Centenas de milhares de sérvios tomaram as ruas de
Belgrado, na quinta-feira, 21, para repudiar a separação unilateral da província
de Kosovo, sob ocupação dos EUA e da OTAN.
O protesto "Kosovo é Sérvia" foi convocado pelo Governo e
pelos Partido Radical Sérvio, Partido Democrático da Sérvia e Partido Nova
Sérvia, além de dezenas de entidades de trabalhadores e de estudantes. A
manifestação teve início na praça em frente ao Parlamento, onde foi entoado o
Hino Nacional sérvio e terminou do lado de fora da tradicional Igreja São Sava,
onde foi realizada uma oração por Kosovo.
Sérvios de todo o país participaram do protesto. Muitos
portavam cartazes com os dizeres ‘Kosovo é o coração da Sérvia’ e ‘Continuará
Sérvia’.
Entre os oradores, se destacou o líder do Partido Radical
Sérvio, o maior do Parlamento, Tomislav Nikolic. "Estamos determinados e não
abriremos mão de Kosovo", afirmou Nikolic.
Também discursou o primeiro-ministro sérvio, Vojislav
Kostunica, que disse que "não iremos descansar até que Kosovo esteja novamente
sob controle da Sérvia".
Várias personalidades sérvias, entre elas o jogador de
basquete, Dejan Bodiroga, e o diretor de cinema, Emir Kustu-rica, também
estiveram presentes ao ato. O tenista Novak Djokovic enviou uma mensagem por
telefone do exterior.
Kusturica, último a discursar, disse, entre aplausos e
manifestações de apoio, que "depois do dia 17 (quando foi criado o Estado
fantoche), devemos esperar um novo calendário, para que chegue um dia 18" e
Kosovo "volte a ser nosso".
O diretor de cinema descreveu os grandes cientistas,
escritores e esportistas sérvios mundialmente conhecidos e afirmou que "não
podemos renunciar ao mito de Kosovo" e aceitar "o mito de Hollywood", uma
crítica aos Estados Unidos pelo seu envolvimento e pressão internacional pela
separação de Kosovo.
Após o ato, algumas centenas de pessoas atacaram e
incendiaram a embaixada dos EUA, o país que montou a invasão de Kosovo e
bombardeou a Iugoslávia, incluindo a capital Belgrado. Também é o governo Bush o
principal fomentador da divisão da Sérvia. O ministro do governo sérvio para
Kosovo, Slobodan Samardzic, afirmou que "os EUA são o principal culpado por
todos esses atos de violência".
O assessor do primeiro-ministro, Branislav Risti-vojevic,
disse que "se os EUA mantiverem sua posição de falsificar a existência de um
Estado, toda a responsabilidade no futuro será deles".
Vários protestos contra a separação unilateral ocorreram
também em cidades de Kosovo ocupado. Na mesma quinta-feira, ex-reservistas do
Exército sérvio atacaram com pedras um posto que pretende delimitar Kosovo e o
resto da Sérvia.
Em Mitrovica, norte do Kosovo, cinco mil pessoas
protestaram contra a "independência", na sexta-feira, 22. O protesto iniciou
pontualmente às 12h44 (hora local) em referência à resolução 1244 do Conselho de
Segurança da ONU que estabelece a soberania sérvia sobre Kosovo. No sábado,
centenas de pessoas marcharam na cidade da província, Strpce, empunhando
bandeiras da Sérvia e cantando ‘Kosovo é Sérvia’. "Estamos furiosos com os EUA.
Onde eles se metem, criam problemas", disse Sinisa Tasic, um dos organizadores.
Os sérvios também receberam solidariedade em diversos
outros países.
Em Atenas, capital grega, cerca de duas mil pessoas
marcharam em frente à embaixada dos EUA. Na Alemanha, em Stutgart e Frankfurt,
milhares de pessoas protestaram. No Canadá o protesto também ocorreu em frente à
embaixada norte-americana.
No domingo, 24, dez mil pessoas protestaram em Viena,
capital austríaca. "Não cederemos Kosovo" e "Kosovo é o coração da Sérvia", eram
algumas das faixas.
Em Zurique, na Suíça, os manifestantes traziam bandeiras
sérvias e suíças. Gritavam palavras de ordem contrárias à "independência" da
província do país e levavam cartazes com os escritos "A independência de Kosovo
divide o mundo".
Muitas nações se recusam a reconhecer a "independência" de
fancaria de Kosovo como Rússia, China, Espanha, Brasil e Venezuela.
RODRIGO CRUZ