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Trabalhadores e estudantes nas ruas dia 29 contra a privatização da Cesp
Apeoesp, Sindsaúde, CUT, CGTB, CTB, UNE, UBES, UPES e UMES
convocam ato em frente ao Palácio dos Bandeirantes, nesta sexta-feira, às 14
horas, “Em defesa das políticas públicas e contra as privatizações”
Um
ato público unificado “Em defesa das políticas públicas e pelo fim das
privatizações”, será realizado nesta sexta-feira, às 14 horas, na capital
paulista, em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual. Entre
as entidades que convocam a manifestação destacam-se a Apeoesp, o Sindsaúde, as
centrais sindicais CUT, CGTB e CTB, e as uniões estudantis UNE, UBES, UPES e
UMES.
Em plenária na
sede da Apeoesp, as entidades aprovaram manifesto em que denunciam os desmandos:
“o governo estadual anunciou que pretende privatizar a Cesp (Companhia
Energética de São Paulo) ainda no primeiro trimestre deste ano. Ao abrir mão da
geradora, uma das maiores do país, o governo paulista desiste também de um
importante instrumento de indução do desenvolvimento. Como se sabe, geração de
energia não é qualquer atividade econômica, mas sim interesse de Estado com
importantes repercussões na vida da população, na atividade industrial e na
economia em geral”.
De acordo com
o o presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São
Paulo (Apeoesp), Carlos Ramiro de Castro (Carlão), é preciso denunciar “as
políticas levadas a cabo por este grupo que governa o Estado há 13 anos, que
prioriza a privatização de estatais e de setores essenciais, como o que está
acontecendo com a Cesp no momento, com a linha 4 do Metrô, com a concessão de
rodovias estaduais, além da precarização do serviço público na área da saúde, da
educação, da segurança pública, enfim, que atinge toda a sociedade paulista”.
Conforme Carlão, o ato também cobrará respeito à data-base do funcionalismo (1º
de março): “Temos que forçar o governo a abrir as negociações salariais, receber
as entidades, e fazê-lo cumprir a data-base”.
Ao condenar o
desmonte na educação, o presidente da Apeoesp alertou que “o Estado mais rico da
Federação investe apenas 3,5% do seu PIB no setor. A falta de investimentos e de
um planejamento faz com que a educação pública oferecida aos filhos dos
trabalhadores careça de qualidade, uma vez que os professores não são
valorizados. Falta infra-estrutura nas escolas – desde iluminação, carteiras,
lousas, até bibliotecas e laboratórios –, as classes são superlotadas, impedindo
um bom desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem. O governo toma
medidas sem discutir com a comunidade escolar (pais, alunos, professores), a
exemplo da redução de aulas de geografia, português e matemática no ensino
médio, prejudicial à formação do aluno, desrespeitando deste modo a democracia
na gestão escolar”.
NOSSA CAIXA
O manifesto
de convocação do ato denuncia que “o principal banco de fomento de São Paulo,
com vistas ao desenvolvimento regional e de nossa população, o banco Nossa Caixa
é mais uma das estatais na mira do governo do Estado para a privatização. No ano
passado, para que a Nossa Caixa administrasse as contas salários de 1,061 milhão
de servidores públicos estaduais, o governo sangrou o banco em mais de R$ 2
bilhões. Dinheiro que poderia ser reinvestido em financiamentos de pequenas e
micro-empresas ou mesmo na melhoria do atendimento das agências, mas que
escorreram pelo ralo do governo do Estado”.
Segundo as
entidades, “os ventos neoliberais, soprados pelo PSDB, têm varrido o Estado de
São Paulo nos últimos 13 anos, com conseqüências desastrosas para os serviços
públicos. O governo de José Serra vem dando continuidade ao processo de
privatização das estatais, iniciado por Mário Covas. Serviços essenciais, como o
do setor elétrico, de distribuição de gás de cozinha, a linha 4 do Metrô,
rodovias estaduais, por exemplo, passaram ou estão prestes a ser transferidos
para as mãos da iniciativa privada”.
O
vice-presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci
Dantas de Oliveira (Bira), declarou que “o governo também tem transferido
responsabilidades do Estado a entidades privadas, as chamadas organizações
sociais, principalmente nos setores da saúde e da educação”. “O desmonte dos
serviços públicos atinge em cheio à população, principalmente os mais pobres,
que necessitam da proteção do Estado, que não têm como pagar planos de saúde
privados, escolas particulares e dependem do transporte público, como o Metrô”,
explicou.
Para piorar a
situação, alertam as entidades, “os governos tucanos são extremamente
autoritários, não se abrem ao diálogo, impedindo desta forma a efetiva
participação da sociedade nos destinos do Estado. As políticas públicas de José
Serra e seus antecessores somam desregulamentação econômica e autoritarismo
político que minam as possibilidades de desenvolvimento e inclusão social”.
RESPONSABILIDADES
Na avaliação
do diretor do Sindsaúde e da CUT-SP, Angelo D’Agostini Júnior, “em função da
falta de recursos, o atendimento na saúde pública anda há muito tempo precário.
Para piorar, o governo Serra tem apostado na terceirização de serviços e a
transferência de responsabilidades do Estado para empresas privadas, o que se
reflete diretamente na queda da qualidade do atendimento”.
“O setor de
transportes, especialmente do Metrô, também tem sofrido com a falta de
investimentos público, com a terceirização de mão-de-obra e com a privatização
da Linha 4. Conseqüências: sucateamento do serviço, especialmente da manutenção
preventiva, com constantes acidentes. As obras da Linha 4, em andamento,
deixaram de ser fiscalizadas pelo Metrô, gerando o grande acidente em
Pinheiros”, esclarecem as entidades.
SUCATEAMENTO
No manifesto,
as lideranças sindicais e estudantis apontam que “as universidades públicas –
USP, Unicamp e Unesp – também sofrem com o sucateamento, com a tentativa de
ingerência na autonomia universitária, e com a falta de investimentos, o que
prejudica as pesquisas científicas”. Além disso, enfatizam, “a política do PSDB
para a segurança pública é o de escamotear números de homicídios nas
estatísticas oficiais sobre a violência e não investir na área. O judiciário
sofre com o gargalo provocado pela falta de modernização, que só faz a
morosidade no julgamento de processos aumentar, enquanto o governo corta 36,5%
das verbas destinadas à Justiça no orçamento aprovado para 2008”. O governo
Serra também tem desrespeitado acintosamente os funcionários públicos do Estado
de São Paulo: “Em 2007, por exemplo, não cumpriu a data-base da categoria, não
concedeu reajuste salarial, sequer negociou com as entidades. Uma das
conseqüências desta política de arrocho é a precarização dos serviços prestados
ao público paulista”. |