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Trabalhadores conquistam aumento
real do salário mínimo em março
Novo valor do mínimo, de R$ 412,40, é fruto do acordo das centrais com governo
Resultado
das negociações com as centrais sindicais, através das marchas anuais da classe
trabalhadora a Brasília, o governo federal anunciou que o novo valor do salário
mínimo é de R$ 412,40 a partir do dia 1º de março. A informação foi divulgada na
quarta-feira pelo ministro Paulo Bernardo.
Com o novo valor, o mínimo registra um reajuste real
acumulado de 35% entre 2003 e 2008 - o mais alto das duas últimas décadas. O
novo mínimo corresponde ao INPC dos 11 meses transcorridos entre abril de 2007 e
fevereiro de 2008, somado à variação do PIB dos últimos dois anos. A definição
do reajuste que vigora a partir do próximo mês obedece aos critérios do acordo
firmado entre as centrais e o governo no final de 2006, quando foi estabelecida
uma política de médio e longo prazo para os reajustes.
Para o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do
Brasil (CGTB), Antonio Neto, “este novo salário mínimo de R$ 412,40 é mais uma
grande vitória da unidade das centrais sindicais. Através do nosso acordo com o
governo, o mínimo que antes era pago em maio, passou a ser pago em abril, agora
é em março, no próximo ano será em fevereiro e, em 2009, no mês de janeiro –
definitivamente”. Assim, destacou, “prevalece a regra acertada com o presidente
Lula: o compromisso do governo com a política de recuperação do salário mínimo
que vai até 2023 – com proposta de revisão em 2011. Aumento de 8,5% para uma
inflação considerada em 4,1% nos últimos 11 meses representa 4,4% de aumento
real”.
Para o presidente nacional da Central Única dos
Trabalhadores, Artur Henrique, “o acordo significa um importante passo para
reverter o achatamento brutal do salário mínimo nos anos 1990 e início dos anos
2000, e um dos fatores do fortalecimento recente do mercado interno”. “Os
reajustes incidem sobre os ganhos de aproximadamente 18 milhões de assalariados
e de 17 milhões de aposentados e pensionistas, fazendo parte da luta pelo
salário mínimo necessário estimado pelo Dieese, de R$ 1.924,59, que devemos
continuar perseguindo”, acrescentou.
De acordo com o presidente da União Geral dos Trabalhadores
(UGT) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah, “o aumento do
salário mínimo de R$ 380,00 para R$ 412,40 em 1º de março é mais uma vitória da
unidade das centrais. Por ser o maior responsável pela distribuição de renda no
Brasil, o novo mínimo vai possibilitar uma injeção de centenas de milhões de
reais nas atividades econômicas do comércio, no setor de serviços, e,
conseqüentemente na indústria, que terá a sua demanda ampliada”.
Já o presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo
Pereira da Silva (Paulinho), destacou que “o aumento faz parte da política de
recuperação do poder de compra de dezenas de milhões de brasileiros. Com as
marchas nacionais que realizamos em Brasília, fechamos um acordo com o governo
para que seja aplicada a inflação correspondente aos últimos 11 meses e mais o
PIB dos dois anos anteriores. Assim, nós vamos recuperar razoavelmente as perdas
acumuladas ao longo dos anos. Embora o salário mínimo continue pequeno em
relação às necessidades dos trabalhadores. Mas temos que reconhecer que ele
aumentou o poder de compra da sociedade que dele depende”.
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