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Kosovo:
Rússia denuncia violação de sistemas legais e de segurança internacional
Em visita à Sérvia, o
vice-primeiro-ministro da Rússia, Dimitri Medvedev, declarou seu apoio “ao
povo deste país agredido por uma política separatista que fere seus direitos
como nação soberana, quando pretende lhe arrancar a província de Kosovo”.
“Concordamos em coordenar nossos esforços para que seja restituída a sua
integridade territorial”, acrescentou, acompanhado do ministro de Relações
Exteriores, Serguei Lavrov.
“O processo iniciado [para a
separação de Kosovo] destrói os sistemas legais e de segurança
internacionais que a humanidade elaborou há mais de 100 anos”, assinalou
Medvedev, na segunda-feira, dia 25, frisando que “cada dia mais, países da
Europa e do mundo se somam ao repúdio a uma ilegalidade que, se mantida,
trará conseqüências funestas à humanidade. É uma tentativa cega de quem se
sente encurralado e sem futuro”.
Os dirigentes se deslocaram a
Pancevo, localizada a 15 quilômetros ao nordeste da capital, Belgrado, para
visitar uma refinaria da maior companhia petroleira sérvia, a NIS (Indústria
Petroleira da Sérvia), empresa que recentemente se associou à russa Gazprom.
Medvedev é candidato à presidência da Rússia nas eleições do próximo 2 de
março.
Esta refinaria foi bombardeada
em 1999 pela aviação da Otan, quando da agressão à Iugoslávia.
No fim de janeiro, Belgrado e
Moscou assinaram um acordo de cooperação sobre o petróleo e o gás, que prevê
a participação da Sérvia no gasoduto South Stream, destinado a diversificar
as vias de transporte do gás russo para a Europa. Na visita realizada na
última segunda-feira discutiu-se o inicio da construção na Sérvia de um
amplo depósito de gás.
Em novembro passado, no
Kremlin, em presença do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e do
primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, representantes da Gazprom, e da
empresa italiana ENI, tinham acertado a criação desse gasoduto no sul da
Europa.
O gasoduto passará desde a
Rússia pelo espaço do Mar Negro para a Bulgária e a Sérvia, por onde passará
um trecho de 400 quilômetros, e sairá para o Mediterrâneo, com uma
capacidade total de transporte de 30 bilhões de metros cúbicos de gás ao
ano. Terá um valor superior aos 10 bilhões de dólares. O ramal sérvio
bombeará um terço da quantidade total.
A Gazprom, principal
fornecedora de gás para a Europa, está fazendo um grande investimento para
poder entregar esse combustível a Itália, Áustria e outros países da Europa
Ocidental, sem precisar depender do gasoduto Soiuz, com ramificações que
passam pela Ucrânia e a Polônia, países cujos governos fazem o jogo das
transnacionais norte-americanas de hidrocarbonetos, atravancando a passagem
e criando sérios problemas. |