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“Falta partir a espinha dorsal do
racismo e da desigualdade”, afirmou
Edson Santos assume o novo Ministério da Igualdade Racial
“Além da fé em nossa luta, inspirada por tantos heróis que tombaram ao longo
dos anos, hoje temos os instrumentos necessários para fazer da plena igualdade racial uma realidade em nosso país”,disse o novo ministro na solenidade de posse
Privados
do acesso à educação, à saúde pública, aos bens materiais e preteridos no
mercado de trabalho, aos negros restaram os guetos, as favelas e os
subempregos”, destacou em sua posse o novo ministro Especial de Políticas de
Promoção da Igualdade Racial (Seppir), deputado Edson Santos, lembrando que a
desigualdade social também expressa a desigualdade racial existente no Brasil.
Edson Santos disse que, embora legalmente
libertos, os negros do Brasil não receberam da sociedade ou do Estado os
instrumentos necessários para a sua emancipação. Para ajudar a reverter a
situação, ele disse que dará continuidade ao trabalho desenvolvido pela
Secretaria, agora transformada em Ministério, estimulando medidas como a
política de cotas para negros, o estatuto da igualdade racial e a agenda social
quilombola, que devem ser mantidas e aprofundadas.
O novo ministro resgatou os avanços conquistados
pelos negros, mas disse que ainda faltam muitos direitos a serem adquiridos.
“Embora não tenham partido a espinha dorsal do racismo e da desigualdade,
conseguiram muitos avanços, suados e sofridos. Mas ainda resta muito a
conquistar”.
Segundo ele, a criação da Secretaria durante o
governo Lula colocou a superação da desigualdade racial como uma das grandes
prioridades do país. “Hoje, além da fé em nossa luta, inspirada por tantos
heróis que tombaram ao longo dos anos, temos os instrumentos necessários para
fazer da plena igualdade racial uma realidade em nosso país”.
NOVO MINISTÉRIO
Ao dar posse ao novo ministro, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a Secretaria Especial de Políticas de
Promoção da Igualdade Racial deverá ser transformada definitivamente em
Ministério. Para isso, o presidente encaminhou ao Congresso Nacional, na última
quarta-feira, uma Medida Provisória alterando o status da Secretaria para
Ministério.
O presidente lembrou que a Constituição de 1988
acabou com o tratamento desigual no país, mas ressaltou que a Lei ainda não se
reflete na realidade. “Do ponto de vista legal e constitucional, não temos
nenhuma discriminação neste país. Lamentavelmente, a lei ordena, orienta, mas
não consegue mudar os séculos de preconceitos que foram construídos do ponto de
vista cultural na cabeça das pessoas”.
Lula também lembrou que é preciso redobrar
esforços, pois atualmente os indicadores sociais dos negros ainda apresentam
desvantagem em relação aos dos brancos. “Se tiver disputa entre um branco e um
negro, os indicadores do negro sempre estarão de forma mais rebaixada.”
FALHA ADMINISTRATIVA
Ao dar posse ao novo ministro, o presidente Lula
agradeceu o trabalho pioneiro desenvolvido pela ex-titular da pasta, Matilde
Ribeiro. “Matilde sai do governo sem ter cometido nenhum crime, não cometeu
nenhum delito, teve apenas falhas administrativas”, disse o presidente. Lula
afirmou que teve uma conversa franca com Matilde e disse à ex-ministra que não
compensava ficar no cargo para ser “massacrada e triturada” como vem ocorrendo.
“Faço minhas homenagens à companheira Matilde
que continua sendo minha companheira intocável que sempre foi desde o tempo da
militância dela em Santo André”, disse o presidente Lula, afirmando que sente
uma mistura de felicidade pelo ministro que entra e de tristeza pela que sai.
O novo ministro Edson Santos é deputado pelo PT
do Rio de Janeiro. Ainda jovem, iniciou sua trajetória política no movimento
estudantil nos anos 80. Morador da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, Edson
Santos se destacou como líder comunitário de um dos bairros mais pobres da
capital. Em 1988 foi eleito vereador do município do Rio de Janeiro,
reelegendo-se por quatro vezes. |