoduto que vai da Bulgária até a
Albânia, passando pela Macedônia. O contrato de construção foi acertado em 2004
e aprovado no ano passado pelos parlamentos desses três países. Terá 917 km de
extensão, ao custo, hoje, de US$ 1,5 bilhão, ligando o porto búlgaro de Burgas,
no Mar Negro, com o porto de Vlore, na Albânia. Já existe em operação um
oleoduto para escoar até o Mar Negro a produção do gigantesco campo de Tengiz
operado pela Chevron, na região do Mar Cáspio, Cazaquistão, com reservas
estimadas de 24 bilhões de barris de petróleo e de mais de 1,8 trilhões de
metros cúbicos de gás natural associados. A previsão é de que o campo irá
produzir 750 mil barris diários até 2010.
HALLIBURTON
Como
registra Chossu-dovsky com ironia, “casualmente, em 1997, dois anos antes da
invasão, um alto executivo da Brown & Root Energy, uma subsidiária da
Halliburton, Edward (Ted) Ferguson, foi nomeado diretor da AMBO)”. O autor
esclarece, ainda, que “o projeto de viabilidade do oleoduto é da Halliburton”.
Chossudovs-ky revelou, ainda, a participação do atual vice-presidente dos EUA,
Dick Cheney, nesses planos, desde antes do bombardeio à Iugoslávia de 1999 –
então como capo da Halliburton e sua subsidiária, a Kellogg Brown & Root. Antes
da Halliburton, Ferguson havia sido durante 30 anos executivo da British
Petroleum; ele tem sinalizado que a Chevron e a Exxon estão na parada.
A
denúncia do professor canadense é muito oportuna, porque, até aqui, com a
desinteressada colaboração da mídia, a bandidagem imperial vem insistindo que
seu assalto à terra e riquezas alheias é pelo mais puro “humanitarismo”. E, no
caso de Kosovo, travestiu gangues de traficantes de drogas e assassinos, em
“combatentes da liberdade contra a limpeza étnica”. Chossudovsky revelou,
também, que a maior base construída pelos EUA assim que ocupou Kosovo, “Camp
Bondsteel”, foi projetada “muito antes dos bombardeios e da invasão de Kosovo em
1999”, sob “um lucrativo contrato multimilionário” do Pentágono também com a
Halliburton. A construção começou pouco depois da invasão, em Uresevic, e se
tornou – à época, antes da invasão do Afeganistão e do Iraque – “a maior base
dos EUA construída do zero, após o Vietnã”. Chegou a abrigar sete mil soldados
dos EUA. Entre as “utilidades” registradas de “Camp Bondsteel”, está a de
paradeiro dos “vôos da tortura” de W. Bush.
Lembremos que o então presidente da Halliburton, Dick Cheney, era então um dos
integrantes do comitê de libertação do petróleo do Mar Cáspio, montado pelas
Sete Irmãs e assessorado pelo Pentágono e a CIA. Aliás, um dos mais entusiastas.
Já em 1998, o então secretário de Energia dos EUA, atualmente governador, Bill
Richardson, de acordo com o jornal inglês “Guardian”, saiu em defesa do
oleoduto. “Faria todos os países do Cáspio e dos Bálcãs política e
economicamente dependentes do Ocidente”, o que apontou como uma “meta
estratégica”. Outro argumento a favor do oleoduto era de que “a capacidade de
transporte seguro” através do Estreito de Bósforo na Turquia “rapidamente
estaria superada”. Em 2001, a Agência de Comércio e Desenvolvimento dos EUA (USTD,
na sigla em inglês) reafirmou o “interesse estratégico dos EUA” no oleoduto.
BASES
A
relação entre a “independência ocupada” de Kosovo e essas bases – não é só a de
Camp Bondsteel – é que, como destacou Chossudovsky, “assegura a militarização de
rotas estratégicas de oleodutos e corredores de transporte que unem a Europa
ocidental com o Mar Negro”. Assim, complementa outras intervenções dos EUA em
andamento em várias ex-repúblicas soviéticas, como a Geórgia, o Turcomenistão, o
Azerbaijão e o Cazaquistão, sob várias formas. A base de Camp Bondsteel tem 25
km de estradas e mais de 300 prédios, rodeados por 14 km de muros, 84 km de
alambrado e 11 torres de vigia. É tão grande que tem distritos norte, sul e
central, instalações esportivas abertas 24 horas e hospital.
OCUPAÇÃO
Para
completar, Chossu-dovsky desmascarou a farsa da “independência” de Kosovo, que
permaneceria “sob jurisdição militar da Otan” – isto é, sob ocupação de 17 mil
soldados. “Todas as decisões principais, principais referentes ao gasto público,
os programas sociais, acordos monetários e comerciais permaneceriam em mãos da
ocupação EUA-Otan”, afirmou. Já o “primeiro-ministro” Hashim Thaci - “conhecido
nos anos noventa por pertencer a uma máfia implicada em tráfico de drogas e
prostituição” - encabeçou o “Exército de Libertação do Kosovo”, montado pela
CIA.
O ELK
perseguiu e assassinou aqueles que não aceitavam seu terror – fossem sérvios,
iugoslavos de origem albanesa, ou ciganos. “Nove anos e duas guerras depois, a
questão de Kosovo volta a surgir. É parte de uma rota militar mais ampla. Os
Bálcãs constituem a porta de entrada da Eurásia. A invasão de 1999 estabeleceu
uma presença militar permanente dos EUA no sul da Europa, que serve à guerra
mais ampla dirigida pelos EUA. Iugoslávia, Afeganistão e Iraque: esses três
cenários de guerra foram empreendidos por ‘motivos humanitários’. Nos três
países, sem exceção, foram estabelecidas bases militares dos EUA”.
ANTONIO PIMENTA
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