|
Cuba elege Raul presidente para seguir fortalecendo a
Revolução
Raul Castro participou do ataque ao Moncada e encabeçou uma das colunas da
vitoriosa guerrilha, comandada por seu irmão Fidel, que partiu de Sierra
Maestra para libertar Cuba
“Continuar fortalecendo a revolução: eis o claro
mandato que o povo concedeu a esta Legislatura”, afirmou o novo presidente
de Cuba, Raúl Castro, eleito pela Assembléia Nacional do Poder Popular, que
se reuniu no dia 24 em Havana, após a carta do dia 18 do comandante Fidel,
em que este anunciou que não aspirava nem aceitaria ser reconduzido à chefia
do governo do país. Irmão mais novo de Fidel, com quem se lançou no célebre
ataque ao quartel de Moncada em 1953 e que, depois, encabeçou em 1958 uma
das frentes da vitoriosa guerrilha de Sierra Maestra, Raúl vinha exercendo
desde junho do ano passado a presidência interina. Até aqui, ele era o chefe
das Forças Armadas Revolucionárias e, ainda, primeiro-vice-presidente de
Cuba e o segundo nome do PC cubano.
CONVICÇÃO
Assumo a responsabilidade que me é atribuída,
com a convicção de que, como afirmei muitas vezes, o Comandante-em-Chefe da
Revolução Cubana é um só. Fidel é insubstituível e o povo continuará sua
obra quando este já não estiver fisicamente”, afirmou Raúl. Ele agradeceu ao
povo cubano por suas “inúmeras mostras de serenidade, maturidade, confiança
em si próprio” e pela combinação “de genuínos sentimentos de tristeza e
firmeza revolucionária”. A Assembléia também elegeu outro veterano da Sierra
Maestra, José Ramón Machado Ventura, como primeiro-vice-presidente. Antes,
Ricardo Alarcón havia sido reeleito presidente da Assembléia Nacional. O
novo chefe das Forças Armadas Revolucionárias é também um veterano da Sierra
Maestra, o general Julio Casas Regueiro.
O novo presidente assinalou que o PC cubano “é a
garantia segura da unidade da nação cubana”e o “digno herdeiro da confiança
depositada pelo povo no seu líder Fidel”. Raúl homenageou a decisão de Fidel
de preparar o partido e o povo cubano para sua substituição, ato que
considerou “uma nova contribuição que o enaltece, visando assegurar desde
agora a continuidade da Revolução”. Ele registrou que, apesar da “paulatina
recuperação”, as condições físicas de Fidel “não permitiriam a ele aquelas
intermináveis jornadas que caracterizaram seu trabalho praticamente desde
que empreendeu a luta revolucionária e ainda com maior intensidade durante
os largos anos de período especial”. Raúl dirigiu-se, então, à Assembléia
Nacional, e expressando “o sentimento do nosso povo”, solicitou permissão de
“continuar consultando o líder da Revolução, o nosso companheiro Fidel
Castro”, nas decisões de “especial transcendência para o futuro da nação,
sobretudo as vinculadas à defesa, à política exterior e ao desenvolvimento
sócio-econômico”.
Raúl Castro relembrou o “momento mais agudo do
período especial” em 1994 – a situação de depressão econômica, imposta de
fora para dentro do país devido ao colapso do socialismo na Europa e, em
conseqüência, desaparecimento, quase do dia para a noite, da maior parte das
relações econômicas internacionais mantidas pela Ilha, e sob o bloqueio dos
EUA. “Consideráveis ajustes” e “redistribuição de tarefas”, realizados “com
a premência imposta pela necessidade de nos adequarmos de maneira rápida a
um cenário radicalmente distinto, muito hostil e sumamente perigoso”. Mas
Cuba não se submeteu, nem submergiu e, no ano passado, de acordo com a CEPAL,
o crescimento do PIB ultrapassou os 12%.
IMPÉRIO
O presidente cubano também se referiu “às
declarações ofensivas e abertamente intervencionistas” do império. “O
Departamento de Estado se apressou em anunciar a continuação do bloqueio”,
denunciou, acrescentando que “outros, com matizes, se empenham em
condicionar as relações com Cuba a um processo de ‘transição’ dirigido a
destruir a obra de tantos anos de luta”. “Quão pouco conhecem a nosso povo,
tão orgulhoso de sua plena independência e soberania!”, afirmou Raúl. “Só
acrescentarei que as Reflexões de Fidel, publicadas na sexta-feira, são uma
magistral resposta a todas elas”. Ele assinalou, ainda, que “a Revolução é
obra de homens e mulheres livres e tem estado permanentemente aberta ao
debate, mas nunca cedeu um ápice ante as pressões nem se deixou influenciar
por elas, nem pelas grandes, nem pelas pequenas”.
ANTONIO PIMENTA |