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CARTAS
horadopovo@horadopovo.com.br
“Técnica
de interrogatório”
É impressionante o cinismo do presidente George
W. Bush ao afirmar que a prática de simulações de afogamentos em
prisioneiros detidos na Base Militar de Guantánamo, tal como tem sido feito
pelo exército norte-americano para obter informações, não é tortura, mas sim
uma “técnica de interrogatório”. Extrapolando esse ridículo raciocínio,
todos os grandes torturadores da história poderão utilizar essa desculpa
esfarrapada como forma de contestação. Fico imaginando os defensores da
inquisição, do nazismo, das ditaduras latino-americanas, asiáticas e
africanas, alegando que espancamento, pau-de-arara, cadeira do dragão,
choque elétrico, sevícias sexuais e outras barbáries impostas aos
prisioneiros políticos, não eram torturas, mas “técnicas de interrogatório”.
Dois ditos populares explicam bem essa situação: 1) “Pimenta nos olhos dos
outros é refresco”; 2) “Para quem é mal-intencionado qualquer desculpa
serve”. Ainda bem que a era Bush está com os dias contados...
Júlio Ferreira
- Recife (PE)
Recursos para
a Saúde
Ao invés do líder do governo querer criar um
novo tributo para a Saúde, ele, o deputado Henrique Fontana, deveria
vincular como fonte de recursos para a Saúde a receita dos impostos que se
paga na fabricação e na compra do cigarro, da bebida, dos agrotóxicos e a
receita com as multas de trânsito.
Franz Josef Hildinger - Praia Grande (SP)
Raposa Serra
do Sol
A Polícia Federal se prepara, novamente, para a
absurda retirada dos não-índios da reserva Raposa-Serra do Sol. Os
não-índios não querem a retirada porque sabem que isso acarretaria um grande
prejuízo para a economia de Roraima, e os índios, por sua vez, seriam
também, diretamente afetados com a saída destes produtores de arroz, tendo
em vista que sua alimentação se baseia no arroz e no peixe que pescam nos
canais de irrigação. Que o povo de Roraima não permita mais este ato de
lesa-pátria contra seu território e que brade com todo vigor o poderoso
estribilho de seu hino: Nós queremos te ver poderoso. Lindo berço, rincão
Pacaraima! Teu destino será glorioso, Nós te amamos, querido Roraima!
Hiram Reis e
Silva - Porto Alegre (RS)
Preço de
tabela
Liguei para um amigo publicitário para saber
sobre os custos de alguns comerciais para TV, ele falou que consegue até 85%
de desconto sobre o preço da tabela de uma certa emissora nacional. Surpreso
diante do gigantesco desconto ele me informou ainda que uma empresa que
contrate seis meses de publicidade numa rede de TV nacional, por exemplo, e
pague adiantado, pode obter mais 95% de desconto sobre o preço da tabela.
Sem acreditar, disse que não entendia pra que a tabela se os preços
praticados não condiziam. Ele respondeu prontamente: - a “tabela” é para o
governo. Ou seja: a mídia tem uma tabela pra roubar dinheiro do povo -
compromisso com a verdade uma ova! Mensalão? Não. O tempo na TV e no Rádio é
medido em segundos, ou seja, Cronometrão. Nos jornais e revistas, o espaço é
vendido em centímetros, então a mídia tem o seu Centimetrão para roubar
dinheiro do povo. Ai está um motivo pelo qual a mídia é panfleto de alguns
partidos e muitos canalhas - esses, quando no governo pagam à mídia a tabela
cheia, além de facilitar outros negócios afins.
Thiago Moskito
- Brasília (DF)
Bom dia
Outro dia, um amigo comentou comigo que não
conseguia entender porque as pessoas vivem tão “armadas”. Ele não se referia
ao porte de armas brancas ou de fogo, mas aos espíritos armados, desses que
andam pelas ruas ou dirigem seus carros cheios de pedras na mão, com olhar
ameaçador; chutando cães e gatos; distribuindo mau humor e agressividade;
incapazes de reagir positivamente mesmo a um sorriso de bebê. Infelizmente,
o cotidiano das cidades confirma que, em muitos casos, isso é verdade. A
população se divide em gatos escaldados e lobos em pele de cordeiro. O
resultado é que as pessoas estão perdendo a sensibilidade e até a
humanidade. Francamente, é impossível viver o tempo todo numa redoma! Isso
consome muita energia, esgota, faz envelhecer mais cedo! Quem persiste nesse
padrão de vida acaba virando mais um na estatística da solidão das cidades,
ou forma mais uma tribo ou gueto. Praticar cortesia: dizer bom dia a um
subalterno ou superior; ceder passagem ou lugar a quem tem necessidades
especiais; sorrir, respeitar e dialogar é a melhor forma de prevenir e
combater o mau humor e a depressão, próprios ou dos outros. E não pense que
fazer isso é um sinal de fraqueza. Fraco - e imbecil - é quem faz uso
desnecessário ou irracional de inteligência ou força para amedrontar
inocentes, mostrar que manda ou simplesmente “manter a fama de mau”.
Adilson Luiz
Gonçalves - Santos (SP) |