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Gilvam Borges
pede para oposição trabalhar e largar “as fofocas de namoro e as tapiocas”
Uma cena pouco comum- mas que já havia demorado
muito para acontecer – chamou a atenção na sessão plenária do Senado Federal
na última quinta-feira. Cansado de ver e ouvir tanta “hipocrisia, jogo
teatral, sepulcros caiados, desfaçatez e cinismo” por parte da oposição, o
senador Gilvam Borges (PMDB/AP) quase saiu no braço com o senador Mário
Couto (PSDB-PA), que se sentiu ofendido com a cobrança feita pelo
peemedebista para que os parlamentares passassem a discutir temas de
interesse do país e largassem os casos “extraconjugais e tapiocas” que
dominaram os trabalhos nos últimos sete meses.
O momento mais tenso ocorreu depois que Couto
subiu à tribuna para tentar responder ao discurso de Gilvam Borges. “Vossa
Excelência é um safado”, acusou o tucano. “Seu vagabundo. Amanhã a sua
máscara vai cair e essa palhaçada vai acabar”, respondeu Gilvam.
A situação só não chegou às vias de fato devido
à coragem da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que se meteu no meio dos dois.
“Olhei para os lados, não vi nenhum homem, fui eu”, afirmou a senadora. Era
um dia com pouca presença de parlamentares no plenário. Além de Kátia,
alguns senadores como Álvaro Dias, que presidia a sessão, e Demós-tenes
Torres acompanhavam com atenção o enfrentamento. “Pensa num homem com os
olhos vermelhos vindo para cima do outro. Não pode, gente. Bater é quebra de
decoro”, disse ela, que se incumbiu de relatar as minúcias do acontecido
para a imprensa.
Embora cômica, a cena também trouxe questões
positivas para o Senado, principalmente o fato de algum senador tentar
colocar um freio na inutilidade dos debates em torno da “tapioca”. Não que o
senador Gilvam Borges tenha provocado, pelo contrário, estava apenas fazendo
um apelo para que o Senado parasse com “esse negócio de abordar problemas de
namoro, de fofoca, de não-sei-quê”.
Muitas foram as apostas para saber o que irritou
mais o senador tucano. Na avaliação de alguns senadores, a gota d’água foi
quando Gilvam Borges pediu para “acabar com esse negócio de tapioca, aqui,
na tribuna do Senado! Não adianta. Quando mais bate, mais o Presidente Lula
cresce. É preciso mudar a tática. Não falem isso não. Façam oposição
inteligente, correta e contributiva, porque não está dando certo (...)
Agora, entramos numa pauta de cartão de crédito institucional, falando de
tapioca. Ah, não dá, meu amigo! Não dá! Vamos falar de reforma política,
vamos falar de reforma tributária, vamos falar da Nação, do seu
desenvolvimento e das coisas que estão ocorrendo de positivo. Esta Casa
cumpriu o seu papel constitucional de tratar de assuntos de Estado. De
tapioca que cuide lá a tapioqueira e o Tribunal de Contas da União. Já
chega!”. |